12 novelas que gostaríamos de ver no VIVA às 14h30


A faixa que hoje abriga Sinhá Moça (1986), 14h30, talvez seja a mais democrática do Canal VIVA. Por ali, figuraram tramas regionalistas, como Pedra Sobre Pedra (1992); comédias rasgadas, caso de Cambalacho (1986); dramas urbanos, ao estilo de Meu Bem, Meu Mal (1990); e folhetins "recentes", como Torre de Babel (1998). Exatamente por isto, a lista de 12 novelas que gostaríamos de ver no VIVA neste horário contempla produções de todos os horários e todas as épocas; confira!



A Sucessora (1978), de Manoel Carlos.

Rio de Janeiro, anos 20. A ingênua Marina (Susana Vieira) se casa com o abastado viúvo Roberto Stein (Rubens de Falco). Depara-se então com a hipocrisia da alta sociedade carioca, ao menos tempo em que se vê obrigada a conviver com o fantasma de Alice, a primeira esposa de Roberto, cultuada em um enorme quadro que adorna a sala da mansão em que Marina passa a viver e reverenciada por Juliana (Nathalia Timberg), governanta da casa, secretamente apaixonada por Roberto. O primo Miguel (Paulo Figueiredo), encantado por Marina, também passa a ser um estorvo em sua vida. Ainda, o romance de Germana (Arlete Salles), irmã de Roberto, com Vasco (Kadu Moliterno), um boa-vida, bem mais jovem, sustentado por ela.

A Sucessora seduziu o público ao explorar os charmosos anos 20 e levar para o horário das seis o suspense que Alfred Hitchcock explorou no cinema, com Rebecca, a Mulher Inesquecível, de 1940, adaptada da obra de Daphne du Maurier, suposto plágio do livro de Carolina Nabuco. A novela tem em Nathalia Timberg o melhor desempenho do elenco. Também Susana Vieira, que já declarou ter sido esta a sua novela preferida. Ainda, a grife de Manoel Carlos, sempre sucesso no VIVA, na novela que o credenciou para o horário das oito, onde estreou em Baila Comigo (1981).



Jogo da Vida (1981), de Silvio de Abreu.

Após anos de união, Jordana (Glória Menezes) se vê abandonada por Silas (Paulo Goulart), envolvido pela garotinha Carla (Maitê Proença). Decide então usar a cara e a coragem para conseguir emprego e sustentar a filha, Lívia (Débora Bloch). Após meses de devoção a dona Mena (Norma Geraldy), velhinha da qual se tornou cuidadora, Jordana se vê com uma fortuna nas mãos, deixadas pela senhorinha no interior de quatro estátuas de cupido. As peças passam de mão em mão - para desespero dos vilões Loreta (Rosamaria Murtinho) e Carlito (Raul Cortez), sobrinhos de Mena, que nunca conseguem a posse dos objetos. Em seu caminho, Jordana conta com a ajuda de Seu Vieira (Gianfrancesco Guarnieri), o vizinho apaixonado.

Partindo de um argumento de Janete Clair, Silvio de Abreu - com a conivência dos diretores Guel Arraes e Jorge Fernando - implantou o estilo que nortearia as produções das 19h na década de 1980: a comédia desvairada, que vai da graça contida ao pastelão. Pesa a favor de Jogo da Vida o fato de, supostamente, já estar à disposição do VIVA: a novela chegou a ser anunciada como uma das possíveis estreias de 2018; seu horário, contudo, parece ter sido ocupado pela também cômica Bebê a Bordo (1988), no ar às 15h30 (com reapresentação à 0h30).



Pão-Pão, Beijo-Beijo (1983), de Walther Negrão.

Um acidente de trânsito une os destinos de Soró (Arnaud Rodrigues), Ciro (Cláudio Marzo) e Bruna (Elizabeth Savala). Para compensar Ciro e Soró pelos danos causados por sua neta, Mamma Vitória (Lélia Abramo), proprietária de uma rede de cantinas, emprega a ambos. Ciro passa a trabalhar como secretário de Luiza (Maria Cláudia), que se apaixona por ele. Mas o rapaz só tem olhos para Bruna, a temperamental irmã de sua chefe, noiva de Júlio (Edwin Luisi). Ainda, a alegria de Lalá Sereno (Regina Dourado), que faz o maior sucesso na feira de São Cristóvão, com o cordel da noiva abandonada no altar. E o casal Daniel (Paulo Guarnieri) e Nina (Tássia Camargo), que escondem suas origens humildes.

