As 10 maiores polêmicas do Você Decide, que terminava há 21 anos na Globo

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Há exatamente 21 anos, em 17 de agosto de 2000, a Globo exibia o último episódio de um programa inovador. Era o Você Decide, que estreou em 1992, apresentado por Antônio Fagundes, que surpreendeu o público ao aparecer careca no vídeo, por conta de uma peça que estava fazendo.

Depois, a atração também contou com nomes como Tony Ramos, Raul Cortez, Lima Duarte, Walmor Chagas, Renata Ceribelli, Luciano Szafir e Celso Freitas, entre outros, no comando.

O programa, que terminava seu ciclo com uma fracassada volta no Vale a Pena Ver de Novo, fez sucesso, especialmente nos primeiros anos, e possibilitava ao público determinar o final da história apresentada.

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O TV História preparou uma lista com 10 episódios que mobilizaram o público e repercutiram nos quatro cantos do país:

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1 – Achados e Perdidos (06/05/92)

Um publicitário desempregado (Diogo Vilela) vai à São Paulo em busca de melhores oportunidades. Durante o voo, seu colega de viagem pede que ele segure sua mala, pois está passando mal. O homem morre e o publicitário volta para casa com R$ 100 mil dólares, sem saber o que fazer com o dinheiro. Enquanto seus filhos são impedidos de fazer as provas finais do colégio por falta de pagamento, a TV informa que a quantia nas mãos do falecido era destinada à uma instituição de caridade. 39.635 brasileiros optaram por deixar o desempregado com a mala, solucionando seus problemas financeiros. Para expurgar a culpa, o rapaz organizou uma campanha para arrecadar recursos para a instituição. O então ministro da Economia do governo Fernando Collor, Marcílio Marques Moreira, considero o resultado “antiético”.

2 – Justiça de Deus (13/05/92)

Um padre (Carlos Vereza) deve revelar um segredo de confissão, colocando assim, quem sabe, o assassino de seu irmão atrás das grades? Ou é melhor seguir os preceitos religiosos, mesmo sabendo da existência de um impiedoso grupo de extermínio e de um inocente condenado por um crime que não cometeu? A violação aos mandamentos da Igreja mexeu com a cabeça do telespectador. Por fim, os segredos não ficaram restritos ao confessionário: no placar apertado, 27.417 telefonemas escolheram a denúncia; 23.376 optaram pelo silêncio.

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3 – A Cantada (12/08/92)

O Você Decide dava voz ao público das ruas por meio de “telões interativos”, links ao vivo com atores fazendo papel de repórter em pontos turísticos de todo o país. No episódio em questão, a personagem de Luiza Tomé era assediada pelo patrão: ela cedia às investidas em troca de um cargo alto ou denunciava o abuso? Selecionada pela produção e entrevistada por Patrícia França, então comandando o telão, uma jornalista de Vitória, Espírito Santo, revelou ter passado por situação semelhante dentro da Fundação Roberto Marinho. “Tratava-se de um assessor, e vulgarmente falando, como eu não abri as pernas, as portas da Fundação também não se abriram para mim”, disse ao vivo. A entidade chegou a emitir nota dizendo não compactuar com práticas abusivas e se comprometendo a apurar o caso. O depoimento certamente influenciou o resultado: 54.002 votaram “sim”, pela delação do chefe assediador, contra 22.857 do “não”.

4 – A Sangue Frio (12/05/93)

A violência crescente na década de 90 – denotada em acontecimentos como o massacre do Carandiru e as chacinas da Candelária e de Vigário Geral – deu a tônica de muitos episódios do Você Decide. Em A Sangue Frio, Sandra (Sílvia Pfeifer), uma mulher inteligente e refinada, de classe média alta, deve decidir se mantém o clima harmônico e a aparente felicidade da casa da irmã ou se entrega à polícia o cunhado Maurício (Gerson Brenner), que assassina meninos de rua à queima-roupa sob o pretexto de combater o crime na Baixada Fluminense. Vitória do “sim”, pela denúncia, com 38.426 votos, versus 16.495 do “não”. Na mesma semana, o Globo Repórter trouxe uma investigação do jornalista Caco Barcellos a respeito dos chamados “justiceiros”, que torturavam e matavam mediante a ordem (e o pagamento) de uma mandante. O episódio e o jornalístico foram interpretados como uma cruzada da Globo contra a violência.

