Com média de audiência na casa dos 14 pontos, Elas por Elas já pode ser considerada o maior fiasco do horário das seis. A versão da trama de Cassiano Gabus Mendes, escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson, afugentou o público da faixa.

Rayssa Bratillieri como Ísis em Elas por Elas
Rayssa Bratillieri como Ísis em Elas por Elas (divulgação/Globo)

Faltando dois meses para o final do folhetim, a Globo finalmente admitiu que errou na estratégia com a trama estrelada por Deborah Secco, Lázaro Ramos e Rayssa Bratillieri. A emissora agora concorda que não foi uma boa ideia exibir uma trama com cara de novela das sete às 18h.

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Remake em novo horário

Produzida em 1982, Elas por Elas foi exibida originalmente no horário das 19 horas. A trama foi escrita por Cassiano Gabus Mendes, um dos autores que instituíram a comédia na faixa das sete da Globo.

Nos anos 1970 e 1980, o novelista emplacou várias novelas de sucesso no horário. Elas por Elas integra essa lista, formada também por clássicos como Locomotivas (1977), Ti Ti Ti (1985), Brega & Chique (1987) e Que Rei Sou Eu? (1989). São tramas caracterizadas pelo humor sofisticado que deram uma personalidade aos folhetins das sete.

Por isso, desde o início, a confirmação de que o remake de Elas por Elas seria produzido para o horário das seis causou estranheza. A trama é uma novela das sete típica e parece destoar no novo horário, normalmente dedicado a romances e histórias mais leves.

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Erro admitido

 

Diante do fracasso de audiência da nova versão de Elas por Elas, a direção da Globo agora já estaria convencida de que escalar o remake para a faixa das seis foi mesmo um erro estratégico. O canal já credita ao horário equivocado como um dos motivos pelo fiasco da trama.

De acordo com o site F5, da Folha de S. Paulo, o canal já admite internamente que não deveria ter apostado em Elas por Elas na faixa das seis. Em reuniões na emissora, já é consenso que a novela está sendo exibida em horário errado.

Ainda segundo a publicação, a “culpa” pela decisão errada estaria sendo atribuída a Ricardo Waddington, que respondia pela direção geral dos Estúdios Globo até o ano passado, quando foi substituído por Amauri Soares. Teria sido o diretor quem bancou a aposta que se revelou equivocada.

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Sem mais experimentações

Depois do desastre de Elas por Elas, a Globo deve ficar mais conservadora do que nunca. A emissora tentou fazer uma experiência oferecendo algo novo na faixa das 18 horas, mas, como não funcionou, a ordem agora é apostar em produções à prova de erros.

Tanto que a substituta do folhetim será No Rancho Fundo, trama de Mário Teixeira que vai repetir a fórmula de Mar do Sertão (2022). A emissora considerou que a saga de Candoca (Isadora Cruz) foi um sucesso e, por isso, vai apostar numa nova história nos mesmos moldes.

Depois, deve vir uma novela de Alessandra Poggi, autora de Além da Ilusão (2022). A nova trama também deve repetir elementos da história protagonizada por Larissa Manoela, ou seja, será mais um romance de época.

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André Santana é jornalista, escritor e produtor cultural. Cresceu acompanhado da “babá eletrônica” e transformou a paixão pela TV em profissão a partir de 2005, quando criou o blog Tele-Visão. Desde então, vem escrevendo sobre televisão em diversas publicações especializadas. É autor do livro “Tele-Visão: A Televisão Brasileira em 10 Anos”, publicado pela E. B. Ações Culturais e Clube de Autores. Leia todos os textos do autor