Massacrada pela crítica e aclamada pelo público, O Outro Lado do Paraíso foi um fenômeno incontestável de audiência




Walcyr Carrasco tinha uma missão ingrata: escrever uma novela em tempo recorde, logo após o sucesso Êta Mundo Bom! (2016), em virtude do cancelamento da trama de estreia de Duca Rachid e Thelma Guedes no horário nobre da Globo. Mas, fazendo jus ao posto de autor que mais produz na emissora, aceitou o desafio. E criou O Outro Lado do Paraíso, folhetim rasgado e repleto de clichês melodramáticos, que contou a saga da vingança de Clara Tavares (Bianca Bin). O enredo sofreu uma forte rejeição de parte da crítica, mas caiu no gosto do público, entrando para a galeria de fenômenos de audiência do escritor - empatou com a inesquecível Avenida Brasil (2012) com 39 pontos de média, superando as nove tramas antecessoras e elevando dois pontos da também ótima A Força do Querer.

A novela arrebatou o telespectador com uma história ágil e cheia de reviravoltas, cujo maior trunfo foi a volta por cima dos perfis íntegros, humilhando os vilões em várias viradas ao longo de 173 capítulos. O início, todavia, não foi tranquilo. A primeira fase se mostrou longa demais, cansando pela repetição de conflitos. O sofrimento da mocinha, internada em um manicômio pela sogra (Sophia - Marieta Severo) e cunhada (Livia - Grazi Massafera), e espancada pelo marido violento (Gael - Sérgio Guizé), poderia ser exposto em apenas duas semanas. Entretanto, durou mais de um mês. E a audiência ficou em torno de 33 pontos, um bom índice, mas nada de arrebatador. O famigerado grupo de discussão também considerou o enredo pesado demais, necessitando de mais humor. A solução foi uma sucessão de cortes, resultando no adiantamento da mudança de fase e na consequente fuga de Clara do hospício.

O resultado foi imediato. A novela passou de 33 para 36 pontos e foi aumentando ainda mais esses índices a cada novo acontecimento. Passou a marcar acima de 40 quase todo dia. O sucesso já era uma certeza, então, o autor se preocupou apenas em desenvolver seu enredo. Acertou em vários pontos, mas também errou em outros. Como costuma acontecer em várias obras, diga-se. A saga da vingança da mocinha foi o maior êxito do folhetim, prendendo o telespectador do início ao fim.

A premissa era claramente inspirada no clássico O Conde de Monte Cristo, mas também lembrou a trajetória de Aninha Francisca (Mariana Ximenes) em Chocolate com Pimenta (2003), escrita pelo mesmo autor. A revanche é um artifício muito usado na teledramaturgia e, quando bem abordado, raramente falha. Mais uma vez não falhou.

A dupla que Clara fez com Beatriz no manicômio destacou a sintonia entre Bianca Bin e a grande Nathalia Timberg, que teve uma luxuosa participação de alguns capítulos. A fuga da protagonista, presa em um caixão atirado em alto mar, foi uma das melhores cenas da novela e iniciou a saga da pobre menina frágil que virou uma das mulheres mais poderosas do Jalapão. Aliás, valeu a pena a ambientação do enredo ter sido em parte no Tocantins, valorizando uma linda região do país e fugindo do padrão Rio de Janeiro/São Paulo. O diretor Mauro Mendonça Filho, inclusive, soube aproveitar muito bem as belas imagens, inserindo cenários de encher os olhos em passagens de cena ou em ângulos de filmagem. Ele, vale ressaltar também, teve mais uma grande parceria com Walcyr, repetindo o êxito de Gabriela (2012), Amor à Vida (2013) e Verdades Secretas (2015).

A volta triunfal de Clara, chocando a sociedade de Palmas e desesperando todos os seus inimigos durante uma luxuosa festa beneficente, entrou para a história da teledramaturgia e a frase "Vocês não imaginam o prazer que é estar de volta", dita pela mocinha, ficará eternamente na memória dos noveleiros, assim como a sua expressão de triunfo. Não por acaso iniciou uma sucessiva quebra de recordes de audiência.

Bianca Bin, por sinal, merece elogios pelo seu desempenho, segurando muito bem o peso de sua primeira protagonista no horário nobre. Foram várias cenas difíceis e ao lado de grandes nomes do teatro, destacando-se e emocionando. O autor a presenteou com o papel em virtude do seu desempenho em Êta Mundo Bom!, roubando o posto de mocinha com a sua íntegra Maria.