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5 – Você Toda Nua (30/06/93)

Por vezes, o programa optou pela sensualidade – atores como Raul Gazolla, Victor Fasano e Rodrigo Faro, por exemplo, surgiram em cena completamente nus. A possibilidade de ver Cláudia Raia despida influenciou a votação de Você Toda Nua, no qual a atriz vivia uma professora universitária, reprimida pelo marido machão (Nuno Leal Maia), convidada para posar sem roupa para a revista Playtime por R$ 20 mil? Entre ceder ao esposo que não admitia vê-la nua “para outros homens” e a possibilidade de concluir seu mestrado com a grana, a professora optou por aceitar a oferta (40.592 x 29.869 votos). Cláudia, contudo, não apareceu nua.

6 – A Última Chance (06/04/94)

A Globo foi acusada de incentivar o crime e o desrespeito a ética médica com este episódio, no qual a filha do cirurgião Humberto descobre-se vítima de complicações renais. A hemodiálise não é eficaz; apenas um transplante de rins poderá salvar a jovem. Enquanto isso, Rogério opera um bandido, vítima de um tiro disparado por policiais. Eis que o médico sugere a Humberto a possibilidade de transplantar para a garota o rim do meliante, naquela que seria a única boa ação do criminoso (ainda que involuntária) ao longo de sua vida? A vitória pelo transplante clandestino (25.157 a 24.601 votos) incomodou entidades médicas, que falaram em “vingança social” do público (punindo o criminoso ao deixa-lo sem um rim) e em afronta da emissora à ética profissional. No elenco, Rodolfo Bottino e Carlos Eduardo Dolabella.

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7 – Tudo Pela Arte (21/07/94)

Desta vez, foram os sindicatos de atores que protestaram. Para conseguir patrocínio para uma peça, Lena (Íris Bustamante) deve se deitar com um empresário (Henri Pagnoncelli)? O “sim” venceu por 41.739 votos, contra 35.133 do “não”. O Sated-SP enviou uma carta de repúdio a Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, intitulada “Arte ou Prostituição”. Segundo a organização, com Tudo pela Arte, a Globo reforçou a “repugnante” ideia de que, para trabalhar, o ator “deve antes passar por uma cama”. “Por que você, senhor Roberto Marinho, decide jogar na lama os artistas, os mesmos que o ajudaram a se transformar num dos 50 homens mais ricos do mundo?”, indagava a carta.

8 – A Teoria e a Prática (17/04/97)

Uma profissional engajada na defesa de meninos de rua fica sob a mira do revólver de um infrator que invade o seu apartamento. Na temporada em que o Você Decide passou a oferecer três finais para a escolha do público, a mulher poderia perdoar o garoto que atentou contra sua vida, entrega-lo a polícia ou reagir e matá-lo. O “olho por olho, dente por dente” venceu com 79.495 votos, explicitando o clima de guerra instaurado em grandes centros urbanos. A opção pelos “homens da lei” ficou com 44.941 votos.

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9 – Terra (14/08/97)

Ronaldo (Nelson Xavier) regressa do exílio em Cuba, após anos de luta contra a ditadura, e adquire uma fazenda improdutiva, invadida por integrantes do Movimento dos Sem-Terra. Enquanto seu filho Henrique (Fábio Villa Verde) espanca os ocupantes, Ronaldo se dedica a encontrar a melhor saída para o casal. Entre vender as terras ao governo para a reforma agrária (15.281) ou contratar os “sem-terra” para trabalhar em sua propriedade (75.759), o latifundiário opta mesmo é por expulsá-los dali (79.268). O resultado da votação incomodou o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, que o considerou “preocupante”, e o então principal líder do movimento, José Rainha Júnior.

10 – Glorinha Vai às Compras (05/01/2000)

O Você Decide perdeu relevância em suas últimas temporadas com histórias bobinhas sobre pais em conflito com filhos adolescentes e assombrações. Neste período, destaque para este episódio, que debateu, muito antes da PEC das domésticas, a relação patrão versus empregado. Glorinha (Cássia Kis) foi premiada com um carro ao fazer compras no supermercado para a família com quem trabalho há anos. O dinheiro do automóvel pode salvar o chefe do clã da falência. A doméstica entrega o prêmio ou fica com ele? O público deu o carro à Glorinha – que acabou ludibriada pelo namorado e de volta à atividade de doméstica.

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