Público saiu correndo: as 10 piores novelas dos anos 80

Público saiu correndo: as 10 piores novelas dos anos 80

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A década de 1980 é recheada de grandes sucessos na história da televisão brasileira. Mas também existem aquelas tramas que deram errado, fruto de deslizes de produção ou equívocos de roteiro, entre outros motivos.

Listamos hoje aquelas que consideramos as 10 piores novelas produzidas nos anos 1980.

Confira:

Dulcinéa Vai à Guerra (1980)

Após a boa audiência de Cavalo Amarelo na Band, em 1980, a emissora se animou e resolveu fazer uma espécie de continuação, nomeada Dulcinéa Vai à Guerra, entre dezembro de 1980 e março de 1981. A protagonista foi a mesma, vivida por Dercy Gonçalves. A autora Ivani Ribeiro não aceitou escrever a nova trama, passando o bastão para Sérgio Jockyman, depois substituído por Jorge Andrade.

Não deu nada certo: a história era ruim e a audiência foi ainda pior. “Foi um fiasco que pôs por terra o sucesso que a personagem de Dercy havia alcançado na novela anterior”, resumiu Ismael Fernandes em seu livro Memória da Telenovela Brasileira.

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O Amor é Nosso (1981)

Numa época em que a Globo dominava praticamente toda a audiência nacional, O Amor é Nosso conseguiu ser a mais problemática trama já exibida pela emissora. A novela contava, basicamente, a história do jovem cantor Pedro (Fábio Jr.), em busca do sucesso e do reconhecimento da crítica. O público simplesmente não entendeu a história, que misturava romances com elementos policiais e confusões típicas dos jovens.

O Amor é Nosso ainda tinha excesso de personagens – muita gente não tinha sequer função na trama. Exatamente no meio da novela, em uma situação emergencial, Walther Negrão assumiu o lugar dos autores originais.

Cogitou-se, na época, que seria usada a mesma técnica de Janete Clair em Anastácia, a Mulher Sem Destino (1967): uma tragédia levaria boa parte do elenco, que seria renovado a partir de uma nova história. Mas o “ônibus da morte”, como ficou conhecido na imprensa, não foi necessário. Cambaleante, a trama seguiu do jeito que deu até o final.

Renúncia (1982)

Renúncia teve apenas 12 capítulos exibidos, o suficiente para entrar nessa lista. A produção, baseada no livro homônimo de Francisco Cândido Xavier, foi adaptada por Geraldo Vietri pela Band, que investiu uma boa quantia na novela.

No entanto, o resultado foi pífio e a emissora simplesmente decidiu tirar a trama do ar, aproveitando o início do horário eleitoral gratuito.

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A Ponte do Amor (1983)

Criado em 1981, o SBT resolveu investir em teledramaturgia adaptando novelas mexicanas. Entre março e maio de 1983, Aziz Bajur e Tito di Miglio fizeram o texto de A Ponte do Amor com base no original de Marisa Garrido.

A obscura produção não obteve repercussão e o próprio Bajur desabafou sobre o resultado: “foi uma grande bobagem”, declarou.

O Anjo Maldito (1983)

Outro dramalhão mexicano tragicamente adaptado pelo SBT entre 1º de agosto e 12 de novembro de 1983. Recorremos novamente à Ismael Fernandes em seu livro para retratar a trama: “Tudo nessa novela era muito previsível e de mau gosto. Impossível localizar a mínima novidade nessa história terrivelmente maniqueísta”. Não é preciso dizer mais nada.

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Champagne (1983)

Mesmo tendo alguns de seus maiores sucessos nos anos 1980, como Roque Santeiro, Vale Tudo e Tieta, entre outras, a Rede Globo também derrapou. O grande Cassiano Gabus Mendes, mestre da faixa das sete, foi deslocado para o principal horário, o das oito, e escreveu Champagne entre 24 de outubro de 1983 e 5 de maio de 1984.

Com um elenco numeroso e prejudicado pelos cortes da Censura, o autor não conseguiu desenvolver a trama como queria. “Acabou tropeçando em seu roteiro e perdendo muito do charme característico de suas novelas das sete horas. Terminou por não apresentar nenhuma novidade, com repercussão aquém da esperada”, escreveu nosso colunista Nilson Xavier em seu site Teledramaturgia.

Partido Alto (1984)

Outro deslize da Globo na faixa das oito. A emissora teimou em juntar Glória Perez e Aguinaldo Silva como autores. O feito não deu certo – confusa, a obra pecava pelo excesso de tramas e pela precariedade das soluções apresentadas.

“A dupla se desfez e Glória conduziu o texto até o final. Porém, a falta de critério inicial se projetou até o fim. Só mesmo a Globo com sua produção impecável evitou que a novela se tornasse intolerável”, descreveu Ismael Fernandes em seu livro.

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De Quina Pra Lua (1985)

Escrita por Alcides Nogueira, com argumento de Benedito Ruy Barbosa e colaboração de Walther Negrão, De Quina Pra Lua, exibida entre 1985 e 1986, mostrava a desenfreada busca por um bilhete de loteria premiado.

No elenco, além de Milton Moraes, Eva Wilma e, até mesmo, o humorista Agildo Ribeiro. “É uma novela fraca. Foi minha primeira experiência como autor-titular, mas não gosto do resultado”, descreveu Nogueira em entrevista.

Antônio Maria (1985)

Com dois anos de vida, a Manchete quis entrar na teledramaturgia para concorrer com a Globo. Fechou uma parceria com a portuguesa RTP e reeditou a história de Antônio Maria, que fez muito sucesso em 1968, na Rede Tupi. No entanto, dessa vez, a empreitada não teve sucesso, com baixas audiência e repercussão.

“Antônio Maria teve uma produção equivocada, muitos artistas reclamaram das condições de trabalho e da falta de paciência do autor, e a audiência não atingiu a meta estabelecida”, contaram Flávio Ricco e José Armando Vannucci no livro Biografia da Televisão Brasileira.

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Cortina de Vidro (1989)

O SBT tinha uma escolha a fazer: Pantanal, que Benedito Ruy Barbosa, que ofereceu o texto para a emissora antes de levá-lo para a Manchete, ou uma novela terceirizada, da produtora Miksom, de Guga de Oliveira (irmão de Boni, da Globo). O canal de Silvio Santos ficou com a segunda opção e, obviamente, errou o tiro. Escrita por Walcyr Carrasco, Cortina de Vidro foi produzida com poucos recursos, quase nenhum cenário e perdeu até sua própria locação principal em pleno andamento da produção, com a venda da cobertura do Edifício Dacon.

“A repercussão de Cortina de Vidro foi péssima. A crítica não perdoou. Principalmente a cena perto do final em que o pai estupra a própria filha, algo considerado abusivo e apelativo”, contaram Ricco e Vannucci em seu livro. Curiosidade: ainda trabalhando como atriz, Sandra Annenberg teve um dos principais papeis da novela. Depois disso, ela seguiu para o jornalismo.



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