As atuações magistrais, inclusive, engrandeceram o folhetim. O elenco era estelar e raramente se vê tanto ator veterano valorizado em uma obra. Walcyr sempre destacou os intérpretes mais velhos em suas histórias, mas nessa se superou. Fernanda Montenegro foi um dos maiores nomes do time e sua Mercedes, vidente com poderes paranormais, era uma das principais personagens do enredo. A última novela que contou com Lima Duarte do início ao fim foi a fraca Araguaia, em 2010, e há anos o ator não tinha seu talento devidamente explorado. Em O Outro Lado do Paraíso ele ganhou o invocado Josafá, avó de Clara, e brilhou, formando ainda um lindo casal com Fernandona. A cena do casamento deles, por sinal, foi uma das mais belas da trama. Os dois também protagonizaram um maravilhoso triângulo amoroso com Laura Cardoso, intérprete da debochada Caetana. A cafetina ficaria apenas na primeira fase, mas a atriz gostou tanto que pediu para o autor não matá-la. Ele, claro, aceitou e a presenteou com várias cenas impagáveis, incluindo momentos de ação na reta final, quando a dona do bordel quase acabou morta por Sophia.

Falando na grande vilã do roteiro, Marieta Severo deu um show do primeiro ao último capítulo vivendo uma mulher ambiciosa, cruel, irônica e perigosa. Uma típica víbora que o público ama odiar. Foram muitas cenas marcantes, sendo necessário citar as humilhações com a filha Estela (Juliana Caldas), os embates com Livia (Grazi Massafera), e as discussões com Gael. Já os instantes macabros em que Sophia matava suas vítimas a tesouradas expunham a entrega da atriz, que ainda impressionou quando a personagem sofreu um AVC assim que viu Xodó (Anderson Tomazini) como testemunha de acusação em seu julgamento.

Outra veterana valorizada foi Eliane Giardini, irretocável como Nádia, perua racista e preconceituosa que descobriu o quanto era perversa com Raquel (Érika Januza) diante de seu neto negro, menino que passou a amar incondicionalmente. Ela ainda fez uma divertida dupla com Luis Melo, mais um ator experiente que se destacou na novela interpretando Gustavo, um juiz corrupto que ajudou a prejudicar Clara e acabou vítima da vingança da mocinha.

Glória Pires também merece menção, após tantos papéis que não fizeram jus ao seu talento nos últimos anos. Elizabeth/Duda sofreu uma avalanche de dramalhões ao longo da história e fica até difícil resumir em apenas um parágrafo. Vítima da armação do sogro Natanael (Juca de Oliveira), a mulher precisou se fingir de morta, virou alcoólatra, reencontrou a filha que havia abandonado no passado (Clara), tentou se matar, enfrentou a rejeição da filha Adriana (Julia Dalavia) quando retornou, viu seu amante (Renan - Marcello Novaes) aparecer vivo no dia de seu julgamento justamente pela morte dele, sofreu um derrame, desmascarou a ex-amiga (Jô - Bárbara Paz), enfrentou um forte período de abstinência do álcool para tentar doar seu rim para Adriana, enfim... Uma sucessão de acontecimentos. E a atriz se saiu muito bem nessa quase Missão Impossível.

Já Ana Lucia Torre divertiu com sua desbocada Adnéia, virando o grande destaque do núcleo de Samuel (Eriberto Leão) e repetindo a bem-sucedida parceria com Walcyr, iniciada em O Cravo e a Rosa (2000). Vale elogiar ainda Sandra Corveloni (perfeita como Lorena), Vera Mancini (ótima como Rosalinda), Zezé Motta (maravilhosa interpretando a Mãe do Quilombo) e Emílio de Melo, defendendo com competência o passivo Henrique. Até mesmo Ilva Niño teve espaço em uma participação de dois capítulos que valeu por muitos.

Mas não foram só os mais velhos que brilharam. A abordagem em cima da pedofilia marcou pela coragem em explorar um tema tão polêmico, rendendo alguns dos melhores momentos do sucesso das nove. E Bella Piero deu um show na pele da sofrida Laura, abusada pelo asqueroso delegado Vinícius (Flávio Tolezani). A menina precisou enfrentar vários embates pesados, exigindo demais da atriz, que correspondeu à altura. A longa cena do julgamento foi histórica, expondo a entrega de todo o elenco. Tanto que a equivocada escolha de uma "coach" para ajudar a revelar o passado obscuro da garota (e não uma psicóloga, como era o correto) acabou em segundo plano diante da grandiosidade das sequências. Bella também formou um lindo casal com Igor Algelkorte, intérprete do justo médico Rafael.

