Autor detestou novela que estreava em 2002: “Não estava em condições”

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A maré não estava boa para a Globo na faixa das sete em 2002. Após o fracasso de As Filhas da Mãe, tirada do ar dois meses antes do previsto para seu encerramento, a emissora correu para colocar no ar Desejos de Mulher, de Euclydes Marinho.

Mas a produção, que exibida entre 21 de janeiro e 23 de agosto daquele ano, deu continuidade à rotina de fracassos do canal na faixa das sete no começo dos anos 2000.

A nova trama chamou atenção do público e da mídia por reunir novamente Regina Duarte e Glória Pires após o sucesso de Vale Tudo, em 1988. Dessa vez, ao invés de mãe e filha, elas seriam irmãs que viviam às turras desde a adolescência.

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Resultado foi ainda pior

Mas Desejos de Mulher começou ainda pior que a antecessora: o primeiro capítulo registrou 29 pontos, nem chegando perto da meta, que era 35.

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No mesmo dia, ocorreu o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, que dominou o noticiário e turbinou o Ibope dos programas policiais, além de um apagão em diversos estados brasileiros, o que era comum naquela época.

Dessa forma, a Globo teve que mostrar um compacto do primeiro capítulo no segundo dia. Mas isso não adiantou – as médias ficaram na casa dos 26 pontos.

O autor foi obrigado a mexer em sua história, colocando mais cenas de humor e sequências policiais. Inicialmente antagonista, a personagem de Glória Pires, Júlia, se tornou a protagonista da produção. Enquanto isso, Andréa Vargas, foi um dos piores papeis da carreira de Regina Duarte.

Nem tudo foi ruim: Alessandra Negrini, como a vilã Selma, roubou a cena na trama, além da dupla cômica formada por Ariel (José Wilker) e Tadeu (Otávio Müller).

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Autor não gostou

No final das contas, a novela não empolgou.

“A audiência ficou abaixo do que a emissora esperava para o horário na época. O elenco era dos melhores, os atores trabalharam com afinco, mas a trama, confusa e cheia de idas e vindas, dificultou o entrosamento”, analisou nosso colunista Nilson Xavier em seu site Teledramaturgia.

Euclydes Marinho

O próprio Marinho (foto acima) disse, em depoimento ao livro Autores, Histórias da Teledramaturgia, do projeto Memória Globo, que teve problemas na época.

“Eu não estava em condições de entrar em campo. Emocionalmente, afetivamente, eu atravessava um momento confuso. Estava me separando, morando em um hotel. Minha vida estava uma confusão”, explicou.

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“A cada capítulo, a novela tinha uma cara. Ficou algo completamente louco. Os personagens não tinham pé nem cabeça, faziam uma coisa a cada dia. Eu tentei de tudo”, relembrou.

“Desejos de Mulher foi considerada a pior novela do ano por toda a imprensa do Rio de Janeiro e São Paulo. Eu já fiz alguns trabalhos que foram considerados os melhores do ano, e fiz um que foi o pior”, concluiu.

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