Entre justos vencedores, APCA valorizou merecidamente A Força do Querer e Sob Pressão


Após um polêmico Melhores do Ano, rendendo discussões em cima do merecimento de alguns vencedores da premiação do Domingão do Faustão, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) elegeu os melhores de 2017 na Televisão em sete categorias durante uma reunião realizada na noite desta segunda-feira, 11.



A cerimônia de entrega será realizada no primeiro semestre de 2018, durante a 61° edição do evento, que também premia os melhores em Teatro, Artes Visuais, Música Popular, Literatura, Dança, Cinema, entre outros.

A Força do Querer ganhou merecidamente como Melhor Novela, pois seu sucesso é incontestável e honrou o melhor trabalho de Glória Perez. Inspirada, a autora presenteou o telespectador com uma história envolvente e repleta de bons personagens, além do elenco ter sido muito bem escalado.

Porém, três concorrentes da categoria também fizeram jus ao prêmio. Novo Mundo foi uma primorosa novela das seis e mereceu os aplausos de público e crítica, mesclando a história do Brasil com uma deliciosa ficção, que contou até com piratas e muitas cenas de aventura. Rock Story, apesar da barriga da metade pro final, mostrou-se uma ótima trama das sete e Malhação - Viva a Diferença (embora não seja novela) vem colhendo elogio atrás de elogio com honras. Só a fraca Os Dias Eram Assim que não merecia ter concorrido, pois foi uma decepção.

Sob Pressão faturou o troféu de Melhor Série/Minissérie e não poderia ser diferente. A história derivada do filme homônimo, baseada no livro Sob Pressão - A Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro, dirigida por Andrucha Waddington, impressionou pelo realismo e conseguiu superar o longa. O enredo retratou a precariedade da saúde pública do país com precisão, mesclando com ótimos conflitos em torno de excelentes personagens e um elenco de peso.

Júlio Andrade e Marjorie Estiano arrebataram o público com a rotina dos dedicados médicos Evandro e Carolina, formando ainda um lindo casal. Não por acaso a série ganhou uma segunda temporada que tem tudo para ser tão boa quanto a primeira. A série concorreu com as também merecedoras Dois Irmãos (Globo), Filhos da Pátria (Globo) e Um Contra Todos (Fox/Conspiração), além da controversa 3% (Netflix).

E por falar em Júlio Andrade, o protagonista da produção ganhou o prêmio de Melhor Ator com honras. Ele, coincidentemente, também protagoniza a citada Um Contra Todos e esse troféu acaba equivalendo ao seu desempenho irretocável nessa produção e em Sob Pressão. Ou seja, um reconhecimento incontestável.

Um intérprete que tem uma longa carreira no cinema e não havia tido ainda grandes oportunidades na televisão até o surgimento das tramas mencionadas.
Concorreu com os ótimos Daniel de Oliveira (Os Dias Eram Assim), Tonico Pereira (A Força do Querer), Tony Ramos (Vade Retro/Tempo de Amar) e Marco Ricca (Os Dias Erram Assim).



Já Juliana Paes ganhou como Melhor Atriz pelo seu show em A Força do Querer, vivendo o seu melhor momento na carreira na pele da dúbia Bibi Perigosa. Ela ficou claramente decepcionada pela derrota no Melhores do Ano e agora pode comemorar o reconhecimento dos críticos, valorizando seu talento e sua entrega na história de Glória Perez.

Acaba sendo também um aplauso ao seu trabalho na minissérie Dois Irmãos, onde viveu a passional Zana. Concorreu com as igualmente talentosas Elizângela (A Força do Querer), Paolla Oliveira (A Força do Querer), Carol Duarte (A Força do Querer) e Marjorie Estiano (Sob Pressão).

Luiz Fernando Carvalho faturou na categoria Melhor Diretor pelo seu trabalho em Dois Irmãos, imprimindo sua estética característica na minissérie de Maria Camargo, baseada no conto de Milton Hatoum. Seu cuidado com o elenco também ficou evidente, extraindo tudo o que podia dos atores, implicando em uma entrega visceral de todos. Tanto que não teve um intérprete que não tenha emocionado. Concorreu com os também merecedores Vinícius Coimbra (Novo Mundo), Rogério Gomes e Pedro Vasconcelos (A Força do Querer), Andrucha Waddington e Mini Kerti (Sob Pressão), e Dennis Carvalho e Maria de Médicis (Rock Story).

A querida Tatá Werneck ganhou como Melhor Apresentadora e quem viu seu desempenho no Lady Night, melhor programa do canal a cabo Multishow atualmente, concorda totalmente com a escolha. Rápida e criativa, Tatá comanda a atração com habilidade e consegue deixar todos os convidados à vontade, não se importando em debochar de si mesma. Reconhecimento justo. Ela concorreu com os igualmente competentes Pedro Bial (Conversa com Bial), Fábio Porchat (Programa do Porchat), Fátima Bernardes (Encontro) e Fernanda Lima (Amor & Sexo/Popstar).

O Terra Dois, da TV Cultura, ganhou como Melhor Programa e a união de dramaturgia e reflexão faz jus a esse prêmio. Comandado pela atriz Bete Coelho e pelo psicanalista Jorge Forbes, o formato se mostra um acerto para o público do canal, discutindo temas importantes. Concorreu com as também boas atrações de debates, como Estúdio I (GloboNews), Papo de Segunda (GNT) e Bipolar Show (Canal Brasil), além do excelente Profissão Repórter (Globo).

O APCA de 2017 se mostrou muito justo nas premiações em torno dos produtos da Televisão, mesmo com pequenas controvérsias sobre algumas indicações, como Tonico Pereira no lugar de Vladimir Brichta (Rock Story) e Carol Duarte no lugar de Letícia Colin (Novo Mundo), por exemplo. Ao menos todos os vencedores fizeram por merecer e a premiação segue como uma das mais sensatas do meio, tendo valorizado com A Força do Querer e Sob Pressão esse ano.


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