12 novelas que gostaríamos de ver no VIVA às 23h30


Nem só de clássicos vive a faixa das 23h30 do VIVA, que hoje abriga Explode Coração (1995), bom folhetim de Gloria Perez, um tanto quanto "esquecido" pelo grande público. Neste horário já figuraram novelões como Vale Tudo (1988) e Rainha da Sucata (1990) e tramas de repercussão mediana, caso O Dono do Mundo (1991) e do atual cartaz. Também "destino" único para produções dos anos 1970, caso de Dancin' Days (1978) e Pai Herói (1979). Abaixo, 12 sugestões para a faixa.



O Bem-Amado (1973), de Dias Gomes.

O demagogo Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) se elege prefeito de Sucupira amparado na promessa de construir um cemitério. O problema é que a obra, já entregue, não pode ser inaugurada porque ninguém morre na cidadezinha. Para resolver o problema, Odorico contrata o matador Zeca Diabo (Lima Duarte) - que se recusa a cumprir o combinado, decidido a se tornar um novo homem. Paraguaçu conta com o apoio das irmãs Cajazeira (Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliaccio) e Dirceu Borboleta (Emiliano Queiróz). Já a delegada Donana (Zilka Salaberry), o médico Juarez Leão (Jardel Filho), o dentista Lulu Gouveia (Lutero Luiz) e o jornalista Neco Pedreira (Carlos Eduardo Dolabella) comandam a oposição.

Primeira novela em cores da TV brasileira, O Bem-Amado criticava, com humor, o Brasil da ditadura militar. A trama das 22h, premiada no Brasil e no exterior, fez tanto sucesso que, anos depois, seus personagens foram reeditados em uma série de mesmo nome, bem-sucedida atração da linha de shows da Globo de 1980 a 1984. Segundo informações da jornalista Patrícia Kogut, de O Globo, o folhetim possui entraves jurídicos, que dificultam a exibição no VIVA. Nada que certo esforço, tal e qual aconteceu com Tieta (1989), não resolva.



Gabriela (1975), de Walter George Durst.

Gabriela (Sônia Braga) emigra do sertão nordestino para a próspera Ilhéus, onde se emprega como cozinheira do turco Nacib (Armando Bógus), dono do bar Vesúvio. Os dois se casam, mas Gabriela - mulher de espírito livre e sensualidade à flor da pele - não resiste às investidas de Tonico Bastos (Fúlvio Stefanini). A história de amor e desejo se desenvolve em paralelo à abordagem política, que opõe o coronel Ramiro Bastos (Paulo Gracindo) - que comanda a região desde sempre, elegendo seus aliados políticos em eleições fraudadas - e Mundinho Falcão (José Wilker), representante do progresso. Os conflitos entre os dois se acentuam a partir do relacionamento de Mundinho e Jerusa (Nívea Maria), neta de Ramiro.

Adaptação da obra de Jorge Amado, Gabriela soa tão atual hoje quanto em 1975. Além de Gabriela e de Ramiro Bastos x Mundinho Falcão, a novela traz Malvina (Elizabeth Savala), moça que não se conforma com o destino traçado por seus pais, de viver a serviço de um marido arranjado. Clássico da TV brasileira, produzido em comemoração aos 10 anos da Globo, o folhetim reúne Ary Fontoura, Castro Gonzaga, Dina Sfat, Eloísa Mafalda, Francisco Dantas, Gilberto Martinho, Marco Nanini e Pedro Paulo Rangel no elenco.



Pecado Capital (1975), de Janete Clair.

O taxista Carlão (Francisco Cuoco) conduz Eunice (Rosamaria Murtinho) e seu amante, ladrão de banco, sob a ameaça de um revólver. Ao chegar em casa, no fim daquele trágico dia, se depara com uma mala de dinheiro no banco traseiro do carro, produto de um assalto. Decide gastar só o necessário para dar boa vida ao pai e à noiva, Lucinha (Betty Faria). Acaba, contudo, dominado pela ganância. Enquanto isso, a suburbana Lucinha ganha os holofotes ao se tornar garota-propaganda das indústrias Centauro, de propriedade de Salviano Lisboa (Lima Duarte). O solitário viúvo se apaixona pela moça, enfrentando a oposição de seus seis filhos; em especial, a problemática Vilminha (Débora Duarte), iludida por Nélio (Dennis Carvalho).

