Escolha de participantes denota novelinha que Mr. Edição pretende lançar no BBB18; família Lima soa desnecessária


Estamos na 18ª edição do Big Brother Brasil. A esta altura, já podemos afirmar que o brasileiro é tão escolado no reality quanto a equipe de produção - ou até mais, uma vez que a investigação nas redes sociais dos participantes, para ficarmos apenas em um exemplo, tem se revelado mais eficaz do que as tais entrevistas que os responsáveis pelo programa realizam, acompanhados de psicólogos e afins.



Escarafunchando a vida de cada um, antes do início do confinamento, tomamos ciência do que devemos esperar. Evidente, por exemplo, que entre uma imunidade e uma quantia em dinheiro, o brother Caruso optaria pela segunda oferta - nada contra, claro. O rapaz já parecia ambicioso "fora de casa": em suas redes sociais oferecia, talvez "na brincadeira", falsas carteirinhas de estudante. A prática, condenável, costuma render um bom lucro.

No VT de apresentação, contudo, nenhuma referência a esta faceta do rapaz; Caruso é um moço de família, apegado ao lar. Assim como Breno, Lucas, Viegas e Wagner. Em contrapartida, temos Ana Paula, Jaqueline, Jéssica, Patrícia e Paula: mulheres que "pegam, mas não se apegam", que "curtem a balada" até o raiar do dia, que criam filhos e negócios com a incomparável habilidade.

A escolha dos participantes já demonstra a intenção do Mr. Edição. Se no ano passado a aposta foi no "tiozão que protege a garotinha" - num tiro que, hoje é possível afirmar sem medo, saiu pela culatra -, o jogo agora envereda pela linha "donas de seus narizes x filhinhos da mamãe". O clima, contudo, está mais para "guerra dos sexos". Os rapazes, vestindo a carapuça de "sexo frágil", se uniram para a primeira prova, que definiu os grupos 'Tá com tudo' e 'Tá com nada'. Ganharam o direito de desfrutar uma dieta rica; e a antipatia da mulherada e das redes sociais.

Ainda sobre tipos: Ana Paula já desponta como a mais irritante das sisters, justamente por apostar numa figura que (quase) sempre funciona na casa, a da encrenqueira. De voz e postura irritantes, a moça que se diz "bruxa" espelhou o ar provocativo de sua xará, Ana Paula Renault, do BBB16. Não desfruta, porém, do brilho da jornalista mineira que sacudiu a edição da qual participou - e que respeitava os comandos de Pedro Bial, coisa que ela não fez com Tiago Leifert. Exagerada, proferiu "tudo que vai, tem volta", para os adversários, na primeira hora de confinamento. Parecia estar discutindo com alguém (talvez com ela mesma); só faltou o famoso "o Brasil tá vendo".

Na contramão, despontam como figuras que "o Brasil quer ver" os excluídos da primeira prova: a cientista política Mara, o escritor Diego e estudante Gleici - que, as redes sociais também descobriram, condenou a Globo tempos atrás, contrária às supostas posições políticas da emissora. Também o sexólogo Mahmoud e o sírio Kaysar. Num BBB de tantos iguais, talvez o grande charme fique mesmo por conta dos diferentes.

Reservo o último parágrafo para a família Lima, centro de uma polêmica que movimentou o Twitter no primeiro dia de confinamento. Um vídeo do pai, Ayrton, simulando ato sexual enquanto deitado sobre a filha, Ana Clara, incitou usuários das redes sociais a exigirem a saída do brother. A Globo, preocupada em apagar o primeiro incêndio desta edição, exibiu o take todo, dentro do contexto - o pai estava dançando o hit 'Sua Cara', de Anitta e Pablo Vittar. Nada foi dito, porém, a respeito de outras cenas, como a de pai e filha bastante próximos na piscina. Independente da polêmica, a família Lima, novidade do BBB18, é o que o reality tem de mais desinteressante - dois membros permanecem na casa como se fossem um só participante. Original? Nem um pouco. Além da ideia falha, a escolha soa equivocada: pai e filha anseiam a fama, abusando da paciência do público com suas tentativas de atraíram as câmeras e conquistarem votos; a mãe Eva e o sobrinho Jorginho não demonstram nada além de desinteresse. Já tínhamos elementos necessários para uma boa novela. Poderíamos passar bem sem este núcleo.


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