Saída de Isabela Garcia da Globo evidencia política de cortes "confusa" do canal


Eu mal entendia de TV quando, aos quatro anos, fiquei fascinado pela bela figura de Isabela Garcia em Lua Cheia de Amor (1990). Protagonista da trama das 19h, Isabela era coadjuvante, sempre, na minha cabecinha - que só pensava em Xuxa Meneghel, a rainha das minhas manhãs, e Malu Mader, atriz que "enchia a tela", no sentindo de agigantá-la mesmo, na reprise de Top Model (1989) em Vale a Pena Ver de Novo e na trama das 20h, O Dono do Mundo (1991).



Tempos depois, lá estava eu outra vez vidrado em Isabela, agora como a assassina do maquiavélico Jorge Candeias de Sá (Fábio Assunção). Sua Lúcia (foto acima) não chegava a aterrorizar as crianças que acompanhavam Sonho Meu (1993), folhetim das 18h, embora fosse bem "chatinha". Isabela conseguia imprimir empatia ao tipo antipático - só tenho discernimento sobre isto hoje -, o que me fazia torcer para que a moça saísse ilesa de seus maus-feitos.

De lá pra cá, acompanhei Isabela nos pequenos e grandes trabalhos - da apagada Oneide, de Andando Nas Nuvens (1999), à efusiva Eliete, de Celebridade (2003). Ontem (1°), a atriz surpreendeu a todos com um post no Instagram, no qual comunicava sua saída da Globo, após 46 anos de casa. Lá, pisou pela primeira vez aos quatro anos. "A partir de hoje, sigo meu caminho por outra estrada". Disse a enigmática Isabela, sem deixa claro se saiu do canal por vontade própria ou não.

Segundo o jornal Extra, do Grupo Globo, o contrato da atriz não foi renovado. Ou seja: dispensa. Tudo bem. Os tempos estão bicudos, até para uma das maiores emissoras de televisão do mundo. Perder contrato fixo não é exclusividade de Isabela - Carolina Ferraz, Fernanda Vasconcellos, Fernanda Souza e Maitê Proença também foram incluídas na lista de cortes. O que incomoda, digamos assim, é o descaso com a história de Isabela Garcia. E a falta de perspectivas para atores e atrizes na TV aberta.

Com o SBT produzindo apenas uma novela a cada dois anos - ou mais; lá vem As Aventuras de Poliana e seus já anunciados 500 capítulos - e a Record TV submetendo seu elenco aos ditames da Igreja Universal, o que esperar para a carreira de Isabela Garcia e tantos outros agora? A TV fechada e as plataformas on-demand são opções, claro. Mas há uma grande parcela do público que ainda anseia pelo seu ídolo nas novelas, o produto de maior penetração entre os brasileiros.

Há quem diga que Isabela Garcia estava fora do ar há tempos - sua última novela inteira, descontando Malhação - Casa Cheia (2013), foi Lado a Lado (2012). Ora, se o critério é a improdutividade, podemos listar outros tantos nomes, de menor talento, na folha de pagamento da emissora, recusando convites a todo tempo. Ou pior: emendando trabalhos, mas mantendo sempre a mesma nota. Entendo a necessidade de cortes. Não entendo os critérios.


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