Vários pares, aliás, mostraram-se acertados. Érika Januza viveu um grande momento na carreira interpretando uma íntegra juíza - a cena da ex-empregada doméstica retornando triunfante como uma respeitada magistrada, deixando Nádia em choque, foi de lavar a alma - e formou um ótimo par com Caio Paduan, intérprete do delegado Bruno.

O casal "Bruquel" fez sucesso, assim como o mencionado "Laurel". É preciso citar mais um lindo romance: Cléo (Giovanna Cordeiro) e Xodó, que cresceram bastante na novela graças ao talento dos atores - o mesmo vale para o romance divertido de Desirré (Priscila Assun) e Juvenal (Anderson Di Rizzi).

Já Thiago Fragoso virou um dos destaques do enredo e seu cativante Patrick conquistou o coração da Clara e do telespectador. O mocinho protagonizou grandes cenas ao lado de Bianca Bin e a química dos atores era visível. "Clarick" não demorou a cair nas graças do público. Até mesmo Nicolau (Alejandro Claveaux) e Adriana tiveram uma relação atrativa na reta final da história, após inúmeros desprezos da filha de Beth. Já no quesito ''amor maduro", Josafá e Mercedes lideraram com folga. Uma delicada relação, valorizando a sensibilidade dos veteranos.

Outros dois nomes precisam ser elogiados: Mayana Neiva e Fernanda Rodrigues. A primeira estava afastada dos folhetins há cinco anos (seu último trabalho havia sido em Sangue Bom, exibida em 2013) e ganhou um justo destaque com sua carismática Leandra, cafetina do bordel Love Chic. A atriz divertiu e emocionou, fazendo uma deliciosa parceria com Laura Cardoso. Já a segunda precisava muito de uma grande vilã para sua versatilidade ser explorada. E ganhou com a esnobe Fabiana, ex-patroa de Clara que se uniu a Renato na reta final, formando uma ótima dupla com Rafael Cardoso. Sua última cena, inclusive, fechou com chave de ouro sua participação, valorizando o talento da intérprete no momento da prisão da mau-caráter, após o sequestro de Thomaz (Vitor Figueiredo) ter falhado.

Aliás, Mayana esteve presente em um núcleo que deu muito certo: o do bordel. Além do talento da atriz ter sido muito valorizado, como já mencionado, o contexto ainda beneficiou a maravilhosa Laura Cardoso e destacou as atrizes, incluindo Narjara Turetta e Priscila Assum. Juliane Araújo também merece menção, crescendo com sua provocativa Maíra na reta final.

Outro ponto positivo do roteiro foi a dubiedade de Renato, tratado como mocinho até a metade da história, revelando-se um vilão asqueroso assim que Clara se preparou para aniquilar Sophia, seu último alvo. A cena da mocinha abandonando o canalha em pleno altar, expondo um olhar diabólico dele, entrou para a galeria de grandes momentos da novela. Uma das muitas viradas elaboradas pelo autor.

Todavia, o folhetim teve erros que merecem citação. O núcleo do salão não tinha função alguma e parecia presente apenas para preencher a cota de "humor". Fábio Lado esteve muito bem como Nick, mas a história prometida a ele não saiu do papel - o cabeleireiro seria espancado pelo marido - depois das críticas iniciais ao clima pesado da história. O perfil, então, acabou ficando avulso e fazendo um trio com o insuportável Marcel (Andy Gerker) e a cansativa Ivanilda (Telma Souza). Os bordões irritavam e as cenas ficaram repetitivas, sem acrescentar nada ao enredo.

E a história de Diego (Arthur Aguiar) se tornou a mais grotesca de O Outro Lado do Paraíso. O menino que transava com prostitutas e não queria tocar em sua esposa (Melissa - Gabriella Mustafá) porque a considerava "pura" era ridícula. Ele acabou ficando com Karina (Malu Rodrigues) porque a quenga engravidou, mas voltou com Melissa no final, casando'-se novamente - isso tudo depois da "ex-pura" ter ido para o bordel com o intuito de se vingar do rapaz. Situação forçada e sem razão de existir. Pena ainda ter visto Genésio de Barros e Ana Barroso (intérpretes dos pais de Melissa) como figurantes no núcleo.

