Jesus tem bons ingredientes para reconquistar o público da Record




Após viver o auge com Os Dez Mandamentos em 2015 - cuja última reprise chegou ao fim somente agora -, a Record nunca mais conseguiu emplacar um sucesso na faixa das 20h30. As tramas bíblicas que vieram depois tiveram índices razoáveis, mas longe do fenômeno anterior. Porém, o período de maior crise na emissora foi, sem dúvida, durante a exibição de Apocalipse, primeira obra contemporânea baseada na Bíblia. A intervenção da filha de Edir Macedo acabou piorando o que já estava catastrófico e o fracasso foi inevitável. Agora, a missão é reconquistar o público com Jesus, nova novela que estreou nesta terça-feira (24/07).

Tanto que, antes da trama, o canal exibiu a minissérie Lia, produção bíblica despretensiosa e bem desenvolvida. O intuito era dar um tempo maior para a finalização dos primeiros capítulos do novo folhetim e ainda preparar a faixa para o retorno dos enredos de época. É inegável que Jesus tem um forte apelo, afinal, conta a história da figura mais conhecida do mundo, independente da religião de cada um. O enredo é de Paula Richard, autora de O Rico e Lázaro, exibida em 2017 e dirigido por Edgar Miranda. A parceria com a produtora Casablanca também está mantida, mas agora não haverá um elevado investimento em efeitos especiais. A ordem é focar no roteiro e evitar cenas megalomaníacas, após o trauma de Apocalipse.

O primeiro nome para interpretar o personagem-título era Rodrigo Santoro, mas o ator recusou e a Record precisou contar com seu banco de atores mesmo. Dudu Azevedo, então, assumiu o papel de Jesus de Nazaré. Um desafio para qualquer intérprete viver a figura central do cristianismo, considerado filho de Deus, gerado para disseminar o amor entre os povos, mas que acaba traído pelos que não toleravam seus ideais. A autora, por sinal, fez questão de enfatizar em entrevistas que não haverá pregação na novela, ao contrário do fracasso recém-terminado da emissora. E também terá liberdade para conduzir sua trama, podendo usar de licenças-poéticas para criação de muitos conflitos. Resta aguardar o desenvolvimento da novela para observar tudo isso.

O primeiro capítulo despertou interesse logo no começo, pois exibiu simplesmente o desfecho do enredo: a crucificação de Cristo. Embora breve, provocou impacto e emocionou. A estratégia foi inteligente, afinal, no caso não há problema em desvendar o final de uma história que todos já conhecem. Logo depois, no entanto, foi apresentado o início de tudo. Simeão (Paulo César Pereio) narrou a criação do mundo, o conhecido entrecho de Adão e Eva, e o pecado original. Não foram cenas que fizeram a diferença no roteiro, mas foram bons chamarizes para esse começo. Após o breve prólogo, a trama migrou para um ano antes de Cristo e exibiu Maria (Juliana Xavier), o namorado José (Guilherme Dellorto) e a família. A mulher quase foi apedrejada pelos vizinhos depois que ajudou um soldado romano, precisando defender sua honra. O Anjo Gabriel (Raphael Sander) e o Satanás (Mayana Moura) também já apareceram na estreia, resultando em um bom primeiro gancho.

Fica evidente que o enredo tem potencial para conquistar o telespectador. Apesar das várias obras bíblicas já produzidas, é a primeira vez que a Record explora a vida de Jesus tendo o próprio como protagonista. Acaba despertando curiosidade até de uma parcela do público que não é religiosa, mas conhece essa parte da Bíblia. Os cenários, inclusive, merecem elogios e os figurinos apresentaram uma nítida melhora. Finalmente deixaram de lado aquelas vestimentas impecavelmente limpas, parecendo fantasias de Carnaval em pleno deserto. Que não seja uma propaganda enganosa de estreia.

O elenco ainda conta com nomes como Guilherme Winter (Judas), Cláudia Mauro (Maria), Day Mesquita (Maria Madalena), Petrônio Gontijo (Pedro), Michel Bercovitch (José), Vanessa Gerbelli (Herodíade), Marcos Winter (Herodes), Nicola Siri (Pôncio Pilatos), Larissa Maciel (Cláudia Pilatos), Beth Goulart (Miriam), Adriana Garambone (Adela), Fernando Pavão (Petrônius), André Gonçalves (Barrabás), Bárbara Borges (Livona), Ernani Moraes (Nicodemos), entre outros.

Jesus estreou com 13 pontos e ficou em terceiro lugar, perdendo para o fenômeno As Aventuras de Poliana, do SBT, que obteve 15 pontos. Apesar disso, foi um bom começo, principalmente levando em consideração os nove pontos que Apocalipse marcava. A disputa entre as duas produções promete ser acirrada e Paula Richard trem um bom enredo em suas mãos. Se conseguir desenvolvê-lo de forma convidativa, tem tudo para alcançar um bom resultado e manter um público cativo até o final.


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