Universo paralelo: 10 fatos que poderiam ter mudado a história da TV brasileira - TV História

Universo paralelo: 10 fatos que poderiam ter mudado a história da TV brasileira

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Em filmes como De Volta para o Futuro e Matrix, vemos como seria o mundo se determinados fatos tivessem acontecido ou deixado de acontecer.

Que tal pensar como seria um universo paralelo se alguns marcos da história da televisão brasileira fossem diferentes do que conhecemos?

Imagine o que provavelmente aconteceria se…

…a Globo e a Band se unissem

Há décadas, a Globo é a líder absoluta do ranking de audiência, enquanto a Band, antiga Bandeirantes, luta para conquistar pontos e beliscar pelo menos a terceira posição. Mas, no início de ambas, a história poderia ter sido diferente, já que Roberto Marinho e João Jorge Saad chegaram a conversar para unir as duas estações, uma no Rio, no ar em 1965, e outra em São Paulo, que acabou iniciando sua trajetória em 1967.

Como sabemos, essa parceria não deu certo, mas como teria sido se tivesse ocorrido?

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…o Repórter Esso tivesse entrado no lugar do Jornal Nacional

O Jornal Nacional entrou no ar no dia 1º de setembro de 1969, como o primeiro informativo a ser transmitido em rede para diversos pontos do Brasil. No entanto, em sua biografia, Walter Clark, que dirigiu a emissora por vários anos, contou que o sonho de Roberto Marinho era colocar o lendário Repórter Esso como atração noticiosa da Globo. Armando Nogueira, diretor de jornalismo do canal, também achava a ideia uma loucura.

Considerado já ultrapassado naquela época, o Repórter Esso provavelmente não agregaria à Globo como foi o caso do JN. Bola dentro dos diretores que insistiram em sua implantação.

…o canal de Silvio Santos entrasse anos antes no ar

Primeiro canal de Silvio Santos, a TVS entrou no ar no Rio de Janeiro em 1976; o SBT, com outras concessões pelo Brasil, a partir de São Paulo, em 1981. Mas Silvio Santos, então na Globo, poderia ter lançado sua emissora bem antes disso. A TV Excelsior faliu em outubro de 1970 e o animador fez uma proposta ao então presidente Emilio Garrastazu Médici de controlar as concessões da falida estação em São Paulo e no Rio, criar uma nova rede e salvar o emprego dos funcionários, mais ou menos o que ele fez quando a Tupi faliu, 10 anos depois.

Apesar de ter elogiado Silvio, Médici não atendeu ao pedido e as concessões ficaram adormecidas por alguns anos. E se o canal do homem do Baú tivesse entrado no ar alguns anos antes, o SBT seria maior do que é hoje?

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…a Tupi tivesse continuado no ar

Primeira emissora da televisão brasileira, a Tupi fechou as portas em 1980, quando completava 30 anos de existência. O governo juntou as concessões da Tupi e outros canais que estavam desocupados e criou duas novas redes: Manchete, de Adolpho Bloch, e SBT, de Silvio Santos.

Mas essa história poderia ter sido diferente: algumas emissoras dos Diários Associados, como a TV Alterosa, de Minas Gerais, seguem no ar até hoje; e os funcionários fizeram um apelo para manter o canal no ar, sob gestão deles. Há quem diga que existiam condições para isso.

Teria dado certo? A Tupi estaria no ar até hoje? Nunca vamos saber, mas, se isso tivesse ocorrido, SBT e Manchete poderiam não ter tido a mesma trajetória que conhecemos.

…Gugu ficasse na Globo

Desde que Silvio Santos saiu da Globo, em 1976, a emissora de Roberto Marinho penou nas tardes de domingo, resolvendo seu problema com a contratação de Fausto Silva, que estreou o Domingão do Faustão em março de 1989. No entanto, essa história poderia ter sido bem diferente: antes de Faustão, a Globo contratou Gugu Liberato, então apresentador do bem-sucedido Viva a Noite, do SBT, para comandar uma atração dominical.

Pilotos chegaram a ser gravados, mas antes da estreia ocorreu uma reviravolta: Silvio Santos descobriu problemas de saúde e teve que se afastar do vídeo; temendo por consequências mais sérias, como a diminuição de sua participação no vídeo, ofereceu mundos e fundos e conseguiu convencer Gugu a ser seu parceiro aos domingos. Para isso, foi pessoalmente até o dono da Globo e negociou a liberação do pupilo, que estreou programas como Cidade Contra Cidade, TV Animal, Passa ou Repassa e, mais tarde, fez muito sucesso com o Domingo Legal, nos anos 1990.

