Onde Nascem os Fortes: o que esperar da próxima trama das onze?




Em 2017, a Globo decidiu parar de chamar as produções das 23h de novela, adotando o termo "supersérie". O objetivo é vender melhor no mercado internacional, pois, algumas novelas da faixa, que já são curtas (cerca de 60 capítulos), foram condensadas ainda mais para o exterior. Porém, não poderia ter escolhido o momento pior. Afinal, Os Dias Eram Assim foi uma decepção e se arrastou ao longo dos meses com um enredo limitado e repetitivo. Não teve nada de super e nem de série. Todavia, em 2018, isso parece ter mudado. Onde Nascem os Fortes tem potencial.

Os autores que escrevem a trama têm um excelente currículo e justamente com enredos destinados a faixas mais tardias. George Moura e Sérgio Goldenberg produziram a elogiada O Canto da Sereia, em 2013, e a primorosa Amores Roubados, em 2014, duas minisséries que prenderam a atenção do público mesclando suspense e drama. A dupla ainda escreveu o excelente remake de O Rebu, em 2014, resultando em uma novela repleta de empolgantes enigmas e personagens sombrios. Três produções irretocáveis. Eles também repetem a parceria com o ótimo José Luiz Villamarim e o competente Walter Carvalho como diretores. Ou seja, a possibilidade de um novo acerto é bem grande.

E o enredo é dos mais interessantes. Uma história cheia de amores impossíveis, ódio e perdão que se passa no sertão nordestino, em um território onde, às vezes, quem vence é o mais forte e não a lei. A saga de Maria (Alice Wegmann) norteia a trama. Ela é uma jovem aventureira que tenta descobrir a qualquer custo o paradeiro do irmão gêmeo, Nonato (Marco Pigossi em uma participação especial), desaparecido misteriosamente após flertar com a sedutora Joana (Maeve Jinkings), funcionária e amante do empresário Pedro Gouveia (Alexandre Nero), também conhecido como "Rei do Sertão". O poderoso homem é casado com Rosinete (Débora Bloch) e pai do paleontólogo Hermano (Gabriel Leone) e de Aurora (Lara Tremouroux).

Na trama, Maria e Nonato viajam para a cidade de Sertão, terra natal de sua mãe, a engenheira química Cássia (Patrícia Pillar), em busca de novas trilhas de bicicleta. Lá, Maria se apaixona por Hermano, mas tudo entra em colapso com o sumiço de seu irmão. A protagonista, então, passa a investigar esse angustiante mistério e se afasta do seu amor assim que descobre o parentesco com Pedro Gouveia. Desconfiada que o poderoso homem está envolvido no desaparecimento de Nonato, Maria declara guerra ao empresário, que, por sua vez, não medirá esforços para proteger sua reputação. Esse embate faz com que Cássia retorne à cidade depois de muitos anos e tenha o apoio de Ramiro (Fábio Assunção), um juiz de direito violento e corrupto que tem interesses escusos por trás desse suposto altruísmo.

O clima tenso logo vira o protagonista desse drama, interrompendo romances, alterando destinos e fazendo com que segredos de família guardados há anos sejam desenterrados. É uma história com grande potencial e perfeita para a faixa das 23h, tendo a liberdade de explorar cenas mais pesadas e impactantes, o que não aconteceu com Os Dias Eram Assim ano passado. E o elenco ainda conta com outros nomes de peso, além dos já citados, como Irandhir Santos, Carla Salle, Enrique Diaz, Titina Medeiros, Camila Márdila, Lee Taylor, José Dumont, Mariana Molina, Jesuíta Barbosa - que viverá Ramirinho, filho de Ramiro, cujo maior segredo é sua vida noturna, trabalhando como a transformista Shakira do Sertão -, entre outros.

Onde Nascem os Fortes vem apresentando atrativas chamadas, algumas narradas pela maravilhosa Elba Ramalho (que canta uma música da trilha), e tem boas chances de honrar o horário destinado a enredos mais pesados. Que não seja uma propaganda enganosa!


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