O ator Silvero Pereira mostrou todo o seu talento em trabalhos como Pantanal, com o personagem Zaquieu, o mordomo de Mariana (Selma Egrei) que teve a vida modificada após se mudar para a fazenda de José Leoncio (Marcos Palmeira) e levar uma vida de peão.

Carol Duarte e Silvero Pereira em A Força do Querer
Carol Duarte e Silvero Pereira em A Força do Querer

Esse não foi o primeiro papel de destaque na carreira de Silvero. No cinema, ele viveu Lunga no premiado Bacurau, um cangaceiro que promove um levante contra os estrangeiros que estão matando os moradores da pequena cidade.

Além disso, ele brilhou em A Força do Querer (foto acima), novela de Glória Perez que foi exibida há sete anos, entre 3 de abril e 21 de outubro de 2017.

Sucesso no horário nobre

O primeiro trabalho do ator em novelas foi na trama escrita por Glória Perez, mas ele confessou que se sente arrependido por ter feito o papel. Silvero deu vida a Nonato, que veio do interior do Ceará para tentar uma vida artística no Rio de Janeiro, mas acaba virando motorista de Eurico (Humberto Martins).

Durante a noite, ele se torna Elis Miranda e alcança o sucesso na boemia carioca. Ninguém sabe sobre seu trabalho, pois o motorista tinha receio de sofrer o preconceito e a hipocrisia da sociedade.

Um dos pontos altos do personagem na trama foi a ajuda e o apoio que ele dá a Ivan (Carol Duarte), ajudando-o a descobrir a sua transexualidade.

“Hoje eu não faria a Elis Miranda”

Silvero Pereira em A Força do Querer
Silvero Pereira em A Força do Querer

Mesmo com toda repercussão e o sucesso na novela, Silvero diz que se arrepende de ter feito esse papel em seu primeiro trabalho na Globo.

“Hoje eu não faria a Elis Miranda, muito provavelmente. Porque eu também me reeduquei sobre essa história, e a gente precisa estar de acordo com as lutas e as causas. Depois de A Força do Querer, eu não aceitei mais nenhum personagem trans/travesti, e inclusive deixei de fazer meus espetáculos por causa disso”, declarou o ator em entrevista ao podcast Papo de Novela.

Silvero afirmou que ao longo dos anos foi entendendo e aprendendo que o mercado precisa dar espaço para mais pessoas.

“Eu fui entendendo, sendo informado e compreendendo essa questão dentro do mercado. Se a gente aceita, a gente está impedindo o mercado de ir em busca dessas pessoas. Hoje, nós não vivemos num mercado em que exista proporcionalidade. Se nós existíssemos dentro de um mercado de proporcionalidade, onde as pessoas têm acesso ao estudo e à formação, aí sim a gente estaria em uma outra discussão.

Espero que o mercado seja um pouco mais inteligente nesse aspecto, que o mercado passe a fazer convites para mim que não sejam só para defender minha causa. Não é porque eu sou um ator assumidamente LGBT e porque estou claramente LGBT nas minhas redes e em todo lugar que vou que eu não sou capaz de fazer um personagem hétero, que fuja da minha sexualidade”.

O talento e toda a emoção que Silvero deu ao personagem Zaquieu e o carinho do público foi uma amostra de que o caminho do ator nas novelas da Globo é longo.

Depois de Pantanal, ele foi escalado para o elenco de Nada Suspeitas, série da Netflix. Em seu próximo trabalho, ele estrela o filme Maníaco do Parque, dando vida ao assassino Francisco de Assis Pereira.

Compartilhar.
Avatar photo

Fábio Marckezini é jornalista e apaixonado por televisão desde criança. Mantém o canal Arquivo Marckezini, no YouTube, em prol da preservação da memória do veículo. Escreve para o TV História desde 2017 Leia todos os textos do autor