A autora abandonava a fantasia, tão recorrente em sua obra, partindo para a tragédia urbana com este texto, concebido a toque de caixa para substituir a versão censurada de Roque Santeiro - reeditada na década seguinte. O desejo de revolucionar a faixa das 20h acabou por garantir o êxito desta empreitada, conduzida pelo diretor Daniel Filho. Pecado Capital ganhou remake em 1998, já anunciado pelo VIVA e rejeitado (por duas vezes) pelo público do canal. É o caso de pensar com carinho em esquecer a regravação e optar pelo original...



Escrava Isaura (1976), de Gilberto Braga.

Século XIX. Fruto do amor de uma escrava e um capataz, Isaura (Lucélia Santos) nasceu cativa do casal Almeida (Gilberto Martinho) e Ester (Beatriz Lyra), que a criou com todo esmero. A beleza e os bons modos da escrava despertam o interesse de Leôncio (Rubens de Falco), filho do comendador. Mesmo casado com Malvina (Norma Blum), ele persegue Isaura, impossibilitando o romance desta com Tobias (Roberto Pirillo) - morto por Leôncio em um incêndio. A escrava chega a fugir com o pai, Miguel (Atila Iório), podendo desfrutar sua liberdade e conhecer o amor verdadeiro ao lado do abolicionista Álvaro (Edwin Luisi). Mas Leôncio a captura e a faz passar por toda sorte de provações, chegando a açoitá-la no tronco.

Escrava Isaura foi, durante anos, líder de vendas das novelas da Globo para o mercado internacional. Fez de Lucélia Santos, então com 18 anos, uma das atrizes mais premiadas de todo o mundo - e também protagonista de Sinhá Moça (1986), da mesma toada. O sucesso pode ser explicado pela universalidade do tema: o conflito opressor versus oprimido é recorrente na história da humanidade. Sem dúvida, uma novela que arrebataria o público, independente da faixa horária em que fosse exibida (embora tenha a aura de clássico da meia-noite).



Locomotivas (1977), de Cassiano Gabus Mendes.

Kiki Blanche (Eva Todor) é uma ex-vedete dedicada ao seu salão de beleza e à família, formada por Milena (Aracy Balabanian), sua filha biológica, e outros quatro filhos adotivos; dentre eles, Fernanda (Lucélia Santos). Os conflitos se iniciam quando Milena e Fernanda se apaixonam pelo mesmo homem, Fábio (Walmor Chagas). No desenrolar da trama, descobre-se que Milena é mãe de Fernanda. Por amor à filha, ela abre mão de Fábio. Ainda, os dilemas de Margarida (Mirian Pires), que não admite dividir a atenção de seu herdeiro, Netinho (Dennis Carvalho), afastando-o de Patrícia (Elizângela) e Renata (Thaís de Andrade). Netinho costuma desabafar com Celeste (Ilka Soares), sua vizinha solteirona, que aos poucos, acaba se apaixonando por ele.

Maior audiência do horário das sete nos anos 70, Locomotivas chegou a ofuscar a então novela das oito, Espelho Mágico. A favor da obra: sua trama principal, folhetim clássico; a força de suas personagens femininas, num momento em que as mulheres começavam a ganhar espaço no mercado de trabalho; e os modismos que lançou, das bolsas de plástico de Fernanda às canções da trilha sonora nacional. Fatores semelhantes aos que garantiriam o sucesso de Dancin' Days, no ano seguinte. Atingiria em cheio o público feminino acima de 40 anos.



O Astro (1977), de Janete Clair.

Após aplicar um golpe na paróquia de Guariba Grande, Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco) abandona mulher e filho, fugindo para o Rio de Janeiro atrás de seu cúmplice, Neco (Flávio Migliaccio). Acaba se estabelecendo como vidente de churrascaria; e é durante uma apresentação que conhece Amanda (Dina Sfat), empresária ligada aos Hayala, família comandada com mãos-de-ferro por Salomão (Dionísio Azevedo). O filho deste, Márcio (Tony Ramos), abdica da fortuna do pai, dando início a uma guerra, entre seus tios, pelo poder do clã. Eis que Herculano se aproxima do rapaz - então envolvido com a humilde Lili (Elizabeth Savala) -, ganha poder e vê Salomão ser misteriosamente assassinado.

O Brasil parou para acompanhar o desfecho de O Astro, novela que rendeu a Janete Clair a alcunha de "usineira dos sonhos", atribuída por Carlos Drummond de Andrade. Mais de quarenta anos depois, o "quem matou Salomão Hayala?" já não é mistério para ninguém. A obra, contudo, ainda povoa o imaginário dos noveleiros, que se deliciaram com outros trabalhos de Janete em DVD ou no VIVA - respectivamente, Pecado Capital e Pai Herói (1979). No elenco, nomes como Carlos Eduardo Dolabella, Edwin Luisi, Eloísa Mafalda, Ida Gomes, Sílvia Salgado e Tereza Rachel.



