Aids vitimou astro do Castelo Rá-Tim-Bum: “Tentaram esconder”

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Um programa infantil que marcou uma geração foi o Castelo Ra-Tim-Bum, exibido pela TV Cultura de 9 de maio de 1994 a 24 de dezembro de 1997.

Castelo Rá-Tim-Bum

Criação de Cao Hamburger e Flávio de Souza, a atração mostrava o cotidiano do castelo em que vivia Nino (Cássio Scapin), garoto de 300 anos, que brinca com seus amigos Pedro (Luciano Amaral), Biba (Cinthya Rachel) e Zequinha (Freddy Allan).

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Os personagens recebiam várias visitas, como Penélope (Angela Dippe), Caipora (Patrícia Gasppar), Bongô (Eduardo Silva), entre outros.

Apesar de não participar de todos os episódios, uma figura querida pelo público era o Etevaldo, interpretado por Wagner Bello.

Quem foi Wagner Bello

Castelo Rá-Tim-Bum

Formado pela Escola de Artes Dramáticas da USP (EAD), Wagner começou sua carreira no teatro, participando de vários espetáculos. Além de ator, ele também deu aulas de maquiagem teatral na Fundação das Artes e Ofícios de São Caetano de Sul (SP).

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Aos 27 anos, ele recebeu um prêmio de melhor ator do ano pela APETESP, por conta de sua atuação Enq, o Gnomo. Por conta de seu destaque nessa peça infantil, o diretor Philippe Barcinski convidou-o para fazer um teste na TV Cultura.

Castelo Rá-Tim-Bum

Ele deu vida a Etevaldo, um alienígena que vivia em um planeta desconhecido e que aprendia os costumes dos seres humanos brincando com os seus amigos do castelo.

O personagem conquistou as crianças com seu lado ingênuo e brincalhão. Mas a presença de Wagner no elenco durou pouco: ele permaneceu apenas três meses no programa.

Em 12 de agosto de 1994, antes de gravar sua última aparição na atração, Wagner Bello morreu aos 29 anos, vítima de complicações da Aids.

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Personagem foi substituído

Castelo Rá-Tim-Bum

Às pressas, a atriz Siomara Schoröder foi escalada para viver Etecetera, irmã de Etevaldo. Grande amiga do ator, já que eles estudaram juntos, coube a ela se despedir do personagem interpretado por Wagner.

“Ele estava vivendo um momento muito feliz, adorava o Castelo e era muito querido, mas acho que ele chegou a gravar o programa doente. Os testes demoravam muito, então não sei se ele já sabia ou imaginava. Eu vi um amigo definhar e morrer, o HIV era devastador. Desde que ele soube que tinha a doença até morrer foi menos de um ano, então foi muito traumático. Tentaram esconder a notícia, não sei se por conta do tabu que era a Aids e o homossexualismo, ou para não desiludir as crianças”, declarou Siomara ao portal Quem.

De forma lúdica e simples, seus colegas se despediram do personagem lendo uma carta, escrita por Etevaldo, que dizia o seguinte:

“Eu não posso ir ao castelo porque estou aqui, entre as estrelas, brincando”.

Além de Wagner, outros cinco artistas do infantil infelizmente já nos deixaram: Sérgio Mamberti (Dr. Victor), Gérson de Abreu (Flap). Cláudio Chakmati (Manipulador dos bonecos Mau e o Radialista), Rodrigo Santiago (Almirante Costa) e Ada Chaseliov (Xenóbia).

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