Após estourar nas novelas da Globo, artista perdeu tudo e nos deixou cedo

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Champagne no gelo, salgados e doces… Quem é mais velho certamente se lembra do tema de abertura da novela Marron Glacê, exibida pela Globo entre 1979 e 1980 e estrelada por nomes como Sura Berditchevsky e Paulo Figueiredo (foto abaixo).

Marron Glacê

Na canção, o refrão dizia que “a festa nunca ia acabar”. No entanto, um dos maiores fenômenos da música brasileira no final dos anos 1970 sentiu o gosto do sucesso, emplacou temas em novelas da Globo, mas acabou nos deixando cedo e de forma controversa.

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Estamos falando de Ronaldo Resedá. Filho de militar, Ronaldo Andrade de Moraes nasceu em 16 de outubro de 1945, no Rio de Janeiro. Após se profissionalizar, como professor de jazz, teve alunos famosos, como Lauro Corona, Marília Pêra, Lucélia Santos e Zezé Motta.

Ronaldo Resedá

Lançou-se ator e como cantor em 1976, mas estourou em 1978, com a música Kitch Zona Sul, da trilha de Dancin’ Days. O clipe da canção, onde ele dança ao lado de Heloisa Millet, marcou época no Fantástico.

Depois disso, Resedá emplacou diversos hits, que estiveram em tramas como Marron Glacê, Marina, Feijão Maravilha e Plumas e Paetês, inclusive como tema de abertura. Ele ganhou, inclusive, o apelido de Kid Discoteca.

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Declínio da carreira

Ronaldo Resedá

Muito amigo de Rita Lee, esteve como bailarino no show da cantora exibido pela Globo em 1980. A partir daí, os dias de glória terminaram, quando ele parou de receber convites para shows.

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Nos últimos anos de vida, tornou-se apresentador, comandando atrações como Som Pop, na TV Educativa, e Quanto Mais Quente Melhor, na Record.

Em 1984, o cantor tentou dar a volta por cima gravando um disco independente, que acabou nunca sendo lançado. Com dívidas por conta do investimento, ele contrariou recomendações médicas, já que não se sentia bem, e passou a viajar o Brasil fazendo shows.

“Podia ter evitado sua morte”

Ronaldo Resedá

Em setembro desse ano, foi detectado um tumor no cérebro do artista. Além disso, existiam rumores, nunca confirmados oficialmente, que ele era soropositivo, o que teria agravado seu estado de saúde.

“Em 1984, a Aids ainda era um tabu social, embora o primeiro caso tenha sido noticiado nos Estados Unidos em 1981. No Brasil, o preconceito em torno do tema passou a associá-la a uma espécie de “câncer gay”, que só vitimava homossexuais.

Ronaldo Resedá nunca assumiu publicamente sua orientação sexual, mas os buchichos em torno da vida particular do artista eram vários. Segundo Rita Lee, ele namorava um piloto gringo quando faleceu, enfatizou Raphael Vidigal no blog Esquina Musical.

Os excessos cobraram seu preço: no dia 12 de setembro de 1984, Resedá morreu em Imperatriz (MA), quando se preparava para mais um espetáculo, com apenas 39 anos, após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral).

Uma reportagem da revista Contigo afirmou, inclusive na manchete, que ele poderia ter evitado sua morte, caso tivesse ouvido os médicos. Mas as dívidas e a vontade de voltar a fazer sucesso o atormentavam.

“Ronaldo estava decepcionado com as gravadoras que não lhe davam chance para gravar suas músicas. No fundo, eu acredito que ele estava pedindo a Deus para morrer para ir cantar lá em cima, porque aqui não dava mais”, declarou a neurologista Suely, irmã dele, que acompanhou seus últimos momentos.

O cantor foi sepultado no Cemitério Parque Jardim da Saudade, no Rio de Janeiro.

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