Escolha da protagonista e versão inédita: 5 segredos dos bastidores de Presença de Anita

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Um homem frustrado com a carreira, com o convívio familiar e com o casamento encontra numa ninfeta de apetite sexual voraz, e ideais que navegam entre a paixão e a morbidez, a sua válvula de escape. Este é o ponto de partida de Presença de Anita, minissérie de Manoel Carlos que estreava há exatamente 20 anos, em 7 de agosto de 2001.

Sucesso do gênero – com médias acima dos 30 pontos – a produção reserva inúmeras curiosidades, garimpadas pelo TV História em jornais, livros e revistas.

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A versão que não saiu do papel

Desde 1992, Manoel Carlos ensaiava levar o romance de Mário Donato para a televisão – chegou a se corresponder com este último, que acabou falecendo neste mesmo ano. Considerada imoral e subversiva, a obra chegou às mãos do autor quando ele tinha apenas 15 anos – para não ser descoberto pelos pais na hora da leitura, Maneco escondia o livro dentro de outra publicação.

A expectativa era de que esta “primeira versão” da minissérie, dirigida por Paulo Ubiratan, estreasse em junho de 1993. Para o elenco, Manoel Carlos cogitou Vivianne Pasmanter como Anita (Mel Lisboa), Cláudio Marzo como Nando (José Mayer), Natália do Vale como Lúcia (Helena Ranaldi) e Caio Junqueira como Zezinho (Leonardo Miggiorin). A produção, contudo, foi suspensa devido ao teor polêmico da trama.

Presença de Anita já havia rendido uma versão cinematográfica, em 1951, com Antoinette Morineau no papel-título. E também teria inspirado Ivani Ribeiro, na concepção de A Outra Face de Anita, novela exibida pela TV Excelsior, em 1964, protagonizada por Flora Geny.

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A escolha de Anita

A busca pela protagonista mobilizou toda a equipe em testes feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Atrizes conhecidas participaram das avaliações: Fernanda Rodrigues, Gabriela Duarte, Júlia Feldens, Regiane Alves, Samara Felippo e Júlia Almeida, filha de Manoel Carlos. A escolhida, Mel Lisboa, de apenas 19 anos, havia feito um único teste para a TV até então: o que deu a Leandra Leal a ciganinha Yanca, de Explode Coração (1995).

Mel Lisboa tornou-se uma estrela! Anita fez tanto sucesso que o figurino da personagem, assinado por Helena Gastal, acabou ganhando as ruas de comércios populares, como o Saara, Rio de Janeiro. O ‘kit Anita’ inclua uma camisa (masculina, de seda), calcinha de algodão e uma gargantilha com pingente em forma de estrela.

Após a minissérie, Mel participou de Desejos de Mulher (2002), Como Uma Onda (2004) e produções da Record, como Sansão e Dalila (2011) e Os Dez Mandamentos (2015).

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O livro de volta às prateleiras

Editado pela última vez em 1989, pelo Círculo do Livro, Presença de Anita voltou às livrarias através da editora Objetiva – que também lançou o roteiro de Manoel Carlos, na íntegra, durante a última semana de exibição da minissérie. A adaptação para a TV, contudo, difere da obra original.

Publicado em 1948, o romance, como não poderia deixar, é ambientado no período pós-Segunda Guerra Mundial. Três anos depois da minissérie, Maneco ensaiou uma versão cinematográfica, com produção de Daniel Filho, resgatando este período – e tendo José Mayer, outra vez, como galã.

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Mudanças na história

O novelista optou por narrar os acontecimentos em ordem cronológica, deixando para os capítulos finais o mistério acerca do trágico destino de Nando, Anita e Zezinho. No livro, a história é contada em flashback, a partir da morte da protagonista.

Ainda, o perfil de Lúcia, substancialmente alterado: de esposa incapaz de amar, interessada apenas em manter o casamento de aparências, passou a mulher tímida e recatada (e, exatamente por isto, “reticente” ao atender aos ímpetos sexuais do marido à flor da pele).

Por fim, Manoel Carlos trocou o nome do protagonista, de Edu para Nando, por ter usado este primeiro em seu trabalho anterior, Laços de Família (no personagem de Reynaldo Gianecchini). As semelhanças com a novela, contudo, confundiram Ana Paula Padrão, então âncora do Jornal da Globo. Durante uma chamada no intervalo da minissérie, a jornalista chamou Nando de Pedro – tipo vivido por José Mayer em ‘Laços’, onde também se envolvia com Helena Ranaldi (Cíntia).

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O “ineditismo” da reprise

Um ano após o término da apresentação original, Presença de Anita foi reprisada pela Globo – que costumava reexibir minisséries em época de horário eleitoral, evitando assim o “sacrifício” de sua segunda linha de shows. Por conta da faixa tardia, a emissora alocou na edição do capítulo 4 uma cena suprimida da primeira exibição: um ângulo diferente da nudez frontal de Mel Lisboa.

Nestes 20 anos, aliás, Presença de Anita também foi reapresentada no Multishow, às 16h e 1h, em comemoração aos 40 anos da Globo (março de 2005); entre novembro e dezembro de 2012, no Viva; em formato de telefilme, no festival Luz, Câmera, 50 Anos, janeiro de 2015; e novamente no Viva, em setembro de 2015, antecedendo a novela Fera Ferida. Agora, falta chegar ao Globoplay.

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