Há 20 anos, abertura de A Indomada deu bastante dor de cabeça à Globo



Exibida entre 17 de fevereiro e 10 de outubro de 1997, em 203 capítulos, A Indomada foi um sucesso! Estrelada por nomes como Adriana Esteves, José Mayer e Eva Wilma, a trama de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares cativou o público e é lembrada até hoje nas solicitações de reprise do Vale a Pena Ver de Novo e do canal VIVA.

Mas a sua abertura deu muita dor de cabeça para a Globo. A vinheta foi estrelada por Maria Fernanda Cândido, que, na época, ainda não era atriz da casa. Ela estava com um vestido vermelho e cabelos soltos, correndo por um solo árido. De repente, se transformava em elementos como fogo, água e pedra para vencer barreiras que surgiam em seu caminho. Por onde ela passava, brotava um grande canavial.



O problema foi, basicamente, interno. Os autores simplesmente não gostaram da combinação entre a criação visual de Hans Donner e a música escolhida - 'Maracatudo', de Sérgio Mendes.

Nas duas primeiras semanas, o tema foi somente instrumental. Atendendo pedido dos autores, o diretor artístico Paulo Ubiratan (1947-1998), em parceria com a equipe de Mariozinho Rocha, fez uma alteração: as vozes da versão original da música passaram a ser ouvidas. Mesmo assim, os autores ainda não ficaram totalmente satisfeitos.

"Pelo que ouvi, ninguém gostou. A abertura é ruim, não tem a ver com a novela. Esperava algo mais rural. O fato de não ter música me deixou chocado. Agora mudou um pouco, mas tão pouco que não adiantou", disse Aguinaldo Silva ao jornal O Globo em 2 de março de 1997.

Na mesma matéria, Linhares também reclamou: "Levei um susto. A abertura é fria, e a novela é quente. O romance ou a comédia teriam sido os melhores caminhos".



Também ao jornal, Hans Donner defendeu sua obra: "Acho que nossa equipe conseguiu resumir a ideia da sinopse: mostrar a protagonista como uma mulher ligada à natureza, e que precisa ultrapassar vários obstáculos, mas que é tão forte que nada a detém. Aliás, não acho que a abertura seja fria: além de uma mulher, usamos fogo, água e plantas de verdade conjugados com os recursos da tecnologia. O problema é que as pessoas me chamam de mago da computação gráfica, e às vezes, não acreditam que eu utilize imagens reais".

O designer também explicou que não interferia na parte musical. "O departamento de efeitos visuais e o de sonorização trabalham separadamente, mas quando os dois acertam, o trabalho ganha uma força incrível. Em Água Viva, por exemplo, as imagens dos barcos no mar não eram muito boas, mas a sonorização usou Menino do Rio, do Caetano Veloso, e foi um sucesso", relembrou.

"Nosso trabalho é fazer embalagens para os produtos, e tentamos fazer sempre algo diferente. Mas se o tema é o mesmo, não temos como fugir completamente deles. Além disso, depois de tantos anos vendo mulheres se transformar em outras coisas e as agulhas costurarem magicamente, as pessoas começaram a cobrar mais", completou Donner.

Para completar, quando foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo, entre 16 de agosto de 1999 e 17 de março de 2000, o tema de abertura foi trocado: saiu 'Maracatudo' e entrou a música 'Unicamente', na voz de Deborah Blando, tema da protagonista Lúcia Helena (Adriana).

Confira os vídeos:

Primeira versão da abertura, somente com a versão instrumental de Maracatudo:



Segunda versão da abertura, com a versão original da música:



Versão utilizada na reprise do Vale a Pena Ver de Novo, entre 1999 e 2000:

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