"Desmanche" do SBT Brasil é mais uma amostra do desprezo de Silvio Santos pelo jornalismo



É de se preocupar a movimentação em torno do SBT Brasil. Informações que circulam na imprensa dão conta da inquietude de Silvio Santos com relação ao conteúdo do telejornal, hoje estabilizado na faixa das 19h45 e pontuando muito bem, estando constantemente à frente da Record, principal concorrente no horário. O "patrão" quer um telejornal todo centrado no factual, o chamado "hard news", derrubando pautas mais frias, o que implicou até mesmo na extinção da previsão do tempo - hoje, destaque no Jornal Nacional, noticiário de maior audiência do país.



A orientação de Silvio é positiva em termos: matérias sobre cachorrinhos, emojis e outras bobagens do tipo loteavam o jornal. Agora, espera-se, serão extirpadas do espelho do noticiário. Por outro lado, a ordem do "homem do Baú" motivou a saída de Kennedy Alencar. Com o cancelamento da série Cenários 2018, onde entrevistava possíveis presidenciáveis, Kennedy achou melhor reiterar um pedido de demissão feito em abril, conforme relatou em entrevista ao site Na Telinha nesta segunda-feira (9). O colunista de esportes Bruno Vicari e a responsável pela meteorologia Carolina Aguaidas serão aproveitados nas reportagens.

A novidade é que Joseval Peixoto, da bancada, também deixa o SBT Brasil e a emissora em dezembro, com o término de seu contrato. Um procedimento normal. O revezamento de Joseval e Carlos Nascimento causava estranhamento e soava desnecessário. Enfim, esta impressão se dissipará. Contudo, há de se lamentar a saída de profissionais como Kennedy e Joseval. Principalmente se pararmos para pensar em quem fica...

Não foram poucos os valores que deixaram a redação de jornalismo do canal nos últimos anos. De Ana Paula Padrão, que reativou o setor em 2005, até Rodolpho Gamberini, além das recentes dispensas de Patrícia Rocha, Joyce Ribeiro e, especialmente, Hermano Henning (com mais de 20 anos de casa). Embora, neste tempo, o SBT tenha visto nascer inúmeros talentos em suas afiliadas - como Neila Medeiros (Brasília), Isabele Benito (Rio de Janeiro) e Eduardo Scola (Paraná) - o jornalismo de rede foi entregue a nomes como Dudu Camargo.

Dudu é jornalista de registro - e, constantemente, minimiza a importância de um diploma -, figura peculiar que despontou num quadro de fofocas de uma rede nanica, gracejou com um saco na cabeça no desnecessário Fofocalizando e estreou à frente do matutino Primeiro Impacto num dia das crianças, naquilo que mais parecia ser uma pegadinha de mau gosto do "homem do Baú". Lá está desde então, dividindo o horário com Marcão do Povo, dispensado pela Record após uma polêmica alcunha atribuída por ele à cantora Ludmilla - e aqui, cabe questionar: se a saída de Joseval atende a um corte de gastos, já que o SBT Brasil não necessita de dois apresentadores, por que cargas d'água o Primeiro Impacto seguirá com seu comando dividido?

O que preocupa é ver Silvio Santos "dar de ombros" a este "sucateamento" da redação de jornalismo. Já se cogita a possibilidade do SBT Notícias, destaque das madrugadas do canal - que, praticamente fixado na liderança, levou a Globo a alocar reprises do Globo Repórter na madrugada - deixar de ser "ao vivo". E apostando em edições pré-gravadas, como as do extinto Jornal do SBT, sobrarão apresentadores e profissionais de bastidores. Relegados a papeis quase nulos, estes poderão seguir o caminho de Kennedy e Joseval. Quem será o próximo a esvaziar as gavetas: a competente Karyn Bravo, o talentoso Marcelo Torres, a agradável Analice Nicolau ou os promissores Cassius Zeilmann, Darlisson Dutra e João Fernandes?

Sabemos como as coisas podem caminhar... É como ver uma matéria requentada: a gente já sabe o off que encerrará o VT. Silvio Santos também desgostou do Aqui Agora, TJ Brasil, SBT Manhã, Notícias da Manhã, SBT Repórter, Jornal do SBT. Desejo melhor sorte ao SBT Brasil.

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