A força e o brilhantismo do quinteto central de Malhação - Viva a Diferença


Malhação - Viva a Diferença quebrou há muito um paradigma presente em muitas das temporadas da novela. Em lugar do casal de mocinhos cuja felicidade é atrapalhada pelos vilões, a atual edição optou pelos dramas de cinco meninas totalmente diferentes entre si, mas com muito mais afinidades do que elas imaginavam. Na elogiada história de Cao Hamburger, Keyla, Benê, Lica, Tina e Ellen formaram uma inesquecível amizade e reafirmaram a força da mulher nos tempos atuais. E, para personagens tão atraentes, um quinteto talentoso foi designado: Gabriela Medvedovski, Daphne Bozaski, Manoela Aliperti, Ana Hikari e Heslaine Vieira.



As cinco jovens representaram fielmente os dilemas, emoções, alegrias e escolhas das carismáticas garotas com todas as suas nuances, figurando entre as melhores revelações do ano de 2017. Num ano onde muito se discutiu sobre o lugar da mulher na sociedade, o protagonismo múltiplo de Viva a Diferença coexistiu com o trio central da elogiada novela das nove de então, A Força do Querer, que também era focado em mulheres fortes, vividas pelas estrelas Isis Valverde, Paolla Oliveira e Juliana Paes.

Keyla (Gabriela Medvedovski) representou o dilema das mães adolescentes e foi o elo de ligação das amigas. Através de um parto difícil em pleno metrô de São Paulo, a garota ficou dividida entre Deco (Pablo Morais), pai biológico do menino Tonico; e Tato (Matheus Abreu), seu atual namorado, que logo se afeiçoou ao menino. Embora o triângulo tenha cansado pela indecisão da estudante, Keyla logo voltou às boas com o ex-chapeiro.

Benê (Daphne Bozaski) representou um tema raro na teledramaturgia. Portadora da síndrome de Asperger (confundida com o autismo), tem dificuldades em construir relações sociais e se assusta com reações mais calorosas, como abraços. Ao lado das amigas e do professor de piano (e namorado) Guto (Bruno Gadiol), se descobriu através da música.

Lica (Manoela Aliperti) foi a porta-voz da rebeldia. Filha de Marta (Malu Galli) e Edgar (Marcello Antony), viveu no meio do fogo cruzado do ex-casal e seus atuais pares, o padrasto Luís (Ângelo Antônio) e a atual de Edgar, a vilã Malu (Daniela Galli). Já teve problemas com álcool e drogas em uma festa que promoveu e, recentemente, quis deixar o colégio particular onde estudava, o Grupo, por causa do conflito familiar - algo que causou estranheza, pois Marta não soube mostrar pulso firme para conter a filha. Em meio a isso, se envolveu com Felipe (Gabriel Calamari), MB (Vinícius Wester) e, mais recentemente, Samantha (Giovanna Grigio).

Tina (Ana Hikari), oriental, viveu um entrecho clássico: a garota que namora um rapaz de classe social diferente sob a oposição da mãe e a cumplicidade do pai. Filha de Mitsuko (Lina Agifu) e Noboru (Carlos Takeshi), enfrentou a implicância materna por diversas vezes em nome de seu amor pelo motoboy Anderson (Juan Paiva), chegando a ser enviada para o Japão, de onde voltou mais rebelde.

Ellen (Heslaine Vieira), irmã de Anderson, mostrou a luta dos negros contra o preconceito ainda vigente. Na busca por justiça após ver o pai ser assassinado, a garota se destacou pela inteligência acima da média enquanto estudava no Cora Coralina, a escola pública da temporada, o que lhe valeu uma chance de migrar para o Grupo. Ao mesmo tempo, se viu às voltas com o namoro com Jota (Hall Mendes), tão nerd quanto ela, mas que demorou a assumir seus sentimentos.