A ação desta trama das 18h se desenrolaria em São Paulo. As dificuldades de produção, no entanto, obrigaram a transferência da ambientação para o Rio de Janeiro, descontextualizando o núcleo central, o da família italiana. O autor, habilmente, contornou os problemas e desenvolveu a novela a contento. Primeira vilã de Elizabeth Savala, até então habituada a mocinhas românticas ou contestadoras; certamente, o grande destaque da trama - convém ressaltar também os desempenhos de Arnaud Rodrigues, Lélia Abramo, Regina Dourado e Laura Cardoso (Donana).



Louco Amor (1983), de Gilberto Braga.

A embaixatriz Renata Dumont (Tereza Rachel) trama para afastar a enteada Patrícia (Bruna Lombardi) de Luís Carlos (Fábio Jr), filho da empregada Isolda (Nicette Bruno). Anos depois, o casal se reencontra. Neste momento, Patrícia se mostra uma mulher volúvel, que "empurra" Luís Carlos para Cláudia (Gloria Pires), sua colega na faculdade de comunicação. Enquanto isso, Renata aproxima Patrícia de Márcio (Carlos Alberto Riccelli). Qual não é a surpresa de todos os personagens quando o passado paupérrimo da madame vem à tona, bem como a troca de bebês - Márcio e Luís Carlos - na maternidade. Ainda, a paixão de Lipe (Lauro Corona) e Carla (Beth Goulart) e de Edgar (José Lewgoy) e Gisela (Lady Francisco).

Gilberto Braga considera este seu pior trabalho. Mas o pior de Giba ainda será melhor do que muita coisa, de outros tantos autores... Louco Amor caprichou no empoderamento feminino: de Cláudia e sua família de mulheres até Muriel (Tônia Carrero), desafeto de Renata, que seduz um homem mais jovem, Guilherme (Reginaldo Faria); ou Lúcia (Christiane Torloni), que rompe com o machismo - e a boa situação financeira - de Fernando (Carlos Eduardo Dolabella) para curtir a vida ao lado de Jorge Augusto (Antonio Fagundes).



Hipertensão (1986), de Ivani Ribeiro.

Carina (Maria Zilda) e sua companhia de teatro mambembe, liderada por Sandro Galhardo (Cláudio Cavalcanti), desembarcam em Rio Belo. Ali, ela planeja descobrir a verdadeira identidade de seu pai: Candinho (Paulo Gracindo), Napoleão (Cláudio Corrêa e Castro) ou Romeu (Ary Fontoura)? A cidade se agita com o assassinato de Luzia (Cláudia Abreu), filha de uma empregada doméstica, grávida de Ray (Taumaturgo Ferreira), desajustado herdeiro da todo-poderosa Donana (Geórgia Gomide). Ainda, a paixão da desajeitada Raquel (Deborah Evelyn) pela voz do radialista Túlio (César Filho). Sem coragem para se aproximar do bonitão, Raquel pede à amiga Carola (Carla Marins) que a auxilie. Carola, no entanto, seduz o rapaz.

Talvez por ter sido exibida entre dois grandes sucessos, Cambalacho (1986) e Brega & Chique (1987), Hipertensão não tenha se mantido tão viva na memória do grande público. A novela de Ivani Ribeiro, no entanto, chegou a bater a trama das oito, Roda de Fogo, em audiência. Sua trama é relativamente simples, como quase todas as obras da autora. O grande destaque fica por conta do elenco e da trilha sonora internacional, repleta de hits, a mais vendida dentre as tramas do horário. Também chamaria a atenção do público de hoje por nunca ter sido reprisada.



Brega & Chique (1987), de Cassiano Gabus Mendes.

Para escapar da falência, Herbert Alvaray (Jorge Dória) simula a própria morte e foge do país. Numa trapalhada de Montenegro (Marco Nanini), assistente de Herbert, a esposa do empresário, Rafaela (Marília Pêra), fica na miséria, enquanto a amante, Rosemere (Glória Menezes), enriquece. As duas ficam amigas até que o "morto" ressurge com nova identidade, Cláudio Serra (Raul Cortez). Também as aulas de português que Mercedes (Patricya Travassos) ministra para o ignorante Bruno (Cássio Gabus Mendes), sobrinho de Baltazar (Dennis Carvalho), marceneiro grosseirão apaixonado por Rosemere. Ainda, as desilusões amorosas de Ana Cláudia (Patrícia Pillar), após ter sido abandonada no altar, e Luís Paulo (Marcos Paulo).

