A volta por cima de Ana Francisca e seu amor por Danilo: relembre a história de Chocolate com Pimenta

A saga de Ana Francisca (interpretada por Mariana Ximenes), uma menina doce, delicada, ingênua e romântica que vence obstáculos para se transformar em uma mulher forte, madura e dona de seu destino, mas que nunca esqueceu seu grande amor do passado. Esta é a história central de Chocolate com Pimenta, comédia romântica de autoria de Walcyr Carrasco, produzida pela Rede Globo entre 2003 e 2004, com direção de núcleo e geral de Jorge Fernando. O cenário é a cidade fictícia de Ventura, cuja principal força econômica está numa bela fábrica de chocolates e bolos artesanais.

A época escolhida por Carrasco para contar a história da saga de Ana Francisca é marcada por euforia, esperança, pluralidade moral e contradições geradas pelo paralelo entre as novidades tecnológicas e a tradição. A década de 1920 sela o fim de um período que trouxe ao mundo a Primeira Guerra Mundial; o início da organização do movimento operário, que culminou com muitas greves; sucessivas e fortes geadas, responsáveis pela perda de grandes cultivos de café e uma epidemia de gripe espanhola sem precedentes que dizimou 20% da população mundial. Em 1919, tudo acaba, trazendo esperança para uma nova década.

Os anos 1920 foram a época do surgimento do estilo art-déco, da consagração da estilista Coco Chanel, da moda dos cabelos curtos à la garçonne e do maxixe e o tango, que invadiam os salões brasileiros. A década começou trazendo a arte construtivista, de forte influência russa, e também foi marcada por lançamentos literários inovadores, como “Ulisses”, de James Joyce, e de “Contos da Era do Jazz”, de Scott Fitzgerald. No Brasil, em 1922, a Semana de Arte Moderna foi o grande acontecimento cultural do período. Realizada por intelectuais, como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, levou ao Teatro Municipal de São Paulo artistas plásticos, arquitetos, escritores, compositores e intérpretes para mostrar seus trabalhos, os quais foram recebidos simultaneamente sob palmas e vaias.

Chocolate com Pimenta atravessa duas fases desta década, com uma passagem de tempo de sete anos. A trama começa em 1922. Ana Francisca (Mariana Ximenes) perde seu pai, assassinado por grileiros no interior do sul do país, e vai morar em Ventura com um ramo da família que ela não conhece: a avó Carmen (Laura Cardoso), o tio Margarido (Osmar Prado), seus primos distantes Timóteo (Marcello Novaes) e Márcia (Drica Moraes) e a “agregada” Dália (Carla Daniel) no pobre, porém acolhedor, sítio da família.

Ana estuda no colégio local, o Instituto Nossa Senhora das Graças, como todos os jovens de Ventura, graças à vontade ferrenha de sua avó, a verdureira da cidade, que não admite deixar a neta parar de estudar. Apesar de bonita, é uma espécie “patinho feio”, com seus vestidos pobres, penteados antiquados e óculos quebrados. Mesmo assim, a tímida Aninha chama a atenção de Danilo (Murilo Benício), o rapaz mais bonito do colégio, que tem uma fama terrível de don juan. Acontece que Danilo é a grande paixão de Olga (Priscila Fantin), a bela e mimada filha do delegado da cidade, que não mede esforços para fisgar o bom partido. Olga vê em Ana um obstáculo a ser removido de seu caminho.

Aproveitando-se que Danilo faz de tudo para conseguir um beijo seu, Olga lança mão de um plano: ela diz que só vai aceitar seus cortejos se o rapaz humilhar Ana em público. Danilo então trata de conquistar a confiança de Ana até que, numa bela noite, convida a moça para um passeio de carro. No instante em que vai beijá-la, Danilo enfrenta um forte conflito: sente algo mais por aquela menina de profundos olhos azuis do que um simples capricho. Mas não resiste e a beija. Naquele momento, toda a turma do colégio, capitaneada por Olga, sai de seus esconderijos e vaia estrondosamente. Enquanto todos se divertem com a situação, Ana foge humilhada – seu primeiro beijo virou motivo de piada.

Mas acontece algo que foge ao controle de Olga: Danilo realmente se apaixona por Ana e resolve procurá-la para pedir perdão. O casal começa então a namorar, para horror de Olga, de toda a turma do colégio e da família de Danilo, que o vê envolvido com a humilde neta da verdureira.

A fábrica de chocolates Bombom

Para ajudar em casa, Ana trabalha como faxineira na fábrica de chocolates de Ludovico Canto e Mello (Ary Fontoura), que domina toda a economia da região. Ludovico fundou a empresa mas não a administra, pois mora em Buenos Aires, onde cuida de sua saúde delicada. A fábrica, cenário principal da novela, é dirigida por sua irmã mais nova, a astuta e inescrupulosa Jezebel (Elizabeth Savalla), que aplica frequentes desfalques nos negócios e vive como uma rainha em Ventura.

Ludovico resolve ir a Ventura fazer uma inspeção na fábrica, para entender porque os lucros caíram tanto. Na sala da diretoria, Ludovico tem uma forte discussão com Jezebel, que termina dando um jeito de derramar uma xícara de chocolate sobre os livros de contabilidade da fábrica, e, consequentemente, sobre o irmão. Todo melado, Ludovico resolve trocar de roupa mas só consegue um uniforme de operário para vestir. No banheiro, ele encontra Ana Francisca, que está fazendo faxina. Ela o toma por um reles carregador da fábrica. Já Ludovico, que se diverte com a situação, mantém a farsa. Os dois se tornam bons amigos: ele se enternece pela amizade de Ana, que sabe ser absolutamente sincera.

