Autor da Globo enchia a cara para fazer novela que estreava em 1983

Autor da Globo enchia a cara para fazer novela que estreava em 1983

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O dia 16 de março de 1984 foi de grande alívio para Benedito Ruy Barbosa. Nesta ocasião, a Globo exibia o último capítulo de Voltei Pra Você, novela das seis que contava com Cristina Mullins e Paulo Castelli nos papeis principais.

Um tanto quanto esquecida, a trama, que estreava há 38 anos, em 10 de outubro de 1983, não deixou boas lembranças para o autor: de acordo com o livro “Novela, a Obra Aberta e Seus Problemas”, de Fábio Costa, “o desagrado do novelista se deve a ter tido que desenvolver uma história para um elenco que não era o que desejaria, ambientada em um local que não era o seu habitual” – no caso, São João Del Rei, Minas Gerais, eleita locação em razão do trabalho da Fundação Roberto Marinho de restauração de obras e monumentos artísticos da cidade.

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Em depoimento ao livro “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo”, de André Bernardo e Cíntia Lopes, o próprio autor disse que Voltei pra Você foi a novela que mais detestou fazer.

“Escrevi uma novela para um elenco que não tinha escolhido, ambientada em um cenário que não era o meu. Se não me engano, tomei uns 75 litros de vodca para terminar essa novela. Pergunta para a minha mulher. Ela guardou todas as garrafas para me mostrar no final da novela. Quando vi, nem acreditei”.

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Benedito, porém, deve lembrar com saudade dos textos que dividiu com a filha, Edmara Barbosa, colaborando, pela primeira vez em uma novela do pai. Na ocasião, Edmara esperava o filho, Bruno Luperi, que dividiu com o avô a autoria de Velho Chico (2016) e cuidará do remake de Pantanal, que a Globo vai fazer em breve.

Voltei Pra Você partia de seis personagens de Meu Pedacinho de Chão (1971), coprodução da Globo e da TV Cultura de São Paulo, revisitada pela primeira em 2014.

Da novela de cunho educativo, saíram Coronel Epaminondas e Padre Santo (defendidos pelos mesmos atores, Castro Gonzaga e Percy Aires); também Zelão (na trama de 1971, Maurício do Vale; em 1983, Nelson Xavier), além de Serelepe, Pituca e Tuim – crianças em ‘Meu Pedacinho’ (Aires Pinto, Patrícia Aires e Pelezinho); adultos em ‘Voltei’ (Paulo Castelli, Cristina Mullins e Cosme dos Santos). De início, havia a intenção de reeditar também o matreiro Rodapé (Canarinho), amigo de Zelão.

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O enredo tinha início com o regresso de Pedro, o Serelepe, a São João Del Rei. Quando pequeno, o pobre órfão corria solto pelos campos com Liliane, a Pituca, filha do Coronel Epaminondas. Ele acabou num internato; ela seguiu para a Europa.

Eis que, ao revê-la, Pedro sente seu desejo de vingança sucumbir ao amor: foi para recuperar as terras que eram de seus pais, usurpadas por Epaminondas, que ele decidiu retornar. O conflito se estabelece “de cara”, quando de posse de uma carta da mulher que o criou, Mãe Benta, Lepe afirma que irá brigar judicialmente pela fazenda. E transformá-la em uma cooperativa, com várias famílias extraindo o sustento dali.

Prejudicada pelo vai-e-vem de diretores – Atílio Riccó, Ary Coslov, Gonzaga Blota e Jayme Monjardim – e pelo desgosto do autor, a trama correu e chegou ao fim com 140 capítulos, nunca sendo reprisada pela Globo.



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