Em 1995, Globo e SBT disputaram texto de Como Salvar Meu Casamento, novela inacabada da Tupi


No último dia 22, o último capítulo de Como Salvar Meu Casamento, novela da Tupi, completou 38 anos. Último capítulo, convém salientar, exibido, já que a trama de Carlos Lombardi, Edy Lima e Ney Marcondes foi encerrada cerca de quatro semanas antes do "fim" propriamente dito, por conta da crise que se abatia sobre a emissora - e que culminou com seu fechamento, em julho de 1980.



Eis que, quinze anos depois, Globo e SBT propuseram "exibir" a conclusão de Como Salvar Meu Casamento. Segundo informações do jornal O Globo, em matéria de Renata Reis publicada em 19 de novembro de 1995, as duas emissoras disputavam "a tapas" os direitos do texto.

A Globo sugeriu a Lombardi, ainda colhendo os louros pelo bom desempenho de Quatro por Quatro (1994), que atualizasse a sinopse. Já o SBT, após três novelas de épocas exibidas em sequência - Éramos Seis (1994), As Pupilas do Senhor Reitor (1994) e Sangue do Meu Sangue (1995) -, pretendia contar com um folhetim contemporâneo. E propôs adquirir o roteiro original.

Não encontramos registros a respeito da "vitória" de um ou de outro canal. Fato é que Como Salvar Meu Casamento segue "intocada". A trama partia da separação de Pedro (Adriano Reys) e Dorinha (Nicette Bruno), após 23 anos de uma relação amparada no comodismo e na indiferença.

Pedro, que vivia em função do trabalho e da família - que incluía três filhos - sente-se esgotado. A necessidade de se renovar o aproximar de Branca (Elaine Cristina), uma mulher mais jovem, bastante independente, muito diferente da "arcaica" Dorinha. Separados, ele percebe que não encontrará em outra os valores que admirava na esposa; já esta também busca um novo caminho para sua trajetória.

A produção começou claudicante. Sem verba, a Tupi concentrou as gravações externas no entorno de sua sede, no bairro do Sumaré, em São Paulo. Cenas de casamento eram realizadas do lado de fora das igrejas, reduzindo gastos com decoração e figuração.

Mas Como Salvar Meu Casamento, mesmo paupérrima, caiu no gosto do público. Os três autores desenvolveram uma espécie de tratado sobre o matrimônio - a partir do slogan "no casamento a rotina é pior que uma amante", que chegou aos dois dígitos, algo impensável para a emissora, então na eminência do "fim". Os telespectadores se revoltaram com a suspensão do folhetim, às vésperas do término.

Em matéria especial, a Revista Amiga, da Editora Bloch, publicou o final previsto pelos autores. Em sua busca por independência, Branca torna-se uma mulher solitária. Já Pedro, ao reencontrar Dorinha na casa que fora do casal, então à venda, percebe o quanto gosta da ex-mulher.

Dorinha aceita reatar o casamento - durante a separação, ela chegou a se envolver com o professor Sérgio (Walmor Chagas). Rico (Paulo Guarnieri), filho do casal protagonista, termina sozinho, abandonado por Paula (Wanda Stefânia), que também dispensa Nando (Jacques Lagoa). Este e Rico mantinham comportamentos semelhantes: eram imaturos, e machistas demais, para a empoderada Paula.

A outra filha de Dorinha e Pedro, Paula (Beth Goulart), assume seu relacionamento com Melão (Kito Junqueira) - para a tristeza da hippie Jô (Alzira Andrade), apaixonada por ele. Antes do acerto com Paula, Melão conseguia provar sua inocência no assassinato de sua primeira esposa, vítima do amante Gilberto (Agnaldo Rayol).

Leandro (Rildo Gonçalves) e Dinorah (Patrícia Mayo) também se reconciliam, enquanto Mário (Hélio Souto) e Walkiria (Ariclê Perez) partem para o desquite, após anos de um casamento de fachada e de problemas com o filho mau-caráter, Maurinho (Giuseppe Oristânio). Final feliz para a doméstica Zita (Lizette Negreiros), que realiza o sonho de ser cantora - contratada pelo programa de Raul Gil.


Deixe sua opinião


Leia também