O contexto em torno de Estela foi uma decepção. Walcyr chegou a anunciar que o nanismo seria abordado de forma totalmente diferente e era esperada uma exploração em cima das dificuldades que os anões passam em lugares públicos (como problemas de acessibilidade) ou então da rotina de uma pessoa anã que segue uma vida normal. Porém, a personagem (que estudou na Suíça por anos) passou praticamente a trama toda trancada dentro de uma casinha com a empregada, esperando seu príncipe encantado, dividida entre Juvenal e Amaro (Pedro Carvalho). Houve até uma tentativa de mostrá-la trabalhando como professora, tendo como alunos os garimpeiros e as prostitutas, mas também não surtiu o efeito esperado. Uma pena também ver Tainá Muller sem o destaque que merecia na pele da médica Aura. Inicialmente, ela até prometia render, mas ficou sem maior função após o rompimento com Gael.

Já o núcleo do Samuel teve como grandes pontos positivos a parceria de Ana Lucia Torre e Ellen Rocche (Suzy); todavia, as situações se repetiam exaustivamente ao longo dos meses e a relação do psiquiatra com Cido (Rafael Zulu) poderia ter sido bem mais interessante, deixando a comédia de lado e expondo o preconceito da sociedade. Mas, apesar disso, caiu no gosto popular e a cena final foi muito bonita, com um longo beijo do casal e a aprovação da mãe preconceituosa. Menos mal.

E Grazi Massafera acabou prejudicada pelos rumos de Livia. A personagem foi prometida como uma das vilãs da história, mas se tornou uma mulher dúbia e extremamente frágil. A filha de Sophia até teve algumas ótimas cenas ao longo da novela, principalmente quando seu romance com Mariano (Juliano Cazarré) foi descoberto pela vilã, mas o saldo não foi dos melhores. Poderia ter rendido muito mais. Walcyr presentou a atriz com seu melhor perfil da carreira (a drogada Larissa, em Verdades Secretas), mas falhou com esse papel. Livia poderia até ter sido alvo da vingança de Clara para ter um maior destaque, só que nem isso aconteceu. Uma pena. Que ele se redima da próxima vez, como fez com Eliane Giardini após Amor à Vida (2013), por exemplo.

Vale criticar ainda a bobagem em colocar Clara aparentemente dividida entre Gael e Patrick na reta final apenas para gerar um "suspense". Era óbvio que ela ficaria com o advogado e não precisava desse tipo de artifício, até porque depois de tudo o que a mocinha passou nas mãos do ex era um despautério voltar para ele. A redenção do filho de Sophia, vale ressaltar, foi sendo feita de forma crível. Ao contrário do que foi divulgado e analisado por alguns, Gael não foi "curado" por Mercedes. A vidente apenas fez o perturbado rapaz se lembrar da época que era espancado pela mãe. Isso não justifica suas agressões, mas explica. E o personagem, é importante lembrar, foi preso e espancado na cadeia. Houve punição. Portanto, tinha todo o direito de recomeçar sua vida. Só que longe de Clara. E foi o que ocorreu. Sérgio Guizé protagonizou boas e pesadas cenas ao longo do enredo.

O autor foi concluindo todos os núcleos paralelos na última semana, evitando correria no capítulo final da trama. A despedida de Leandra do bordel foi emocionante, destacando Mayana Neiva e Laura Cardoso. Já a cena em que Zé Vitor (Rafael Losso) tentou matar Mercedes, Xodó e Cleo surpreendeu pelo ataque paranormal da vidente, que provocou uma alucinação no capanga de Sophia através de sua oração. O beijo mencionado anteriormente de Samuel e Cido primou pela delicadeza, assim como a aceitação de Adnéia após tanto preconceito da mãe do psiquiatra.

O casamento de Bruno e Raquel também merece elogios, incluindo o discurso de Nádia admitindo o quanto era racista no final da cerimônia, destacando Eliane Giardini. E toda a sequência do sequestro de Thomaz (um clichê presente no final de todas as novelas recentes da Globo) foi permeada de tensão, sendo necessário citar a forte cena em que Gael e Renato se enfrentaram, para o desespero de Fabiana. Pena que a morte do canalha, assassinado com um tiro de Patrick, não tenha ficado em evidência por causa da regravação da cena - em virtude do afastamento de Thiago Fragoso para uma cirurgia renal.

