VIVA confirma exibição de Radical Chic; relembre os bastidores da atração


Prestes a completar 25 anos, Radical Chic está de volta à telinha! O Canal VIVA confirmou ao TV História a reexibição do game-show, exibido de segunda-feira a sexta-feira, nos fins de tarde da Globo, entre abril a dezembro de 1993. Ainda não há definição a respeito de estreia e horário. Mas já é tempo, porém, de revisitar os bastidores desta atração; confira!



- Fruto da mente criativa do cartunista Miguel Paiva, Radical Chic nasceu nas páginas do Jornal do Brasil, em 1982. Passou pelos quadrinhos da Folha de São Paulo, de O Estado de São Paulo e de O Globo. A trintona é conhecida por ironizar os modismos ou comportamentos que segue ou adota. O êxito da personagem acabou por convertê-la em livros, roupas e, por fim, uma série de TV.

- Foi o diretor Marcos Paulo quem, durante o Festival de Cinema de Brasília, em 1991, sugeriu a criação de um projeto televisivo para a personagem. O também ator planejava levar a linguagem dos quadrinhos para o vídeo - e chegou a estudar uma adaptação de Rê Bordosa, personagem do cartunista Angeli. Um piloto foi gravado no mesmo ano, com produção do Grupo Novo de Cinema e TV, de Minas Gerais. A Manchete demonstrou interesse na produção. Assim como a Globo, que pretendia hospedar Radical no Fantástico ou no Jornal das Onze, junção de noticiário e talk-show que substituiria o Jornal da Globo - e que acabou não saindo do papel.

- Em 1993, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, encomendou a Miguel Paiva um novo programa a partir das tirinhas de Radical Chic. A ideia veio a "casar" com a atração para o público jovem ofertada a Maria Paula, ex-VJ da MTV, que havia estreado na Globo naquele ano, cobrindo o Hollywood Rock no Rio de Janeiro.

- O formato consistia na disputa de uma equipe feminina e outra masculina, de colégios diferentes, respondendo a perguntas sobre o tema da semana, abordado em quatro esquetes estreladas por Radical. Quem acumulasse o maior número de pontos ganhava prêmios em dinheiro - podendo chegar a Cr$ 3 milhões -, passando à etapa seguinte. Fred Confalonieri dirigia o game, gravado no mesmo Teatro Fênix, do Cassino do Chacrinha (1982), Xou da Xuxa (1986) e Domingão do Faustão (1989). Já Marcos Paulo respondia pelas inserções da personagem, interpretada por Andréa Beltrão, rodadas nos estúdios da Cinédia, em Jacarepaguá, onde também eram realizadas as novelas da casa. Walter Lacet respondia pela supervisão.



- Andréa, que na época atuava em Mulheres de Areia, às 18h, também protagonizou o piloto da série, que contou com participações de Alexandre Frota e Luiz Fernando Guimarães. Este último chegou a ser cogitado, assim como Guilherme Karan, para viver um dos garçons do programa: Oliveira (Ewerton de Castro) interagia com Maria Paula no palco; Silveira (Otávio Augusto) servia de interlocutor para Radical.

- Oliveira foi substituído, posteriormente, por Figueira, vivido por Eduardo Martini - que já havia participado da atração em um dos esquetes de Radical.

- Gerson Brenner foi o primeiro ator a gravar a "porção teledramaturgia" da atração. Nomes como Anderson Muller, Eduardo Galvão, Lady Francisco e Roberto Bataglin também marcaram presença.

- Para conciliar novela e programa, Andréa Beltrão estabeleceu uma rotina de gravações que incluía quatro dias no estúdio de Mulheres de Areia e um dia a serviço de Radical Chic. A atriz ainda batia ponto aos domingos, com a reapresentação Armação Ilimitada (1985), às 10h.

- O cenário remetia a um bar dos anos 1950, com painéis geométricos e em néon. No entorno, uma plateia para 300 participantes.

- O visual de Maria Paula, contudo, era bem moderninho! Seguia o estilo grunge, com bermuda esgarçada, camisa xadrez larga e cabelo "cuidadosamente despenteado".

- A música-tema do programa fora composta por Eduardo Dusek ainda na época do projeto de série e contava com arranjos de Ricardo Ottoboni e Rodolpho Rebuzzi.



- Com perguntas "mais safadinhas" do que o Sexolândia, quadro do Domingão do Faustão, Radical Chic precisou enfrentar a 1ª Vara de Menores do Rio de Janeiro, que, na época, examinava os scripts de todas as novelas e programas que contassem com crianças e adolescentes no elenco. Além de suprimir cenas das minisséries Contos de Verão e Sex Appeal, o órgão também determinou cortes nos roteiros de 'Radical' e a supressão de palavras como "babaca" e "tesão" e de expressões do tipo "galinhar" e "ou dá ou desce".

- Para evitar maiores transtornos, a Globo passou a convocar apenas maiores de 18 anos para a atração.

- Nesta fase, a apresentadora passou a se deslocar até a plateia e trazer comentários e opiniões dos convidados para o debate no palco, ideia similar ao concorrente Programa Livre, do SBT, exibido no mesmo horário.

- A imprensa, contudo, não se alimentava da disputa entre as duas atrações. O foco de matérias a respeito do assunto era sempre a amizade de Maria Paula e Serginho Groisman, titular do 'Livre'.

- O programa seria intitulado, a princípio, como 'O Jogo da Radical Chic'.

- Veiculado após a reprise de Vamp (1991) - e posteriormente na sequência da Sessão Aventura - e antes da Escolinha do Professor Raimundo (1990), Radical Chic aumentou em aproximadamente 6 pontos a média do horário. De acordo com informações garimpadas em jornais da época, a atração registrava 20 pontos de média em São Paulo e entre 23 e 24 no Rio de Janeiro.

- A 'Escolinha', aliás, satirizou a coleguinha de grade. Zezé Macedo, intérprete de Dona Bela, vivia a Radical Xoca.

- Em setembro de 1993, esquetes e clipes protagonizados por Radical Chic foram integrados ao Fantástico, seguindo o plano inicialmente estabelecido pela emissora, em 1991.

- Após a extinção do programa, Maria Paula foi integrada à equipe do Casseta & Planeta, Urgente!.


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