Maior sucesso de Lucélia Santos, Escrava Isaura inicialmente seria vivida por outra atriz



É difícil falar de Escrava Isaura, sucesso da Globo de 1976/1977, sem pensar em Lucélia Santos, certo? Pois saiba que o papel de maior sucesso da carreira da atriz, que a tornou conhecida em diversos países, especialmente na China, era para ter sido de outra artista.



Nota do jornal O Globo de 15 de agosto de 1976 anunciava: a Globo havia batido o martelo e a protagonista de Escrava Isaura havia sido definida. Seria Débora Duarte, que integrava o elenco de Anjo Mau. "Confirmado o seu nome na tarde de sexta-feira, o autor Gilberto Braga e o diretor Herval Rossano (1935-2007) reuniram-se nesta mesma tarde para decidirem o resto do elenco", destacou a publicação.

Mas não foi possível para a atriz atender à escalação da emissora. Aos 26 anos, casada com o cantor Antônio Marcos (1945-1992), Débora Duarte estava morando em São Paulo e grávida. Em 21 de junho de 1977, nasceria a futura atriz Paloma Duarte.



A própria Débora conta o fato no livro "Débora Duarte - Filha da televisão", de Laura Malin. "Eu estava namorando o Toninho e engravidei da Paloma. A mídia explorou bem o assunto, o que me deixou chateada, mas, enfim, pelo Toninho ter uma veia mais popular também se falava bastante. A gente nunca posou para nada. O que saiu, saiu porque saiu. O Boni me escalou para fazer Escrava Isaura, mas eu já estava grávida da Paloma e o Toninho não podia mudar de São Paulo, aí eu acabei não fazendo para ficar em São Paulo até o nascimento dela".

Na mesma publicação, a atriz conta que não ficou muito tempo sem trabalho. "Meses depois do seu nascimento, a Tupi me chamou para fazer O Profeta. Acho que foi um dos últimos grandes sucessos da emissora, que já estava com problemas financeiros e sofrendo com a pressão que a Globo vinha fazendo", relembrou. A atriz só voltaria para a emissora carioca em 1980, quando viveu a polêmica Catucha de Coração Alado.

Escrava Isaura retratava a luta abolicionista no Brasil, tendo como fio condutor uma paixão doentia: a do senhor de escravos por uma cativa de pele alva. A novela, exibida entre 11 de outubro de 1976 e 5 de fevereiro de 1977, em 100 capítulos, no horário das seis, foi uma adaptação do romance de Bernardo Guimarães, a partir de sugestão de uma antiga professora de português de Gilberto Braga.

Com a recusa de Débora Duarte, Lucélia Santos foi escolhida para o elenco da trama. Herval Rossano a convidou após assistir o desempenho da atriz na peça Transe no 18. Antes, porém, o autor chegou a sugerir o nome de Louise Cardoso, também estreante; a atriz só despontaria na TV em 1978, com Gina, outra produção das 18h.

Vale lembrar que a Record também produziu uma versão da história, A Escrava Isaura, entre 2004 e 2005, com Bianca Rinaldi no papel principal e o mesmo Rossano na direção geral.

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