Apocalipse estreia com choque de estilos, bons efeitos e atuações fracas



A nova novela bíblica da RecordTV estreou promovendo um choque de estilos. Ao contrário de suas antecessoras desde Os Dez Mandamentos (a história religiosa de maior sucesso da emissora), que seguiam a ambientação de época, com figurinos exóticos, Apocalipse veio com a missão de trazer a passagem do fim dos tempos (e o retorno de Jesus Cristo) para os dias atuais, através de desastres naturais, crimes e outras desgraças.



Assinada por Vivian de Oliveira, a ousada trama apostou em um tom diferente do estilo grandiloquente de suas antecessoras, com ares sombrios e de mistério. Logo no começo - que se passa no fim dos anos 80, um tsunami na Indonésia matou alguns personagens. Os efeitos da sequência impressionaram, especialmente aqueles em que a praia era engolida pela força das águas.

Algumas cenas depois, seguiu-se uma investigação de crimes com ligações que remetem a uma seita satanista. A perseguição policial que se seguiu foi o melhor momento do capítulo e empolgou, ainda mais usando carros antigos como Opala, Fusca e Monza. Sequências muito bem feitas.

Em paralelo a tudo isso, seguiu-se o encontro de Débora (Manuela du Monte/Bia Seidl) e Adriano (Felipe Cunha/Eduardo Lago). A paixão entre o casal terá como fruto o arrogante Ricardo (Sérgio Marone), grande vilão da novela, que representará a figura do Anticristo - que no primeiro capítulo apareceu através de uma fumaça preta -, responsável pelas desgraças que se abaterão sobre os personagens no futuro.

A julgar pelo primeiro capítulo, a pegada é realmente muito diferente de suas antecessoras. Uma atmosfera mórbida e muito pesada, mais forte até mesmo que a atual novela das 21h da Globo, O Outro Lado do Paraíso, que frequentemente tem sido criticada pelo excesso de tensão, embora com enredos e contextos bem diferentes.

A ideia de trazer a mensagem bíblica para os tempos de hoje foi um grande acerto, uma vez que a sequência de quatro tramas de época dava a inevitável impressão de que o público estava vendo a mesma novela, tamanha a semelhança dos figurinos e dos nomes de difícil pronúncia. Agora, o ritmo lembra mais grandes filmes e séries de catástrofes, em especial O Impossível - citado como referência para a sequência do tsunami e inspirado na onda gigante que destruiu parte da Indonésia em 2004.

Visualmente, a fotografia também chamou atenção pelo impressionante impacto. A parceria da emissora com a produtora Casablanca, que passou a administrar os estúdios anteriormente conhecidos como RecNov, contribuiu muito para esta evolução visível. Belíssimas imagens de Jerusalém, Nova York e do Rio de Janeiro (três das cidades onde a novela é gravada) rechearam o capítulo.

Em contrapartida, a direção de atores decepcionou bastante. Com exceção de nomes como Carolina Oliveira, Manuela du Monte e Jussara Freire, praticamente todos que apareceram nesta estreia não convenceram. Nem mesmo a consagrada Lucinha Lins, uma das estrelas mais valorizadas pela TV paulista, conseguiu escapar. Também ficou incompreensível a narração de Sérgio Marone - não se sabe se por problemas no áudio ou falha do ator. O texto de Vivian de Oliveira, que em Os Dez Mandamentos cansou pelo tom excessivamente doutrinador, desta vez não comprometeu.

A abertura, trazendo referências a grandes desastres mundiais - inclusive sugerindo um ataque ao Congresso Nacional em Brasília -, repetiu um problema também visto na novela de Walcyr Carrasco: os atores são creditados em letras quase ilegíveis e, em alguns casos, são agrupados em listas muito grandes, que aparecem muito rápido. Em algumas telas, há em torno de impressionantes vinte nomes numa só lista.

Apocalipse, a julgar pela sua estreia - que marcou 13 pontos, superando o último capítulo de O Rico e Lázaro - tem potencial para ser outro grande sucesso da RecordTV. Com boas impressões visuais e enredo forte, a novela acerta ao romper com o padrão bíblico vigente até então.

A chegada das outras fases promete trazer nomes competentes como Bia Seidl, Eduardo Lago, Selma Egrei, Joana Fomm, Flávia Monteiro e Henri Pagnoncelli. Espera-se que também a direção de atores possa corrigir a impressão negativa e permitir um melhor desempenho da maioria de seus intérpretes.

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