12 novelas que gostaríamos de ver no VIVA às 15h30


É fato: no ano que passou, as novelas das 15h30 foram as que mais chamaram a atenção do público do VIVA. As clássicas A Gata Comeu (1985) e Tieta (1989) fizeram a alegria da audiência! E provaram que é este, hoje, o horário de "maior importância" para o canal; afinal, o público que espera pela trama desta faixa acaba espiando a que vem antes, tanto na exibição principal, como na alternativa (14h30 / 23h30). Abaixo, 12 folhetins com vocação para turbinar os índices da vaga hoje ocupada por Bebê a Bordo (1988).



Cabocla (1979), de Benedito Ruy Barbosa.

O "tísico" Luís Jerônimo (Fábio Jr) se muda para Vila da Mata, interior do Espírito Santo, onde pretende tratar de sua enfermidade com o ar puro da fazenda do compadre de seu pai, Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro). É quando conhece Zuca (Gloria Pires), caipirinha apadrinhada pelo coronel e sua esposa, Emerenciana (Neuza Amaral), à espera do filho temporão. Zuca, contudo, está noiva do ciumento (e violento) Tobias (Roberto Bonfim), grande paixão de Mariquinha (Fátima Freire). Ainda, a história de amor de Belinha (Simone Carvalho), herdeira de Boanerges, e Neco (Kadu Moliterno), filho de Justino (Gilberto Martinho) - fazendeiros rivais, em razão da disputa de terras entre este último e o matuto Felício (Oswaldo Louzada).

Além de evidenciar a habilidade de Benedito Ruy Barbosa, o autor, em transformar clássicos da literatura em novelas - no caso, a obra homônima de Ribeiro Couto -, Cabocla também propicia ao público a oportunidade de conferir o início do romance de Fábio Jr e Gloria Pires, um dos casais mais famosos do final da década de 1970, início dos anos 1980. A trama também propõe uma importante discussão sobre política, a partir da candidatura de Neco, crítico ferrenho da prática do coronelismo e do voto de cabresto - abordagem corajosa para aquele tempo de Censura do regime militar.



Baila Comigo (1981), de Manoel Carlos.

No passado, Helena (Lilian Lemmertz) tivera gêmeos. Criou um dos meninos, Quinzinho (Tony Ramos), e deu o outro, João Victor (Tony Ramos), para o pai, Quim (Raul Cortez), rico empresário casado com Marta (Tereza Rachel). Anos depois, esta revela a João Victor que ele é adotado. O rapaz parte em busca de sua verdadeira origem, mas é constantemente enganado pela própria mãe, Helena, que não deseja ver a verdade vir à tona. Com duas pessoas fisicamente idênticas frequentando os mesmos ambientes, as confusões se sucedem e mobilizam Lúcia (Natália do Vale) - namorada de Quinzinho -, Joana (Betty Faria) - apaixonada por João Victor -, e Mira Maia (Lídia Brondi) - jornalista que se envolve com os dois gêmeos.

Manoel Carlos começava aqui a definir seu estilo, a crônica do cotidiano que fez o sucesso de todas as suas novelas subsequentes; muitas delas, já exibidas no VIVA. A novela é um retrato da classe média do Rio de Janeiro no início dos anos 1980. Bebe na fonte de Água Viva (1980), dos mesmos diretores, com incontáveis cenas externas e figurinos que invadiram as ruas. O trabalho de Tony Ramos como João Victor e Quinzinho conquistou o público! Ainda, as presenças de Lídia Brondi e Lauro Corona, aclamados pelo público do VIVA, e Lilian Lemmertz, a primeira "Helena do Maneco".



Elas Por Elas (1982), de Cassiano Gabus Mendes.

Márcia (Eva Wilma) decide reunir-se com seis amigas dos tempos do colégio, "reavivando" desafetos e traumas. A começar por Natália (Joana Fomm), que se recusa a comparecer ao encontro, por julgar uma de suas amigas como a responsável pela morte de seu irmão caçula. Enquanto Marlene (Mila Moreira) segue solteira, Carmem (Maria Helena Dias) se ressente com a vida de casada. Já Helena (Aracy Balabanian) se incomoda com o relacionamento de seu filho, Gil (Lauro Corona), com Miriam (Tássia Camargo), herdeira de Adriana (Esther Góes) - paixão do marido de Helena no passado. Wanda (Sandra Bréa), por sua vez, teme encontrar Márcia, já que era a amante de seu esposo, mistério investigado por Mário Fofoca (Luís Gustavo).

