Com três episódios inéditos e premiação no exterior, Carcereiros estreia em abril na Globo


A Vila Rosário, pelo nome, poderia ser um bairro de interior, daqueles que levam a delicadeza de sua denominação ao cotidiano de seus corredores. Poderia, mas não é. Vila Rosário é a penitenciária onde trabalha Adriano Araújo (Rodrigo Lombardi), um homem que não cometeu nenhum crime, mas que vive ali dentro a maior parte de seu tempo, sem saber se terá um novo dia para contar sua história. Esse é o cenário de Carcereiros, série vencedora do Grande Prêmio do Júri do Mip Drama, em Cannes, no ano passado, e que chega à tela da Globo em abril.



Livremente inspirada na obra de Drauzio Varella, a obra ganha três episódios inéditos para a versão da TV, além dos doze já disponíveis no Globo Play. Vale lembrar que a emissora adiou a exibição na telinha, prevista para o primeiro semestre do ano passado, em razão das rebeliões que resultaram em mortes nos presídios de Boa Vista (RR), Manaus (AM) e Natal (RN) - na mesma época, Brasil a Bordo, hoje em exibição às quintas-feiras, também foi protelada por conta da tragédia com o voo Lamia 2933, que vitimou o time da Chapecoense, e a morte do ministro do STF Teori Zavascki, também num acidente aéreo.

"O carcereiro é um personagem muito pouco representado nas histórias de cadeia. A gente fala dos prisioneiros, mas não dos homens que tomam conta deles", explica Drauzio. Carcereiro, assim como o pai, Adriano leva uma vida sob constante tensão. Lá dentro, é o "seu Adriano", respeitado por sua integridade e, acima de tudo, por sua palavra, um bem tão precioso neste ambiente. No "papo reto" com o "ladrão", ele precisa ganhar a confiança da cadeia e vencer os desafios que a corrupção impõe para quem lida com esse tipo de trabalho, tantas vezes escondido entre as histórias dos presos e da polícia.

"A série joga luz sobre o sistema prisional brasileiro e em como essa pessoa que não é vista pela sociedade lida no dia a dia com dilemas éticos", explica José Eduardo Belmonte, diretor-geral da série. Rodrigo Lombardi completa: "Estamos aqui para olhar para aquilo que não queremos olhar. A função do cidadão é poder entender o que se passa aqui dentro. A gente não está aqui para glamurizar, mas sim mostrar como é a realidade dessa profissão e desse mundo. O Adriano é parte desse sistema e é só um cara que poderia ser seu vizinho".



O espírito de justiça de Adriano nem sempre garante que tudo vá ficar bem, seja do lado de dentro ou do lado de fora da penitenciária, o que faz com que a preocupação sobre os seus seja cada vez mais latente e justificada. Ao se colocar em risco, ele leva sua família para o mesmo clima de apreensão. A filha, adolescente, e o pai, em idade bastante avançada, não aliviam para o lado dele. Tão pouco a mulher, que se vê diante de um marido apático e cansado de tudo.

Enquanto as sirenes continuam soando, as ameaças de morte já viraram rotina e os gritos por liberdade não param - sejam os que vêm de dentro das celas ou aqueles que ecoam na cabeça de Adriano. Num piscar de olhos, já é a hora da tranca, mais uma vez.

Carcereiros é uma série assinada por Fernando Bonassi, Marçal Aquino e Denisson Ramalho, escrita com Marcelo Starobinas, livremente inspirada na obra de Drauzio Varela. Coprodução da Globo com a Gullane Filmes e a Spray Filmes com direção-geral de José Eduardo Belmonte e direção de episódios de Belmonte e Fernando Grostein.

Além de Rodrigo Lombardi, Othon Bastos, Mariana Nunes, Giovanna Ríspoli, Aílton Graça e Tony Tornado, a série conta com Lourinelson Vladmir, Jean Amorim e Nani de Oliveira e tem participações especiais de Chico Diaz, Matheus Nachtergaele, Projota, Letícia Sabatella, Carol Castro, Caco Ciocler, Gabriel Leone, Samantha Schmütz, entre outros.


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