O penúltimo capítulo foi todo voltado para o julgamento de Sophia e destacou Paulo Betti, que convenceu como advogado da vilã, virando o jogo e desqualificando todas as testemunhas de acusação. Todavia, foi uma longa sequência que pecou no ritmo. Valeu mesmo pelo último gancho do folhetim, com a volta de Mariano, acompanhado da Mãe do Quilombo, para o desespero da inimiga de Clara. O depoimento de Mariano e de Otacília (a grande mãe) destruiu a vilã e sua condenação foi imediata. A cena em que Sophia e Clara tiveram um último embate, com a mocinha debochando da sua grande algoz, foi maravilhosa, assim como os momentos de eletrochoque da assassina no manicômio, relembrando o pânico da protagonista no primeiro mês de novela.

Os demais desdobramentos foram apenas as conclusões de cada personagem, sem correria. Clara e Patrick finalmente transaram em uma sequência que explorou a química entre Bianca Bin e Thiago Fragoso. A morte de Caetana emocionou, destacando Lima Duarte, Fernanda Montenegro e Laura Cardoso. Mas a cena do velório da cafetina foi hilária, com a personagem dançando ao som de Pabllo Vittar e indo feliz para o céu. A cara dela. E que homenagem linda à Laura com uma sequência que provocou lágrimas e risos. Vale elogiar ainda a hora da intimidade de Josafá e Mercedes, finalmente se amando como homem e mulher. Sensível. Já o desfile de Elizabeth, sendo aclamada por todos, destacou a grande Glória Pires, em um momento de pura felicidade de uma mulher que sofreu a trama inteira. Gleici (campeã do "BBB 18"), Fernanda Motta e Ana Furtado foram participações na plateia.

Gael teve um recomeço com uma mulher agredida pelo ex, interpretada pela ótima Vanessa Giácomo. Uma segunda chance. Já a cena em que Estela visita Sophia no manicômio e ouve que a mãe a ama foi uma clara reedição de Félix (Mateus Solano) e César (Antônio Fagundes) em Amor à Vida. Porém, a declaração da vilã não pareceu nada sincera. Ela ainda parecia cobiçar o anel que a filha usava. Um momento totalmente dúbio. E vale um adendo: como Marieta se entregou. Um espetáculo de atriz.

O momento em que Clara, Patrick e Thomaz contemplaram o pôr do sol do Jalapão teve uma beleza rara de fotografia, destacando ainda o instante em que o garoto chamou a mocinha de mãe pela primeira vez. A última cena arrepiou pela narração da extraordinária Fernandona, fechando o ciclo do enredo e olhando fixamente para o telespectador. Tudo ao som de Radiohead (tocando Weird Fishes), e com o cenário sendo desmontado, incluindo até câmeras retiradas. Uma ousadia de Mauro Mendonça Filho. E, afinal, foi tudo uma invenção da vidente? Ou a história realmente aconteceu? Quando o mundo acabar, restará apenas o Tocantins...

O Outro Lado do Paraíso entra para a lista de grandes sucessos do horário nobre da Globo e Walcyr Carrasco conseguiu novamente emplacar um fenômeno de audiência que caiu no gosto popular. Parte da crítica especializada massacrou a novela, mas ficou visível que muitas dessas críticas se deram pela má vontade ao estilo popular do autor, que nunca foi sutil e sempre priorizou diálogos simples. Amor à Vida, outro êxito do escritor na faixa, por exemplo, teve críticas semelhantes - e, ironicamente, também acabou aclamada pelo telespectador.

O escritor sabe exatamente o que o público quer ver, muitas vezes desagradando quem aprecia algo mais refinado. O folhetim em torno da vingança de Clara teve defeitos e qualidades, conseguindo prender o público diante da televisão através de muitas viradas, cenas que entraram para a galeria de grandes momentos da teledramaturgia e personagens defendidos por um elenco estelar. Cumpriu seu objetivo de entreter através de inúmeros clichês do gênero, deixando sua marca na principal faixa da emissora, elevando ainda mais a audiência da ótima A Força do Querer. Foi uma boa novela. Agora o bastão vai para Segundo Sol, do também popular João Emanuel Carneiro.


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