Corpo a Corpo (1984), de Gilberto Braga.

Para ascender profissionalmente, Eloá (Débora Duarte) trava um pacto com o Diabo, personificado na figura de Raul (Flávio Galvão), que acaba lhe custando seu casamento com Osmar (Antonio Fagundes). Após o divórcio, Eloá descobre que tudo não passou de um plano engendrado por Tereza (Glória Menezes), abandonada por Osmar no passado. Neste momento, Raul ressurge para assombrar sua "inventora", exigindo que Tereza dê fim à vida de Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana) - milionário que está para se casar com Lúcia Gouveia (Joana Fomm) - num intricado plano, desta vez articulado por Amaury (Stenio Garcia), apaixonado por Lúcia. Ainda, o racismo, discutido através do casal Sônia (Zezé Motta) e Cláudio (Marcos Paulo).

Gilberto Braga declarou, certa vez, que Corpo a Corpo é uma de suas melhores novelas. E que a mesma só não repercutiu a contento porque a protagonista, Débora Duarte (aqui, no auge de sua carreira), não é a "queridinha das revistas de fofoca". Corpo a Corpo acabou ofuscada também por sua substituta, Roque Santeiro (1985). Em termos de audiência, no entanto, a novela foi um grande sucesso! Traz um tema pouco explorado pela teledramaturgia, o tão assustador pacto com o diabo. Ainda, a estreia de Lilia Cabral e Andréa Beltrão na TV.



Roda de Fogo (1986), de Lauro César Muniz.

Renato Villar (Tarcísio Meira), self-made-man a caminho da Presidência da República, se vê confrontado pelas denúncias de corrupção que chegam ao juiz Labanca (Paulo Goulart). Decide então aproximar-se da responsável por seu julgamento, Lúcia (Bruna Lombardi), por quem se apaixona. Por amor, e por uma doença incurável que lhe garante pouco tempo de vida, Renato se modifica. Abandona a esposa Carolina (Renata Sorrah), acerta os ponteiros com o filho enjeitado, Pedro (Felipe Camargo), e assiste a execução de cada um dos envolvidos no esquema de corrupção existente em seu grupo empresarial. Ainda, os conflitos cômicos de Tabaco (Osmar Prado), motorista de Renato, envolvido com três mulheres ao mesmo tempo.

Roda de Fogo é considerada uma das melhores novelas das oito de todos os tempos. Sua trama é essencialmente masculina: todos os conflitos giram em torno da figura de Renato Villar e dos homens que o rodeiam. Entretanto, as personagens femininas, sem exceção, eram vigorosas, o que acabou por equilibrar as forças entre os sexos ao longo da narrativa. A novela explora conflitos éticos e morais, como os discutidos em Vale Tudo, dois anos depois, até hoje atuais. A reprise de Roda de Fogo, em 35 capítulos, se proliferou entre os noveleiros graças a gravações caseiras vendidas no "mercado negro" da internet. Assim, a curiosidade do público em torno da trama se aguçou, o que fatalmente auxiliaria na repercussão da reprise no VIVA.



Mandala (1987), de Dias Gomes.

No Rio de Janeiro do início dos anos 1960, a politizada Jocasta (Vera Fischer) descobre estar esperando um bebê de Laio (Taumaturgo Ferreira), jovem alienado que, seguindo as ordens de seu guru, Argemiro (Marco Antônio Pâmio), decide sumir com o filho. Anos depois, Jocasta (então Vera Fischer) procura pelo herdeiro, enquanto Laio (agora Perry Salles) morre nas mãos do atormentado Édipo (Felipe Camargo) - seguindo o previsto por Argemiro (Carlos Augusto Strazzer): o filho mataria o pai e se envolveria com a mãe. Jocasta, ao descobrir tudo, se afasta do rapaz, entregando-o a Letícia (Lúcia Veríssimo). A "deusa" também se deixa envolver por Tony Carrado (Nuno Leal Maia), contraventor, do tipo grosseirão.

Mandala partia da tragédia Édipo Rei, de Sófocles. O tema não foi bem aceito pela Censura da Nova República, que protelou o quanto pode o beijo entre mãe e filho, necessário para o desenrolar da narrativa - e que evidenciava, na tela, o romance de Vera Fischer e Felipe Camargo nos bastidores. Convertida em uma trama de esoterismo, com pinceladas policiais, a novela levou a alcunha de o "samba do grego doido". Contudo, sua audiência - e o tema musical da protagonista, 'O Amor e o Poder', com Rosana - garantem a vaga do folhetim na lista de desejos do público.