Com conjuntos tão diversos, as cinco formaram um cativante quinteto, onde as diferenças se complementavam pelo forte espírito de união e cumplicidade demonstrado por elas. Embora houvesse algumas falhas no meio da trajetória de cada uma (como a repetição de situações no núcleo de Tina ou a demora para que Benê admitisse que era portadora de Asperger, ocorrida no último fim de semana), as tramas se conectaram tão bem, de forma a solidificar a amizade como se fossem um único personagem.

E o talento das intérpretes foi decisivo para que o grupo fosse tão bem representado. Gabriela Medvedovski, estreante, foi uma grata surpresa por sua maturidade em cenas difíceis e ainda conquistou pela linda voz nas cenas em que apareceu cantando ao lado das Five. Ana Hikari, também no seu primeiro papel, também esteve segura com as alegrias, hesitações e tristezas de Tina, além de formar um ótimo núcleo familiar com atores descendentes de japoneses de fato: os talentosos Julie Kei (a irmã de Tina, Telminha), Lina Agifu e Carlos Takeshi. Uma boa resposta ao lamentável caso de yellowface cometido pelos autores da novela Sol Nascente (2016-17), na qual o veterano Luís Melo foi escalado para um papel nipônico sem possuir qualquer feição para isto - fato criticado pelo próprio Takeshi.

As três restantes, por sua vez, já tinham feito outros papeis antes de Malhação. Manoela Aliperti havia protagonizado a série Três Teresas, do GNT, ao lado de Denise Fraga e Cláudia Mello; e o filme De Onde Eu Te Vejo, como filha dos personagens de Denise e do saudoso Domingos Montagner. Agora, confirmou o talento mostrado nas produções anteriores e também deu o tom perfeito para a rebeldia e o inconformismo de Lica.

E Daphne Bozaski e Heslaine Vieira já eram conhecidas das obras de Cao Hamburger. A primeira, que emocionou e conquistou o público pelo jeitinho peculiar e adorável de sua Benê, foi uma das protagonistas de Que Monstro Te Mordeu, da TV Cultura, onde viveu a protagonista Lali Monstra. E Heslaine, que esteve ótima na pele da aguerrida Ellen e tornou ainda mais cativante a luta da sua personagem por um mundo mais igual e justo; repetiu a parceria iniciada na elogiada Pedro e Bianca, da mesma emissora, na qual foi protagonista ao lado de Giovanni Gallo - que participou de 'Viva a Diferença' como o delinquente juvenil Dogão.

As cinco atrizes, com seu brilhantismo e experiência, reafirmaram a força de Malhação como uma "escola" de novos atores e atrizes. E, junto ao quinteto, é preciso elogiar também outros nomes promissores, como Talita Younan (K1), Carol Macedo (K2), Matheus Abreu (Tato), Bruno Gadiol (Guto), Hall Mendes (Jota), Juan Paiva (Anderson), Gabriel Calamari (Felipe), Isabela Scherer (Clara), Giovanna Grigio (Samantha), Mikael Marmorato (Juca), Vinícius Wester (MB), Lucas Koka Penteado (Fio), Luís Galves (Gabriel) e Felipe Hintze (Moqueca). Isso sem falar nos talentos mais experientes, como Aline Fanju, Lúcio Mauro Filho, Ana Flávia Cavalcanti, Mohamed Harfouch, Roberta Santiago, Ju Colombo e os já citados Malu Galli, Daniela Galli, Marcello Antony, Carlos Takeshi e Lina Agifu.

Prestes a encerrar sua temporada na próxima segunda (5 de março), Malhação - Viva a Diferença fatalmente deixará saudades. O talento de Cao Hamburger com os jovens, a direção competente de Paulo Silvestrini e o elenco afinado convergiram para que esta fosse a melhor temporada da novela juvenil em muito tempo, no tocante a qualidade, repercussão e audiência. E a cereja do bolo foi a acertada escalação das cinco talentosas protagonistas que ditaram os principais rumos da deliciosa história. Sem elas, provavelmente a temporada não seria a mesma.


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