Das mais hilárias comédias de Cassiano Gabus Mendes, Brega & Chique causou polêmica ao expor a nudez do modelo Vinícius Manne em sua abertura. Entretanto, o grande destaque da trama ficou por conta de Marília Pêra, fantástica como a afetada Rafaela Alvaray. Também o Bruno, de Cássio Gabus Mendes, que usava o eufemismo "beber água" ao convidar as mocinhas da vizinhança para o sexo. Traz ainda o apelo romântico, através dos casamentos nunca realizados de Ana Cláudia, Luiz Paulo, João Antonio (Jayme Periard) e Silvana (Cássia Kis)...



Bambolê (1987), de Daniel Más.

Rio de Janeiro, 1958. O viúvo Álvaro Galhardo (Cláudio Marzo) cuida com esmero das três filhas Ana (Myrian Rios), Yolanda (Thaís de Campos) e Cristina (Carla Marins). Mas a criação liberal e o namoro de Álvaro com Glória Muller (Sandra Bréa), motivam críticas de Fausta (Joana Fomm), tia das meninas. Enquanto isso, Ana perde seu amado Luís Fernando (Paulo Castelli), um oficial da Marinha, para sua irmã Cristina. Pouco depois, se vê obrigada a casar com Barreto (Rubens de Falco), amigo de seu pai envolvido na construção de Brasília. Já Yolanda se apaixona por Murilo (Maurício Mattar), membro da então famosa "juventude transviada" filho da desquitada Marta (Susana Vieira), por quem Álvaro se apaixona.

Bambolê veio no rastro do sucesso de Anos Dourados (1986), chegando a contar com a assessoria de Gilberto Braga, autor da minissérie, e Silvio de Abreu. Trouxe o romantismo da década de 50 e o início das inovações que alterariam o comportamento das mulheres na década seguinte, bem como o crescimento cultural do país, com a bossa nova, e político, com a inauguração de Brasília. O charme da novela reside justamente no contexto histórico e em seus cenários, figurinos e trilha sonora, como músicas de época e contemporâneas (com 'Conquistador Barato', de Léo Jaime).



Perigosas Peruas (1992), de Carlos Lombardi.

Cidinha (Vera Fischer) e Leda (Sílvia Pfeifer) nasceram no mesmo dia, na mesma maternidade, cresceram juntas e ingressaram na mesma faculdade. Só se afastaram porque ambas se apaixonaram por Belo (Mário Gomes), tipo que engravidou as duas ao mesmo tempo. Casou-se com Cidinha, mas não esqueceu Leda. Quando soube que sua filha com a esposa nasceu morta, trocou o bebê com o da amiga rejeitada, de forma a manter sua relação harmoniosa com Cidinha e ficar próximo à filha que tivera com a outra. A menina Andréia, a Tuca (Natália Lage), cresce, enquanto Leda faz carreira no exterior, e Cidinha sucumbe à vida doméstica. Mas com o regresso de Leda, as coisas mudam de figura: uma amiga passa a ter inveja do que a outra possui.

O autor pretendia retratar a mulher moderna: esposa, mãe e profissional. Evidente que Perigosas Peruas, embora de cerne dramático, não escapou das ironias e do ritmo intenso, tão característicos na obra de Carlos Lombardi. Destaque para Nair Bello, como Gema, a mamma italiana que trata Belo como uma criança. Ainda, a trilha sonora internacional, repleta de hits de nomes como Eric Clapton, Information Society, Red Hot Chilli Peppers e Roxette.



Cara & Coroa (1995), de Antonio Calmon.

Fernanda (Christiane Torloni) abandonou o noivo, Rubinho (Luís Melo), para casar-se com Miguel (Victor Fasano). Depois, abandonou este e o filho pequeno, Pedro (Thierry Figueira), para se unir a Mauro (Miguel Falabella), seu cunhado. Em seguida, é presa por assassinar um homem, durante uma briga com o novo affair. Na cadeia, conhece Vivi (Christiane Torloni), sua sósia, chantageada por Mauro e sua atual esposa, Heloísa (Maitê Proença), para assumir o lugar de Fernanda, que sofre um derrame antes de ganhar a liberdade. Vivi então parte para Porto do Céu, onde encontra a hostilidade daqueles que Fernanda fez sofrer. Com o tempo, no entanto, conquista o filho Pedro e também Miguel, então noivo de Nadine (Lúcia Veríssimo).

Outra novela que, apesar do sucesso, inexplicavelmente, nunca fora reprisada. Cultuada por uma legião de fãs, hoje até mais do que no período de sua exibição, Cara & Coroa marcou o início das tramas adultas de Antonio Calmon, conhecido por seus folhetins infanto-juvenis, como Top Model (1989) e Vamp (1991). Com maestria, Christiane Torloni conduziu os quatro atos da novela: Vivi assumindo o lugar de Fernanda, depois esta recuperando seu posto, as duas se fazendo passar pela mesma pessoa ao mesmo tempo e por fim a convivência de ambas em Porto do Céu.



