Entre os nomes que voltam ao centro das atenções com a reprise de Rainha da Sucata no Vale a Pena Ver de Novo está Cleyde Yáconis, responsável por dar vida à personagem Isabelle de Brésson, uma das figuras mais emblemáticas da novela de Silvio de Abreu. Na trama exibida originalmente em 1990, Isabelle representa a aristocracia falida que se recusa a aceitar a perda de status, funcionando como símbolo da decadência da elite tradicional diante da ascensão dos novos-ricos.

Nascida em 14 de novembro de 1923, em Pirassununga (SP), Cleyde Becker Yáconis construiu uma carreira marcada pelo rigor artístico e pela fidelidade ao teatro. Irmã da atriz Cacilda Becker, iniciou sua trajetória no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde participou de montagens históricas e se destacou pela interpretação precisa, pela voz grave e pela postura cênica que a tornariam referência para diferentes gerações de atores.

Quem foi Cleyde Yáconis?

A partir dos anos 1960, Cleyde ampliou sua atuação para a televisão, consolidando-se como presença frequente em novelas e minisséries. Ao longo da carreira, participou de produções como Mulheres de Areia (1973), Ninho da Serpente (1982), Vamp (1991), Torre de Babel (1998) e Passione (2010), sua última novela. Mesmo em papéis secundários, sua atuação era frequentemente associada à elegância, autoridade e densidade dramática.

Embora tenha atuado também no cinema, foi no teatro que Cleyde Yáconis construiu sua identidade artística mais sólida. Ao longo de décadas, manteve atividade contínua nos palcos, interpretando textos clássicos e contemporâneos como A Dama das Camélias, O Pagador de Promessas e Os Ossos do Barão, sempre ligada a uma concepção de atuação baseada na disciplina, no estudo e no respeito ao texto.

Por onde anda Cleyde Yáconis?

Reservada fora dos palcos, Cleyde manteve a vida pessoal distante da exposição pública. Foi casada com o ator Stênio Garcia entre 1955 e 1968 e não teve filhos. Em entrevistas, expressava com clareza sua visão independente sobre afetos e escolhas pessoais. Em uma de suas declarações mais conhecidas, em entrevista à Revista Quem em abril de 2013, afirmou:

“Não é preciso amar e casar para viver”, disse.

Cleyde Yáconis morreu em 15 de abril de 2013, em São Paulo, aos 89 anos, após complicações decorrentes de uma isquemia. Sua trajetória permanece como referência no teatro e na televisão brasileiros, e personagens como Isabelle de Brésson seguem ajudando a manter viva a memória de uma das grandes atrizes da história da dramaturgia nacional.

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