A Copa em que Silvio Luiz deixou a Globo "sem som"



A Copa do Mundo de 1982, sediada na Espanha, mostrou ao mundo uma das melhores seleções já vistas: Zico, Sócrates, Falcão, Junior, entre outros, encantaram a todos com seus belos dribles e gols. Sem sombra de dúvidas, esse foi um time mágico sob o comando de Tele Santana.



Além do time de ouro, essa Copa contou com um fato curioso: os telespectadores deixaram a televisão no mudo e aumentaram o som do rádio.

A Globo teve total exclusividade na Copa, deixando a TV Cultura e a TV Educativa do Rio retransmitirem os jogos simultaneamente, assim o evento atingiria quase todo o país. Essa exclusividade foi uma conquista graças à norma da OTI (Organização da Televisão Iberoamericana), dona dos direitos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que vendia as concessões dos eventos para as emissoras aqui no Brasil e em outros países.

Segundo a norma da OTI, a emissora que transmitiria a Copa de 1982 seria a mesma que exibiu as Olimpíadas de 1980, de Moscou. E a Globo havia conseguido os direitos dos jogos olímpicos e, portanto, levado a Copa sozinha, apenas cedendo a retransmissão.

Foi a maior equipe que a Globo reuniu em uma Copa do Mundo. Inovando com a câmera exclusiva e montando uma estrutura incrível, o canal deixou as emissoras do mundo todo de boca aberta. Até mesmo os uniformes eram estilizados, com peças assinadas pelo estilista Clodovil.

Naquela época, a TV Record era uma emissora com baixa audiência e com pouca relevância no mercado televisivo, porém, a Rádio Record tinha força, tanto no AM quanto no FM, e contava com um grande narrador na equipe: Silvio Luiz.

Silvio já era bem conhecido e querido pelo público na época: seus bordões como "pelas barbas do profeta!", "pelo amor dos meus filhinhos! e "olho no lance!" já faziam parte de suas narrações que agitavam o dial da Record.

Paulinho Machado de Carvalho, diretor do Rádio Record, teve a ideia de comprar os direitos da Copa para a rádio e mandou sua equipe diretamente para a Espanha, lançando a campanha "Abaixe o volume da tevê e acompanhe a Copa pela rádio".

A Record investiu fortemente nessa campanha, espalhando outdoors por São Paulo e anunciando em jornais e revistas. Era uma estratégia nova e corajosa, pois o saudoso Luciano do Valle narrava os jogos da seleção pela Globo e Galvão Bueno transmitia os outros jogos em sua primeira Copa também na emissora carioca.

Apesar disso, o resultado deu certo para a Rádio Record: a emissora triplicou sua audiência e os telespectadores abaixavam o volume da televisão e acompanhavam os jogos da seleção sob o comando de Silvio Luiz, que também tinha na equipe nomes como Pedro Luiz Paoliello, Flávio Prado, Ely Coimbra e Ronny Hein.

Para a Globo e para a Rádio Record, os resultados foram ótimos, menos para a seleção, que perdeu nas quartas de final para a Itália por 3X2, abandonando o sonho do tetracampeonato.

Esse fato curioso marcou a carreira de Silvio Luiz, que levou, com seu jeito único, a Copa para milhões de pessoas pelas ondas do rádio e criando, assim, um costume que muitos adotaram: abaixar o volume da televisão e ouvir o jogo pela sua rádio favorita.

Tanto no rádio, quanto na televisão, o talento e o bom humor de Silvio Luiz são únicos.

Ouça aqui trechos da transmissão da Radio Record, postado pelo amigo Edu Cesar:


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