Sonho Meu (1993), de Marcílio Moraes.

Fugindo dos maus-tratos do marido, Geraldo (José de Abreu), Cláudia (Patrícia França) abandona a filha, Carolina (Carolina Pavanelli). O pai delega a educação da menina à sua irmã, Elisa (Nívea Maria), que a coloca em um orfanato. Carolina foge e, após vagar pelas ruas de Curitiba, encontra o amparo de Tio Zé (Elias Gleizer). Enquanto isso, Cláudia se casa com Lucas (Leonardo Vieira), milionário que pode custear o tratamento de Carolina contra a leucemia. O problema é que seu cunhado, Jorge (Fábio Assunção), descobre a vida dupla que a moça vem levando e a faz prejudicar o irmão no comando dos negócios da família, irritando Paula (Beatriz Segall), a avó deles, e empurrando Lucas para os braços de Lúcia (Isabela Garcia).

Sonho Meu veio na esteira do sucesso de Mulheres de Areia (1993). Logo, se consagrou com uma das maiores audiências do horário das 19h nos anos 1990. A união de dois textos de Teixeira Filho, realizada com primazia por Marcílio Moraes, acabou resultando em uma novela praticamente inédita. Entretanto, o autor fora acusado de fazer uso excessivo do dramalhão na condução do roteiro. Uma reprise no VIVA certamente causaria barulho, afinal, a novela, apesar do sucesso, não fora reexibida pela Globo.



Pátria Minha (1994), de Gilberto Braga.

Alice (Cláudia Abreu), cidadã honesta tal e qual a mãe, Natália (Renata Sorrah), testemunha o atropelamento de um ciclista, causado pela má conduta ao volante do empresário Raul Pellegrini (Tarcísio Meira). Os dois passam a se digladiar (desconhecendo a condição de avô e neta), estando ela a favor dos oprimidos e ele, dos escusos interesses da classe alta. Ainda, os dilemas de Pedro (José Mayer), que abandona a confortável estadia no exterior por amor à sua pátria. Aqui, perde a mulher e reencontra uma paixão do passado, Lídia Laport (Vera Fischer) - a arrivista que separa Raul de Tereza (Eva Wilma), casando-se com o empresário. E que se opõe ao relacionamento de seu filho, Rodrigo (Fábio Assunção), com a idealista Alice.

A "fake news" em torno da apresentação desta trama no VIVA, divulgada ano passado, mostrou que há uma boa parcela do público interessada em rever a última novela da "trilogia sobre a honestidade" de Gilberto Braga - que inclui Vale Tudo e O Dono do Mundo (1991). Pátria Minha padeceu em seu terço final devido a problemas nos bastidores que acabaram por afastar Vera Fischer do elenco; por consequência, a narrativa e a audiência saíram prejudicadas. Mas como O Dono do Mundo, também problemática, caiu nas graças dos telespectadores do VIVA... Não custa tentar.



A Indomada (1997), de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares.

Para cumprir o acordo estabelecido entre seu tio, Pedro Afonso (Cláudio Marzo), e Teobaldo Faruk (José Mayer), Lúcia Helena (Adriana Esteves) regressa a Greenville - cidade do Nordeste colonizada por ingleses. Após desposar o forasteiro, que fora apaixonado por sua mãe e que salvou sua família da falência no passado, Lúcia Helena consegue reaver os bens dos Mendonça e Albuquerque e reabrir a Usina Monguaba, para desespero de Maria Altiva (Eva Wilma), sua tia invejosa. Defensora da moral e dos bons costumes, Altiva se põe a vigiar as "camélias" de Zenilda (Renata Sorrah), a juíza Mirandinha (Betty Faria) - envolvida por um homem mais jovem -, e até Scarlet (Luiza Tomé), a ninfomaníaca filha do corrupto Pitágoras (Ary Fontoura).

O público do VIVA anseia pela exibição deste folhetim desde que o mesmo marcou presença na enquete que levou à veiculação de Água Viva (1980), em 2013. É fato que A Indomada evidencia o esgotamento do realismo mágico proposto pelos autores em outros trabalhos, como Pedra Sobre Pedra (1992) e Fera Ferida (1993). Ainda assim, figuras "esquisitonas" como o Cadeirudo e o "anjo" Emanuel (Selton Mello) fizeram sucesso. Tanto quanto a vilã Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, a grande atração da novela.



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