Salsa e Merengue (1996), de Miguel Falabella.

Eugênio (Marcello Antony) descobre ser filho ilegítimo de Guilherme (Walmor Chagas) quando precisa de um transplante de medula. Ele então vai conhecer a verdadeira mãe, a festeira Anabel (Arlete Salles), e o irmão doador, Valentim (Marcos Palmeira). Os conflitos se acentuam quando Eugênio e Valentim se descobrem apaixonados pela mesma mulher, a tecelã Madalena (Patrícia França). Ainda, a insana Teodora (Débora Bloch), decidida a reconquistar o ex-marido Eugênio; Adriana (Cristiana Oliveira), a amante de Guilherme que se une a Heitor (Victor Fasano) para roubá-lo; e os divertidos moradores da Vila do Vintém, como a ninfomaníaca Marinelza (Zezé Polessa) e o avarento Candinho (Marcos Oliveira).

Miguel Falabella estreava como autor de novelas, em parceria com Maria Carmem Barbosa. De cara, arrebatou o público, com seu humor ácido. Salsa e Merengue, no entanto, não é uma novela exclusivamente cômica, embora seus protagonistas, Eugênio e Madalena, tenham sido ofuscados por personagens periféricos; em especial, Teodora, a vilã engraçada que conquista o mocinho no final. Quem emplacou tanto no drama, quanto na comédia, foi o núcleo cubano capitaneado por Anabel Munhoz, mais uma boa personagem de Arlete Salles. Outra nunca reprisada...



Corpo Dourado (1998), de Antonio Calmon.

O milionário Zé Paulo (Lima Duarte), mesmo depois de morto, continua intervindo na vida do filho, Arthurzinho (Marcos Winter): exige que o rapaz se case com Selena (Cristiana Oliveira), filha bastarda de um antigo sócio da família, reestabelecendo assim uma parceria comercial rompida quando Amanda (Maria Luísa Mendonça), meia-irmã da caipira, abandonou Arthurzinho para se unir a Chico (Humberto Martins). Eis que o destino apronta das suas e Selena acaba apaixonada por Chico! Ainda, o romance de Judy (Giovanna Antonelli) com o forasteiro Billy (Fábio Jr), também envolvido com a protagonista peoa; e Alicinha (Danielle Winits), adepta do topless, mesmo nos campos verdes da fazenda do namorado Jorginho (Gerson Brenner).

O autor propunha a união de seu peculiar universo, a praia, com o campo, conferindo a Corpo Dourado um interessante diferencial, no comparativo com suas tramas anteriores. Reexibida no Vale a Pena Ver de Novo em 2004, esta produção surpreendeu a audiência, arrebatando novos fãs - em 1998, o desempenho não foi além do satisfatório para o horário das 19h. Bons momentos de Cristiana Oliveira, Maria Luísa Mendonça e veteranos como Ana Rosa (Camila), Antonio Petrin (Ezequiel), Flávio Galvão (Orlando) e Lucinha Lins (Hilda).



Era Uma Vez... (1998), de Walther Negrão.

Para ter Álvaro (Herson Capri) só para si, Bruna (Andréa Beltrão) auxilia o sogro do veterinário, Xistus (Cláudio Marzo), a conseguir a guarda dos quatro filhos do bonitão, órfãos de mãe. Em suas investidas, Xistus contrata Madalena (Drica Moraes), babá que arrebata não só os pequenos, como também o pai - para a alegria de Pepe (Elias Gleizer), que não deseja ver o filho casado com Bruna. Também a história de Santa (Nair Bello), matriarca de uma agitada família, que conta com o atrapalhado Frei Chicão (Diogo Vilela); os imbróglios amorosos de jovens como Emília (Deborah Secco) e Filé (Cláudio Heinrich); o romance do jovem Júlio (André Gonçalves) com a já amadurecida Isaura (Myrian Rios); e a queridíssima Anita (Yoná Magalhães).

A Globo concebeu esta trama a partir de estudos que apontavam a necessidade de investimentos em teledramaturgia para o público infantil. Tal e qual Corpo Dourado, Era Uma Vez... ganhou um novo público com sua reapresentação em Vale a Pena Ver de Novo, quase nove anos após a exibição original. O destaque fica por conta de Elias Gleizer, num tipo corriqueiro em sua carreira - o do avô bonachão - e Andréa Beltrão, irrepreensível como a vilã Bruna. Ainda, os pequenos e fofos Luiza Curvo (Glorinha), Alexandre Lemos (Zé Maria), Alessandra Aguiar (Mazé) e Pedro Agum (Fafá).



Leia também