Um dia, Ana descobre que está grávida de Danilo, mas não chega a contar a novidade para ele. Graças a uma artimanha de Olga e da tia do rapaz, Bárbara (Lília Cabral), o casal se separa. Vendo o desespero e o sofrimento de Ana, Ludovico se comove e resolve revelar sua verdadeira identidade. Casa-se com ela para dar um nome à criança e a leva para Buenos Aires, onde Ana Francisca começa uma vida nova. Recebe aulas de etiqueta, dança e música, corta seu cabelo à última moda, ganha de Ludovico vestidos finos, joias e peles e se transforma em uma linda mulher.

Ludovico vê o nascimento do filho de Ana, Tonico (vivido por Guilherme Vieira, na segunda fase), mas morre pouco depois. Antes de morrer, no entanto, o industrial entrega a Ana uma misteriosa caixinha de madrepérola, que só deve ser aberta se algum dia ela estiver em alguma grave dificuldade financeira. O segredo da caixinha é sua garantia para o futuro. O golpe da perda de Ludovico é mais uma dor para Ana, que nunca esqueceu Danilo, mas, decidida, ergue a cabeça e encara o futuro. Sua primeira providência é renovar o guarda-roupa. Compra peças negras, como convém a uma viúva, mas apimenta as roupas com decotes, faixas e echarpes de seda. “De triste, basta a cor”, diz a sua fiel governanta, Dona Mocinha (Denise Del Vecchio).

A volta de Ana Francisca

A história entra na segunda fase. Ana volta a Ventura sete anos depois de sua partida mais bela do que nunca, agora como uma rica senhora, acionista majoritária da fábrica de chocolate. A cidade a recebe com grandes honras, todos parecem esquecer que a tratavam com desprezo, e resolvem dar um baile em sua homenagem. “Quem é que não quer um dia voltar vitorioso para aquela cidade onde começou a vida? É este sentimento que move Ana Francisca”, diz Walcyr Carrasco.

No dia do baile, Ana chega em grande estilo com a avó, agora arrumada como uma nova rica, embora seja a mesma verdureira de sempre, com o filho e os primos. Para surpresa de todos, anuncia que vai fechar a fábrica de chocolates. A notícia cai como uma bomba sobre os poderosos de Ventura. Para demovê-la da ideia, o prefeito Vivaldo (Fúlvio Stefanini), o delegado Terêncio (Ernani Moraes) e o banqueiro Conde Klaus Von Burgo (Cláudio Corrêa e Castro) usam todos os artifícios possíveis e imagináveis. Mas, por mais que tentem, não conseguem dissuadir Ana Francisca de seu intento. As tentativas dos três vilões são sempre atrapalhadas e desastrosas. Enquanto isto, Aninha reencontra Danilo, o antigo e grande amor de sua vida, mas, embora os dois continuem se amando, nenhum dá o braço a torcer. Cada vez que se encontram, se desentendem.

Danilo está noivo de Olga há sete anos, mas não deixou de ser o típico don juan. Vive na boemia, não quer se casar por nada e só está noivo por insistência da família. Ele prefere ver o diabo a ver Ana, pois pensa que ela o traiu casando-se com Ludovico, ainda por cima por dinheiro. Ana, por sua vez, também quer distância de Danilo, pois pensa que ele a abandonou quando ela mais precisava dele. O que nenhum dos dois admite é que são, na verdade, apaixonados um pelo outro.

Chocolate com Pimenta também vai abordar temas sociais comuns à época que, no entanto, permanecem atuais. Os perigos da automedicação serão mostrados através de Lili (Maria Maya), uma personagem hipocondríaca, secretária do médico da cidade, Dr. Paulo (Guilherme Piva). A conscientização ecológica será estimulada através de Margarido (Osmar Prado), tio de Ana Francisca e criador de pássaros. Carrasco pretende ainda abordar a pichação de paredes, que já era um problema nos anos 20, como mostra o romance “O Garatuja”, de José de Alencar.

A vilã e seu segredo

Jezebel é uma mulher cheia de ambições, com um toque de loucura que chega a ser cômico. Há anos, quando ficou grávida, esteve muito doente e fez uma promessa a Santa Bernadete de que dedicaria sua filha à santa quando ela nascesse. Perdeu a criança e resolveu adotar uma menina para cumprir a promessa.

Uma empregada, Cândida, trouxe uma menina já grandinha. Cândida sempre cuidou da menina, já que Jezebel nunca fez o tipo maternal. Tratava-se de um estratagema da empregada, que tinha um filho e quis que ele fosse bem criado. Para ser adotado pela rica, resolveu apresentá-lo como menina e manter em segredo o verdadeiro sexo da criança.

Jezebel pensa ter uma menina um tanto estranha. Cândida faz tudo para que não se descubra a verdade. Assim, a pequena Bernadete (Kayky Brito) é criada longe de todos, meninos e meninas. Ninguém suspeita de que, na verdade, é um menino. “Nesta época, promessas como esta eram bastante comuns. Bernadete não é homossexual. À medida em que for crescendo, vai começar a descobrir o corpo e ter desejos masculinos, o que causará muita confusão”, diz Walcyr Carrasco.

Jezebel vai se aliar à Olga (Priscila Fantin) para impedir o romance de Ana Francisca e Danilo, pois quer que Ana vá embora de Ventura antes de descobrir suas falcatruas na fábrica. Ana, no entanto, chega a descobrir as tramoias de Jezebel, entra em guerra com a ex-cunhada, mas é tarde. Com a ajuda da fiel secretária Roseli (Rosane Gofman), a vilã consegue dar o golpe e tomar o controle da fábrica. Ana se vê sem nada de uma hora para outra, volta a ser alvo do desprezo da cidade, mas, em meio a seu sofrimento, surge um misterioso personagem para ajudá-la a recomeçar sua vida.

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