Única novela de Manoel Carlos na Manchete, Novo Amor pareceu "laboratório" para Mulheres Apaixonadas



Em 1983, após o precipitado término de Sol de Verão - encurtada em razão da morte de Jardel Filho - Manoel Carlos deixou a Globo. O autor estava entristecido com a partida do amigo e colega de trabalho (e insatisfeito com o desfecho de sua trama). No ano seguinte, Maneco voltou à ativa, na Manchete. Escreveu episódios da série independente Joana (1984), a minissérie Viver a Vida (1984) e o seriado Tamanho Família (1985). Em 1986, sua missão mais importante na emissora e seu último trabalho por lá: a novela Novo Amor.



A missão do autor era um tanto quanto ingrata: substituir a exitosa Dona Beija, de Wilson Aguiar Filho, que angariou preciosos pontos na guerra de audiência contra a Globo. "Assessorando" Manoel Carlos estavam Herval Rossano, então responsável pela dramaturgia do canal, parceiro em seus primeiros folhetins, Maria-Maria e A Sucessora (ambas de 1978); e Denise Saraceni, que o acompanhou em seu retorno à Globo, na bem-sucedida Felicidade (1991).

Novo Amor estreou em 14 de julho, às 21h20, concorrendo com a nova investida da emissora líder em minisséries, Memórias de um Gigolô. No Rio de Janeiro, a Globo liderou com ampla vantagem sobre a Manchete: 47 a 10. Evidentemente, o folhetim de Maneco não repercutiu tanto quanto a trama que a antecedeu, mas pode-se afirmar que a produção cumpriu sua missão.

À frente do enredo, a produtora de moda Fernanda (Renée de Vielmond), que, após fazer carreira em Brasília, decide tentar a sorte no Rio de Janeiro, onde mora sua mãe e sua irmã. Durante o voo, ela cruza com Lígia (Nathalia Timberg), cliente da boutique em que trabalhava. A madame é casada com o senador Marco Antônio (Carlos Alberto), também na aeronave. Inicialmente, Fernanda se sente atraída pelo comissário galanteador Bruno (Nuno Leal Maia), responsável pelo serviço a bordo. Mas logo desperta o interesse de Marco Antônio, para desespero da frívola Lígia.

A ambição era um dos traços mais fortes da personalidade da protagonista: a produtora de moda almejava um alto posto em Nova Iorque e não se furtava em tirar partido de seu envolvimento com o comissário e com o senador para atingir tal objetivo. Já sua irmã Tereza (Cristina Aché) se envolvia com Fernão (Diogo Vilela), filho de Marco Antônio, acirrando os conflitos de Fernanda com Lígia.

Interessado em traçar um painel do comportamento feminino - ideia central de Mulheres Apaixonadas (2003), que se debruçava sobre os inúmeros anseios destas -, Manoel Carlos centrou as tramas paralelas em relações íntimas. O também comissário de bordo Mário (Jonas Bloch) e sua esposa Verônica (Esther Góes) eram atormentados pelas dificuldades financeiras que abatem, desde sempre, a classe média; a viúva Virgínia (Beatriz Lyra) preenchia seu tempo com paixões desastrosas, como a que nutria pelo malandro Léo (Ênio Gonçalves); Isabel (Ângela Leal) era a mulher frustrada com o fim do casamento que não hesitava em chantagear o ex; e Marisa (Ilka Soares) vivia entediada com o casamento desgastado; por fim, a emancipada Betty (Sônia Clara), amiga de Fernanda.

Concebida como uma novela de tiro curto - em razão da crise econômica e seguindo uma tendência de narrativa concentrada em poucos personagens, já adotada na antecessora -, Novo Amor ainda trazia a rotina de uma revista de moda, a Brilho. Este era o título inicialmente pensado para a trama, vetado por Adolpho Bloch por conta da associação do termo à cocaína, a "droga do momento".

Novo Amor foi reprisada na faixa Romance da Tarde, espécie de Vale a Pena Ver de Novo da Manchete, em 1987. Lá se vão 30 anos... Não há registros da produção no YouTube, nem mesmo notícias a respeito de seu "paradeiro", após a falência da emissora. Esperamos que alguém, um dia, resgate essa espécie de Mulheres Apaixonadas dos anos 80.

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