Os Melhores Anos das Nossas Vidas faz ótima mistura de nostalgia e diversão




A Globo estreou uma nova atração nesta quinta-feira (11/10), logo após a retomada da temporada de Carcereiros, interrompida pela Copa do Mundo. Os Melhores Anos das Nossas Vidas teve uma divulgação discreta e pouco se sabia sobre o formato e os apresentadores. A única informação noticiada pela imprensa foi a desistência de Juliana Paes em virtude de um problema nas cordas vocais. Lázaro Ramos, até então, era o único confirmado no comando. As chamadas só foram ao ar na última semana e aí sim foi possível entender a essência da produção: a memória afetiva.

Claro que o longo título já dava a dica, mas, ainda assim, havia uma curiosidade a respeito da forma como a nostalgia seria explorada. E a surpresa foi positiva. Apresentado por Lázaro, o formato é classificado como um game-show em cima da disputa entre décadas, mas se enquadra bem mais no clássico programa de auditório. Isso porque pouco importa quem ganha ou não no final de cada programa, o que vale é a sucessão de boas lembranças através de imagens antigas, musicais e depoimentos.

As décadas de 60, 70, 80, 90 e 2000 são as protagonistas da atração. Lúcio Mauro Filho é o representante dos anos 80, enquanto Ingrid Guimarães defende os anos 90. Eles se enfrentaram no primeiro programa e ela saiu ganhando. Marcos Veras representa os anos 60, Marco Luque os 70 e Rafa Brittes os anos 2000.

A função dos líderes é defender as épocas apresentando tudo de bom que cada uma apresentou. Em alguns momentos são exibidas imagens de desenhos ou de reportagens marcantes e em outros cantores ou bandas vão ao palco relembrando clássicos inesquecíveis. A votação é feita por uma plateia composta por jovens entre 18 e 20 anos, ou seja, pessoas que não viveram nenhuma das épocas.

A estreia contou com várias participações que engrandeceram a atração e seguirá assim nas próximas semanas. André Frateschi cantando Tempo Perdido (Legião Urbana), Chitãozinho e Xororó relembrando os penteados e cantando Evidências e Pepeu Gomes cantando Sexy Yemanjá foram algumas das atrações, além de Paulo Ricardo, Art Popular e até Garcia Júnior e Marisa Leal, dubladores de personagens infantis, como He-man e o Baby da Família Dinossauro.

Pedro Bial também marcou presença para falar de sua emblemática reportagem sobre a queda do Muro de Berlim, em 1989. Já desenhos como She-Ra, As Meninas Superpoderosas, Os Smurfs, Caverna do Dragão, O Laboratório de Dexter e Pokémon foram exibidos brevemente, matando as saudades do público.

O formato proporciona uma maravilhosa viagem no tempo que agrada várias gerações. E de uma forma dinâmica e divertida. Embora Lázaro Ramos esteja ótimo na apresentação, é de se lamentar a não escalação de Angélica para pelo menos acompanhá-lo ou então liderar algum time. A apresentadora segue sem programa na emissora. E o clima leve da atração combina muito mais com a faixa vespertina do domingo, por exemplo, do que logo depois de uma série tão pesada quanto Carcereiros. O horário não foi bem escolhido e chegou a terminar por volta das 00h35. Ao menos deveriam ter colocado após Segundo Sol. A crítica, inclusive, está sendo feita justamente porque é uma ótima opção de entretenimento para todas as faixas etárias.

Os Melhores Anos Das Nossas Vidas se mostrou uma agradável surpresa e a mistura de saudosismo com diversão funcionou muito bem. Dirigida por Bernardo Portugal, a atração consegue explorar as qualidades de cada década com habilidade e dinamismo. Vale elogiar ainda a criação de um programa de auditório cuja identidade não é o assistencialismo e o famigerado chororô que permeia praticamente toda a programação das emissoras concorrentes. É sempre bom atiçar a memória afetiva do público. Chega deixar um gostinho de quero mais quando acaba.


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