Como sempre, Cassiano Gabus Mendes partiu de um fiapo de história para desenvolver um novelo de situações como as que fizeram de Elas Por Elas um grande sucesso! Dos dilemas das amigas às trapalhadas do detetive Mário Fofoca - que chegou a ganhar série e filme - tudo foi muito bom nesta produção embalada por uma das mais criativas vinhetas já criadas pelo mago Hans Donner. No elenco, Carlos Zara, Cássio Gabus Mendes, Christiane Torloni, Herson Capri, Laerte Morrone, Marco Nanini, Mário Lago, Nathalia Timberg e Reginaldo Faria.



Final Feliz (1982), de Ivani Ribeiro.

César (Roberto Maya) simula a própria morte, deixando a esposa, Maria Luiza (Lilian Lemmertz), as filhas Débora (Natália do Vale) e Suzy (Lídia Brondi), e o sócio Alaor (Milton Moraes) na miséria. Débora é uma moça voluntariosa, que planeja tomar Leandro (Adriano Reys) de sua noiva, Mirtô (Priscila Camargo), irmã de Rodrigo (José Wilker), que vem a se apaixonar pela prima Débora. Já Suzy se interessa por Paulo (Buza Ferraz), funcionário de um jardim zoológico que acredita estar à beira da morte. Paulo é filho de Marina (Mirian Pires) e irmão de Rafael (Irving São Paulo), um rapaz com necessidades especiais que desenvolve uma tenra amizade com Mestre Antônio (Stenio Garcia), um pescador do litoral cearense em busca da filha desaparecida.

Única novela inédita de Ivani Ribeiro - de sucessos como Mulheres de Areia (1993) e A Viagem (1994) na Globo -, Final Feliz garantiu a audiência ao tratar com bom humor situações divertidas, como os mistérios de dona Sinhá (Elza Gomes), velhinha que vendia, literalmente, gato por lebre; explorar dramas familiares, como o das mães Maria Luiza e Marina; e investir no jogo de gato e rato dos protagonistas, Débora e Rodrigo. O desacerto do casal dava o tom da abertura, em que famosos pares românticos do cinema trocavam tapas e beijos.



Amor com Amor se Paga (1984), de Ivani Ribeiro.

O avarento Nonô Corrêa (Ary Fontoura) propõe casamento a jovem Mariana (Cláudia Ohana), em troca do perdão de uma dívida de seu pai, Dr. Vinícius (Adriano Reys). O problema é que Mariana está apaixonada por Tomás (Edson Celulari), filho de Nonô, que também desperta o interesse de Bel (Narjara Turetta), irmã de sua amada. Nonô acaba se humanizando com a chegada do órfão Zezinho (Oberdan Jr.) à sua casa e através do amor de sua empregada Frosina (Berta Loran); também pelas intervenções de Tio Romão (Fernando Torres), velhinho simpático e bondoso. Ainda, a briga de Grace (Yoná Magalhães), uma feminista americanófila, e Bruno (Carlos Eduardo Dolabella), um machista patriota, cujos filhos estão para casar.

O grande destaque deste sucesso do horário das 18h foi o avarento Nonô Corrêa, criação magistral de Ary Fontoura, que tornou-se sinônimo de mesquinharia, devido a ações como revirar o lixo dos vizinhos, cortes de luz à noite, banhos cronometrados, café requentado para visitas e cadeados na geladeira. Certamente, seria o grande atrativo de uma eventual reprise e a principal peça de divulgação da novela. Traz também atores badalados em início de carreira - casos de Edson Celulari, Júlia Lemmertz e Miguel Falabella -, outro chamariz para a audiência.



Vereda Tropical (1984), de Carlos Lombardi.

Silvana (Lucélia Santos), líder sindical, se apaixona pelo filho do patrão, Victor (Lauro Corona). Os dois fogem para a casa da avó dela, Dona Paz (Norma Geraldy), onde a moça dá à luz a Zeca (Jonas Torres). Pouco depois, Victor a abandona, fugindo de seu pai, Oliva (Walmor Chagas), dono da fábrica de perfumes CPP, que planeja fazer de Victor seu sucessor, em detrimento às filhas Catarina (Marieta Severo) e Verônica (Maria Zilda). Oliva decide assumir a guarda do neto Zeca, levando-o para o Rio de Janeiro. Silvana parte atrás do filho, conhecendo o jogador de futebol Luca (Mário Gomes), por quem se apaixona. O rapaz é filho de Bina (Geórgia Gomide), dona de uma cantina italiana e grande amor de Oliva.

