Em 2003, SBT lançou Canavial de Paixões no dia da estreia de Celebridade; relembre trama e bastidores



A Globo estreia hoje (4) o novo cartaz do Vale a Pena Ver de Novo: Celebridade (2003) ocupa a faixa vespertina, substituindo Senhora do Destino (2004) - que, mantendo o esquema "dobradinha" empregado nos últimos anos, chega ao fim na próxima sexta-feira (8). E não vai dar para não voltar a 2003, ano em que, tendo apenas o colégio como compromisso, acompanhava todas as novelas, de todas as emissoras, no horário de exibição ou em gravações - nas "aposentadas" fitas VHS.



Foi o que fiz para conferir as estreias praticamente simultâneas de Celebridade e Canavial de Paixões, no SBT, num já longínquo 13 de outubro. Ritual, aliás, que repeti por várias noites... Diante da confirmação da trama de Gilberto Braga no 'Vale a Pena', dois meses atrás, logo surgiu uma esperança mínima de reviver este tempo com, sei lá, um novo repeteco do folhetim de origem mexicana nas tardes do canal de Silvio Santos. Tudo bem que por lá estão optando pelas tramas latinas - até preparei uma lista com sugestões, aqui! -, mas não custa torcer, né?



Canavial de Paixões partia de um engano: Tereza (Débora Duarte) desconfiava que o marido Amador (Victor Fasano), dono do grupo usineiro Giácomo, estava de caso com Débora Feberman (Cláudia Ohana). Esta, por sua vez, era muito bem casada com Fausto Santos (Jandir Ferrari). Eis que Amador e Débora morrem num acidente de carro; a irmã invejosa dela, Raquel (Helena Fernandes) - verdadeira amante do marido de Teresa - acaba se unindo a Fausto. As divergências entre os adultos impede a convivência dos pequenos Paulo (Giovanni Delgado), filho do casal Giácomo, e Clara (Rayanna Vidal), herdeira dos Feberman Santos.



Paulo e Clara se reencontram já adultos - então vividos por Gustavo Haddad e Bianca Castanho -, e, apaixonados, lutam contra as intrigas de Teresa, de Raquel e de Agenor (Oscar Magrini), funcionário da usina. Ainda, lidam com os interesses românticos de Mirela (Ana Cecília Costa), neta da curandeira Remédios (Wanda Sthepânia), e de João de Deus (Thierry Figueira), afilhado do padre Antônio (Jonas Mello).

Bastidores

A trama, original de Caridad Bravo Adams, já era conhecida dos brasileiros quando o SBT a adaptou: em meados dos anos 1990, a CNT / Gazeta selou um acordo com a Televisa; dentre as novelas adquiridas, Cañaveral de Pasiones, que, por conta de uma greve de dubladores, chegou a ir ao ar com legendas.



No início de 2002, o departamento de teledramaturgia do canal da Anhanguera ensaiou adaptá-la pela primeira vez. Mas como as gravações não coincidiram com a época do corte de cana - e Silvio Santos queria dar uma protagonista para Bárbara Paz, campeã da Casa dos Artistas (2001) -, o enredo foi adiado para o segundo semestre. Eis que a Globo estreou a também ruralista Esperança; temendo comparações com a emissora-líder, o SBT protelou novamente a produção.

Canavial de Paixões acabou substituindo a fraquíssima Jamais te Esquecerei (2003), novela combalida pelas agitadas negociações entre o dono do SBT e os executivos da Televisa. Silvio havia pedido uma revisão do acordo com os mexicanos, devido à alta do câmbio - os textos eram comprados em dólar. Sem êxito, as adaptações ficaram sob ameaça, por um breve período.



De contrato renovado, teve início a escalação de elenco. Dentre os nomes cotados para 'Canavial': Natália Lage, André Gonçalves, Raymundo de Souza e Daniela Duarte (filha de Débora). Entre os testados: Suzana Alves (a Tiazinha, da Band), Luiza Ambiel (da banheira do Gugu), Edward Boggis e Igor Cotrim (recém-saídos da série Sandy & Junior), Patrícia Coelho e Rafael Vannucci (ex-Casa dos Artistas) e a ex-BBB Leka. Também Bruno de Luca, Quitéria Chagas, Ricardo Macchi - o eterno Cigano Igor, de Explode Coração (1995) - e Priscila Borgonovi, ex-mulher de Fábio Assunção, escalada para Estela, noiva de Paulo, extirpada do roteiro, antes do início das gravações, em razão de uma desacerto com a atriz.

Paulo Betti foi o primeiro nome cogitado para Amador, que acabou interpretado por Victor Fasano. Além de atuar, Fasano assumiu a responsabilidade, em contrato, de fazer a divulgação da novela. Como uma espécie de "embaixador", ele fez um tour pelas atrações do SBT, propagandeando os méritos de Canavial de Paixões (que eram muitos). O elenco reservava outras curiosidades: Helena Fernandes atuou grávida de seu segundo filho com José Alvarenga Jr, diretor artístico da Globo; já Marcelo Médici (o aprendiz de vilão Osvaldo) era egresso do humorístico A Praça é Nossa, que havia acabado de dispensá-lo por conta de uma política de cortes.



- O Ministério da Justiça classificou 'Canavial' como imprópria para menores de 14 anos "por conflitos psicológicos e desvirtuamento de valores éticos". O selo impedia a veiculação da novela no horário inicialmente previsto pelo SBT, 20h30. A emissora recorreu.

- A novela contou com locações em Iracemápolis - região entre Limeira e Piracicaba, no interior de São Paulo. Para a fictícia São Bento dos Canaviais, a produção montou uma réplica da usina de açúcar da cidade "real", destaque na cidade cenográfica de cerca de 2.500m². Ainda uma praça similar à Praça Buenos Aires, também vista em Iracemápolis. Os cenários ocupavam dois estúdios, de 850m² cada, com seis espaços fixos e capacidade para mais quatro, montados conforme a necessidade da produção. Os capítulos eram orçados em R$ 90 mil.



- 'Incêndio no canavial', tema de abertura, foi a primeira composição de Moacyr Franco - demitido pelo SBT recentemente - para uma novela. A canção foi gravada por ele em parceria com a dupla Sérgio e Júnior.

- A estreia de Canavial de Paixões registrou 11 pontos. A novela chegou ao fim com médias em torno de 14 pontos.



- Três títulos foram pensados para substituir 'Canavial', em março de 2004: Os Ricos Também Choram (1979, adaptado em 2005), Império de Cristal (1994) e A Outra (2002). Por questões de custos, a produção desta última - que contaria com Mel Lisboa em papel duplo - acabou suspensa. O SBT optou pela exibição do folhetim original.

- Canavial de Paixões foi reapresentada em três ocasiões. Às 15h, em 2005 e 2012. E no seu horário original, como substituta da inédita Uma Rosa Com Amor, em 2010 - com "mais ritmo e menos capítulos": os 118 originais foram condensados em 87.

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