Incêndio, Plano Collor, Traffic e mais: atual crise da Band não é a primeira e, provavelmente, não será a última


Diariamente na mídia e nas redes sociais se discute o futuro da Band. A emissora, no ar desde 13 de maio de 1967, passa por uma crise financeira e vem demitindo centenas de funcionários e encerrando programas há algum tempo.

Em março de 2015, por exemplo, pouca gente entendeu o fim do Agora é Tarde, então comandado por Rafinha Bastos. O talk show havia acabado de receber investimentos como novos cenários, vinhetas e quadros.



Mais recentemente, no final de 2017, que foi um ano muito difícil para a emissora, saiu do ar o Pânico na Band. Quando a trupe comandada por Emílio Surita deixou a RedeTV! e seguiu para o canal dos Saad, em 2012, sacudiu a televisão brasileira, mas perdeu o folego e deverá, pelo menos por enquanto, se concentrar na internet.

A grade atual é fortemente baseada no MasterChef e receberá investimentos em 2018, com a contratação de Cátia Fonseca e o projeto de um programa dominical para José Luiz Datena.

Apesar de duradoura, essa não é a primeira e, provavelmente, não será a última crise da Band. Vamos relembrar algumas:

Incêndio devastador em 1969



Dois anos depois de entrar no ar, a TV Bandeirantes sofreu um incêndio devastador. Grande parte de suas instalações, equipamentos e arquivos se perdeu. O proprietário, João Jorge Saad (1919-1999), rapidamente determinou: "a Bandeirantes não vai parar". E não parou mesmo. Apesar dos prejuízos de 15 milhões de cruzeiros, a emissora foi reconstruída e sobreviveu ao grande percalço.

Contratação de Walter Clark



Em 1980, a TV Tupi saiu do ar. A Bandeirantes viu aí uma excelente oportunidade de se firmar no segundo lugar do ranking dos canais. A Globo era imbatível e a Record era carta fora do barulho há alguns anos - SBT e Manchete ainda não estavam no ar. Em 1981, a Band contratou Walter Clark (1936-1997) para viabilizar esse crescimento.

Clark é um dos maiores nomes da história da televisão brasileira, sendo um dos responsáveis pelo crescimento da Globo nos anos 1960 e 1970, ao lado de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.

Vários programas foram lançados e outros, que até faziam sucesso, foram tirados do ar ou mudaram de horário. Walter Avancini (1935-2001) foi demitido do núcleo de novelas e Cláudio Petraglia pediu demissão da superintendência de programação.

Clark trouxe fieis escudeiros da época da Globo para essas e outras posições. "Ninguém deve esperar de mim milagres ou lances de gênio. Meu trabalho aqui é de montagem de uma infraestrutura mínima de programação, no departamento comercial e administração", sintetizou em entrevista à época, já prevendo os problemas que enfrentaria.

Muito dinheiro foi investido e pouco retorno obtido. Em alguns meses, Clark deixou a emissora, que precisou se reerguer e administrar os prejuízos, tanto financeiros como no Ibope. A partir de 1983, se fixou como o canal do esporte, numa estratégia bem-sucedida por vários anos.

Plano Collor



Uma das crises mais complicadas vividas pela Band foi durante o Plano Collor, anunciado em 16 de março de 1990. Aliás, não somente pela emissora, mas por todos os canais, inclusive a Globo.

A Band foi uma das emissoras que mais sentiu as medidas do governo. Demitiu 108 funcionários ligados às áreas técnica e de produção de shows e tirou do ar o humorístico semanal Bronco, com Ronald Golias (1929-2005).

"Com essas medidas, a emissora pretende se adaptar à queda de 30% da receita publicitária acarretada pelo Plano Collor", informou texto de Sônia Apolinário na Folha de S.Paulo de 18 de abril de 1990.

"A Bandeirantes cortou a produção nas áreas que não eram prioritárias. Dificilmente faremos a linha de shows daqui para a frente", informou o então diretor-geral da rede, Rubens Furtado (1931-2011). "O mercado é que vai determinar novas medidas a serem adotadas", completou.

A reportagem informou que a Band esperava fechar o mês de abril com uma queda de 20% no volume de anunciantes. "Por enquanto, nossa situação é administrável. Nosso objetivo é dar uma melhor opção de programas, tanto para o público, quanto para os anunciantes. Só dessa forma poderemos evitar a necessidade de mais demissões futuras", disse o então superintendente comercial, Paulo Saad.

Parceria com a Traffic

Em abril de 1999, a Band extinguiu seu núcleo de novelas, que havia produzido nos anos anteriores tramas como Serras Azuis e Perdidos de Amor, demitindo 80 pessoas. Um infantil de Flávio de Souza, Gran Circo Marimbondo, teve a estreia adiada - e nunca foi ao ar. Pouco depois, o canal fechou parceria com a Columbia Tristar, da Sony, para produzir séries, como A Guerra dos Pintos e Santo de Casa. As produções não decolaram e duraram pouco.



Além disso, no mesmo ano, a Band terceirizou seu departamento de esportes para a Traffic, de J. Hawilla. Com isso, programas como o lendário Show do Esporte, foram reformulados e perderam força. A atração definhou até ser tirada definitivamente do ar, em abril de 2004.

A Band deixou de transmitir campeonatos e perdeu o status de canal do esporte. Viu o espaço ser ocupado pela Record a partir de 2002. Somente em 2007 que a emissora retomou a parceria com a Globo nas transmissões do futebol nacional, interrompidas novamente em 2016.


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