Carlos Lombardi estreava como titular, após a bem-sucedida colaboração em Guerra dos Sexos (1983), de Silvio de Abreu (aqui atuando como supervisor). A novela privilegia as situações cômicas, embora a trajetória de Silvana, a protagonista, possua tintas de drama bastante fortes. Dessa forma, Vereda Tropical seduziu os adultos e o público infanto-juvenil, aficionado nas traquinagens de Zeca e na figura do Super Téo (Marcos Frota), rapaz introvertido que voava pelos ares acreditando ser um super-herói. O público masculino foi fisgado graças a Luca, jogador de futebol.



Livre Para Voar (1984), de Walther Negrão.

O casal Pardal (Tony Ramos) e Bebel (Carla Camuratti) nasce de uma farsa: ele oculta o passado de arquiteto renomado, acusado de um crime que não cometera, vivendo humildemente em um vagão de trem, ao lado do maquinista Pedrão (Elias Gleizer) e do menor abandonado Gibi (Fernando Almeida); ela regresse de Portugal e emprega-se na firma do pai, recém-falecido, sob a falsa identidade de Cristina, a moça do cafezinho. Quando tais verdades vêm à tona, Pardal e Bebel se separam - também por conta das armações dos vilões Danilo (Carlos Augusto Strazzer) e Helena (Dora Pelegrino), interessados em tomar a fábrica de cristais da moça. Mas o destino se encarrega de manter o casalzinho unido, das mais diferentes formas...

Livre Para Voar explorou as bucólicas paisagens de Poços de Caldas, Minas Gerais, onde a produção gravou boa parte das tomadas externas. Também fez bom uso de um elenco de estrelas como Laura Cardoso (Carolina) e Nívea Maria (Bia), além de estreantes do quilate de Cássia Kis - Verona, uma moça iludida com a promessa de um casamento que não se realizou, ludibriada pelo ardiloso Danilo. O folhetim figurava em primeiro lugar, numa lista divulgada pelo VIVA em 2015, com as dez novelas mais desejadas pelo público do canal.



Selva de Pedra (1986), de Janete Clair; atualizada por Eloy Araújo e Regina Braga.

Simone Marques (Fernanda Torres) é a única testemunha do crime pelo qual Cristiano Vilhena (Tony Ramos) é acusado injustamente. Os dois se casam e partem para o Rio de Janeiro, onde ele começa a ascender profissionalmente. Certo de que a esposa é um empecilho para sua escalada profissional, Cristiano, com ajuda de Miro (Miguel Falabella), trama sua morte. Arrependido, ele não consegue se casar com a socialite Fernanda (Christiane Torloni), mesmo estando supostamente viúvo. Eis que Simone ressurge, usando a identidade de sua irmã gêmea, Rosana, uma consagrada artista plástica. É quando Fernanda a sequestra, tentando impedi-la de depor a favor de Cristiano, inviabilizando assim os entendimentos do casal.

Sobrou para Selva de Pedra a árdua missão de substituir Roque Santeiro (1985), maior audiência da TV Globo até então. O remake da trama de 1972 não fez feio. Sua audiência foi alta! Entretanto, a novela tem mais repercussão hoje, com as redes sociais, do que em 1986, quando fora ofuscada por Cambalacho, às 19h. Uma reprise, certamente, receberia a boa vontade desse público que talvez sequer tenha acompanhado a exibição original da novela. Conta com bons desempenhos de Miguel Falabella e Christiane Torloni, além de Fernanda Torres em sua primeira protagonista.



Direito de Amar (1987), de Walther Negrão.

Rio de Janeiro, início do século XX. Na noite de Ano Novo, Rosália (Glória Pires) e Adriano (Lauro Corona) se apaixonam. O que eles nem imaginam é que o destino da moça já está traçado: em troca do perdão de uma dívida, Augusto (Edney Giovenazzi), pai de Rosália, a vendeu ao temido Senhor de Montserrat (Carlos Vereza), pai de Adriano. Desiludido, o rapaz se engaja em campanhas sociais ao lado do médico Ramos (Carlos Zara), ao mesmo tempo em que se deixa enredar por Paula (Cissa Guimarães), prima de Rosália. Ainda, a louca do sobrado, Joana (Ítala Nandi), mulher de origem misteriosa, mantida por Montserrat no sótão de sua casa. No decorrer da trama, descobre-se que ela é esposa do vilão, o que o torna bígamo.

Direito de Amar, baseada na obra de Janete Clair, veio após uma interrupção de três meses nas atividades do horário das 18h. O público recebeu a produção inédita com grande entusiasmo, garantindo os bons índices da novela; até hoje lembrada como uma das mais belas produções de época da faixa. O grande chamariz para uma eventual reprise seria sem dúvida o casal Glória Pires e Lauro Corona. A dupla ostentava uma química invejável! Também o execrável vilão interpretado por Carlos Vereza, um ator comumente visto em papéis mais dóceis.