Se Gugu tivesse ido para a Globo, provavelmente seguiria no ar por anos, como Faustão; este, certamente seria contratado pelo SBT, que já estava de olho em seu passe, para dividir os domingos com o dono do Baú.

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…Edir Macedo não tivesse comprado a Record

Em franca decadência, a Record, de Paulo Machado de Carvalho e Silvio Santos, estava praticamente falida quando foi vendida para Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino do Deus, em 1989. No entanto, essa é outra história que poderia ter desfecho diferente: em 1987, o magnata italiano Silvio Berlusconi, que mais tarde seria primeiro-ministro daquele país, se interessou pela emissora, mas o negócio não deu em nada. Outros interessados seriam o Jornal do Brasil, que sempre sonhou em ter um canal de televisão, João Havelange, presidente da FIFA, e até a mexicana Televisa.

No final das contas, Edir desembolsou cerca de 45 milhões de dólares e ficou com o canal, mas fica a dúvida para saber o que seria do canal sem seu atual dono (e a Universal por trás).

…a Globo tivesse comprado a Gazeta

Em 1990, com o crescimento do SBT e o sucesso de Pantanal, na Manchete, a Globo reforçou a programação da pequena TV Gazeta, de São Paulo, com filmes e séries que não estava exibindo em sua grade. O objetivo era tirar a Gazeta dos últimos lugares do ranking do Ibope e triplicar a sua audiência, chegando a pelo menos seis pontos. Os canais já tinham um bom relacionamento, visto que a Globo ajudou a Fundação Cásper Líbero a comprar um novo transmissor e ainda colocou uma antena em seu prédio.

Na época, se comentou que a Globo queria comprar a Gazeta ou que iria assumir a sua programação, o que gerou protestos das concorrentes. O fato foi prontamente negado pela direção do canal carioca. Mas o tiro saiu pela culatra: apesar do barulho feito na imprensa e de uma grande campanha publicitária, a iniciativa naufragou. Sem grande penetração na audiência, a Gazeta não decolou. Dessa forma, o receio das concorrentes passou e o assunto foi jogado para escanteio pela mídia. A parceria ainda vigorou nos meses previstos, mas ficou somente nisso.

Será que a Globo se daria bem com uma segunda emissora? A Gazeta, provavelmente, seria bem maior do que é hoje.

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…Luciano Huck tivesse ido para o SBT ao invés da Globo

Em 1999, Luciano Huck fazia sucesso com o H, da Band, que tinha personagens como Tiazinha e Feiticeira em seu elenco. Antes de fechar com a Globo, onde estreou o Caldeirão do Huck, em 2000, o apresentador quase fechou com o SBT, o que poderia ter tornado sua trajetória totalmente diferente do que conhecemos. No final de julho, Luciano Huck fez uma visita ao SBT e conversou com o então diretor de programação da emissora, Eduardo Lafon (1948-2000), que já estava à procura de um substituto para Serginho Groisman no Programa Livre. Apesar da sondagem do SBT, Huck acabou fechando mesmo com a Globo, sendo substituído por Otaviano Costa no H a partir de outubro de 1999.

Se tivesse ido para o SBT, fatalmente Huck teria seguido para a Globo em alguns anos, mas poderia não ter o status que possui atualmente, tendo recentemente assumido o lugar de Faustão.

…o BBB tivesse ido para o SBT

O SBT fez um estrondoso sucesso com a Casa dos Artistas, no segundo semestre de 2001, e quase ofuscou a estreia do Big Brother Brasil, na Globo, em janeiro de 2002. O reality show foi derivado do BBB, já que Silvio Santos chegou a negociar com a Endemol, dona dos direitos da atração, e, por pouco, não fechou contrato para produzi-lo oficialmente.

Já imaginou se, ao invés da Globo, o BBB (ou apenas Big Brother, provavelmente), fosse do SBT? Teria a emissora conseguido segurar o formato por tantos anos, com repercussão e audiência? Difícil acreditar que sim.

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…a Record brigasse com a Globo pela liderança

A partir de 2004, a Record abriu as torneiras e fez grandes investimentos. Usando o slogan “a caminho da liderança”, a emissora produziu novelas de qualidade, como A Escrava Isaura e Prova de Amor, estreou programas interessantes, como Hoje em Dia, Tudo a Ver e Domingo Espetacular, além de ter contratado diversos nomes da Globo, como Tom Cavalcante, Márcio Garcia e Celso Freitas, e investido em competições esportivas, como a transmissão exclusiva da Olimpíada de 2012. O SBT logo ficou para trás e a Record se firmou no segundo lugar do ranking.

No entanto, o projeto esfriou e foi desvirtuado algum tempo depois. Se tivesse tido paciência, a Record alcançaria seu objetivo? Ou pelo menos chegaria perto da Globo?

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