O Salvador da Pátria (1989), de Lauro César Muniz.

O matuto Sassá Mutema (Lima Duarte) - apaixonado pela professora Clotilde (Maitê Proença) - é envolvido pelo deputado Severo Blanco (Francisco Cuoco) e sua esposa Gilda (Susana Vieira) em um ardiloso plano: acaba casando-se com Marlene (Tássia Camargo), amante do político, livrando-o de um escândalo que pode abalar sua candidatura. Mas Marlene é assassinada, assim como o radialista Juca Pirama (Luís Gustavo), levando Sassá à cadeia! O povo de Tangará, contudo, o toma nos braços por "ter lavado a honra com sangue". Desta forma, Sassá deixa de ser uma marionete nas mãos de Severo, ganhando força suficiente para rivalizar com ele na política. Ainda, os imbróglios de Marina Sintra (Betty Faria) e João Mattos (José Wilker).

O Salvador da Pátria, mesmo prejudicada por interferências diretas de Brasília no enredo e pela estafa do autor Lauro César Muniz, figura entre as maiores audiências do horário das 20h. Em parte, por conta do brilhante desempenho de Lima Duarte como o boia-fria Sassá Mutema. Por outro lado, pelo enredo bem engendrado, que escancarou o jogo político de uma cidadezinha do interior dominada por "coronéis do colarinho branco". O elenco, brilhante, reúne também Cecil Thiré, Lúcia Veríssimo, Lucinha Lins, Lutero Luiz Mário Lago, Mayara Magri e a então menina Natália Lage.



O Sexo dos Anjos (1989), de Ivani Ribeiro.

O Anjo da Morte (Bia Seidl) pede a seu emissário Adriano (Felipe Camargo) que vá para a Terra buscar Isabela (Isabela Garcia). Adriano se apaixona pela moça e propõe que a Morte leve Ruth (Sílvia Buarque), a cruel irmã de Isabela que tem por hábito maltratar o irmão surdo-mudo Tomás (Marcos Frota). O Anjo então transforma Adriano em humano para que ele vigie Isabela, impedindo a de cometer mais três pecados; caso contrário, ela morrerá. A certa altura, o Anjo transforma-se em Diana e também aporta por aqui, para vigiar o trabalho de seu emissário. Acaba se apaixonando por Renato (Mário Gomes), ambientalista cuja trajetória foi inspirada em Chico Mendes. Ainda, a tresloucada Francisquinha (Eloísa Mafalda), fã da lambada.

O Sexo dos Anjos, apesar do sucesso, nunca foi reprisada pela TV Globo. Talvez por isso a novela tenha angariado fãs ao longo dos anos, desejosos por conhecer essa primeira incursão de Ivani Ribeiro, da aclamada A Viagem, no mundo espiritual. O Sexo dos Anjos, no entanto, não possui a seriedade da trama já exibida pelo VIVA no trato com o sobrenatural. Trata-se de uma comédia romântica sem maiores pretensões. Grande destaque para a trilha sonora internacional, repleta de hits, que vendeu feito água!



Lua Cheia de Amor (1990), de Ana Maria Moretzsohn, Maria Carmem Barbosa e Ricardo Linhares.

A ambulante Genu (Marília Pêra) se esforçou para dar boa vida aos filhos, Mercedes (Isabela Garcia) e Rodrigo (Roberto Bataglin), após ser abandonada na miséria pelo marido, Diego (Francisco Cuoco). A ambiciosa Mercedes casa-se com Douglas (Rodolfo Bottino), mesmo apaixonada por Augusto (Maurício Mattar), que ela julga ser tão pobre quanto ela. O publicitário, na verdade, é filho do milionário casal Conrado (Cláudio Cavalcanti) e Laís Souto Maia (Susana Vieira), musa inspiradora da emergente Kika Jordão (Arlete Salles). Enquanto isso, Genu luta para reaver a loja de louças que o marido perdeu no jogo, enfrenta a maldosa Emília (Bete Mendes) e se apaixona por Túlio (Geraldo Del Rey). Tudo vai bem até que Diego ressurge...

Lua Cheia de Amor nasceu como um remake de Dona Xepa (1977), novela de Gilberto Braga inspirada na peça homônima de Pedro Bloch. No entanto, revelou-se uma trama praticamente inédita, tamanha foram as modificações nos perfis dos personagens. Coproduzida por uma TV espanhola e outra italiana, Lua Cheia de Amor fora protagonizada por Marília Pêra, já conhecida no mercado internacional. Entretanto, sua Genu Miranda acabou ofuscada por Kika Jordão, criação magistral de Arlete Salles, que renderia um excelente "meme" para as redes sociais do VIVA.



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