Há 16 anos, acontecia o maior ataque terrorista da história; confira como foram as coberturas nos EUA e no Brasil



11 de setembro de 2001. Há 16 anos acontecia o maior atentado terrorista da história. Segundo dados oficiais, 19 terroristas causaram a morte de 2977 pessoas em solo americano. Além do impacto humano, social e econômico que isto causou, a mídia americana foi colocada à prova devido aos inéditos acontecimentos.



A seguir, você vai conhecer alguns detalhes sobre a cobertura das principais redes de TV dos Estados Unidos e também do Brasil, fatos curiosos acerca de imagens e mais.

A TV brasileira e a americana são diferentes. Cada país tem seu modo de operar, é algo cultural. Por isso, recomendo antes a leitura deste excelente artigo sobre as 10 diferenças entre a TV do Brasil e a TV dos Estados Unidos, feito por Paulo Almeida

Primeira colisão e os registros em vídeo

Às 8h46, horário de Nova York (9h46 em Brasília), o voo 11 da American Airlines se choca com a Torre Norte do World Trade Center. Evidentemente, o primeiro ataque não teve muitos registros em imagens, afinal, ninguém esperava. As gravações existentes foram de pura sorte. Até então, são conhecidos apenas três registros em vídeo e dois em áudio. Veja e saiba detalhes a seguir:

O mais conhecido de todos, feito pelos irmãos Naudet, que são cineastas franceses. Jules Clément e Thomas Gédéon estavam preparando um documentário sobre os bombeiros da cidade de Nova York. Jules percebe que algo se aproxima e então vira a câmera diretamente para as Torres.

Veja aqui!

Pavel Hlava também registrou a primeira colisão de forma inesperada. Hlava, que é da Republica Tcheca, estava em Nova York e queria guardar o momento, quando então, antes de entrar em um túnel do Bairro do Brooklyn, sua câmera captura o impacto em um frame rápido. A fumaça da colisão é melhor vista. Inclusive, ele continuou a filmagem e registrou também o impacto na segunda torre.



O alemão Wolfgang Staehle tinha duas webcams em seu apartamento apontadas para o horizonte de Manhattan. Era parte de um projeto que buscava capturar e transmitir, via internet, a paisagem daquela parte de Nova York, 24 horas por dia, 7 dias por semana. As imagens iam para uma galeria do lado Oeste da cidade. Estamos falando de 2001, ou seja, ainda era uma tecnologia com poder de gravação bem abaixo do que temos hoje. As webcams em questão capturavam apenas uma foto a cada quatro segundos. Mas isto não impediu que o streaming se tornasse histórico.



Este não é um registro que mostra em vídeo o momento exato do impacto, mas se ouve bem o choque do avião. Cinegrafista e repórter da WNYW-TV (FOX5 NYC) se preparavam para uma reportagem nas ruas. A câmera é colocada no chão enquanto não estão prontos, mas ela já estava ligada e então captura uma grande explosão. Quando percebem o impacto, a câmera é colocada em ação. Este vídeo tem mais história para contar e você vai conhecer logo mais.



Ginny Carr gravava sua reunião de trabalho dentro do One Liberty Plaza. No áudio se nota o primeiro impacto, uma segunda explosão em seguida, alarmes e sirenes dos bombeiros, além do segundo avião na outra torre.



Há também um fato curioso: a CNN registrou, possivelmente, a última imagem na TV das torres intactas, 46 minutos antes do início dos ataques. Em uma entrada ao vivo do extinto canal CNNfn, as torres aparecem no fundo da paisagem. O que se sabe sobre isso: a câmera ficava posicionada no edifício 5 Penn Plaza, mas não era ativa o tempo todo, portanto, deixou de gravar em seguida (muitas pessoas acreditam que na verdade a fita original foi censurada e registrou sim o avião).

Se estivesse gravando o tempo todo, seria o principal e melhor registro do primeiro impacto. Foi a partir desta câmera que a CNN conseguiu iniciar a cobertura ao vivo rapidamente.



Segunda colisão e o mundo assistindo, ao vivo

Às 9h03, horário de Nova York (10h03 em Brasília), o voo 175 da United Airlines é jogado contra à Torre Sul do World Trade Center. Diferente do primeiro impacto na outra torre, a segunda colisão foi registrada por centenas de filmagens amadoras. E, claro, quase todas as redes de TV já estavam posicionadas, de diversos ângulos, mostrando as consequências da primeira colisão. De forma surpresa, a segunda aeronave aparece e, desta vez, o mundo todo assiste, ao vivo. Veja aqui o momento em algumas das principais redes locais e nacionais dos EUA:



Primeiras imagens na TV

Voltando ao primeiro impacto, como dito anteriormente, o vídeo feito pela WNYW-TV tinha mais história para contar. A WNYW-TV (FOX5 NYC) é uma rede local sediada em Nova York que retransmite parte da programação da FOX.

A WNYW-TV foi a primeiríssima TV a mostrar que algo estava acontecendo nas Torres Gêmeas. A equipe que registrou o estrondo da primeira colisão conseguiu com o mesmo equipamento abrir um link ao vivo em impressionantes dois minutos (8h48) após o impacto.

A programação foi interrompida durante o horário do tradicional programa Good Day New York, que estava no intervalo. No momento, o comercial de um filme era exibido e, numa grande coincidência - mais uma -, o mesmo é cortado exatamente após uma cena de explosão. Ali foram feitas as primeiras imagens e entrevistas com pessoas que iam passando. Veja:



Considerando apenas as emissoras locais de Nova York, a entrada ao vivo com as primeiras imagens ficou nesta ordem:

- WNYW-TV (FOX5)
- WCBS-TV (CBS2)
- NY1 (TWC)
- WNBC-TV (NBC4)
- WABC-TV (ABC7)


Em nível nacional, a CNN foi a primeira emissora com imagens do World Trade Center. Ela entrou ao vivo três minutos (8h49) após o impacto.

Até às 8h55, todos os principais canais já estavam ao vivo. Apenas alguns canais menores e locais iniciaram a cobertura pouco depois das 9h.

Poucas informações e cautela

Foi tudo muito rápido. As emissoras ainda não recebiam informações concretas. As primeiras notícias que chegavam diziam que "um pequeno avião teria se chocado com à torre" e se tratava de um acidente.

A Fox News já tinha fama de sensacionalista na época. Mas desta vez, ela estava certa. Na hora dos atentados, a programação era ocupada pelo Fox & Friends. Antes de acontecer o segundo choque na outra torre, um dos apresentadores relatou que por diversas vezes já havia feito aquele mesmo trajeto em aeronaves grandes e que dificilmente se tratava de um acidente e aparentemente era algo deliberado. Com o segundo avião na torre sul, a opinião do apresentador se confirmava e até mesmo o nome de Osama bin Laden já era citado.

A CNN foi de longe a que mais tratou com muita cautela. Mesmo depois do segundo avião ter feito uma manobra intencional para ser jogado no meio da torre, diante das câmeras de TV, ao vivo, a emissora não quis falar em terrorismo. Só foi admitido que o país estava sob ataque após as notícias do Pentágono e o avião na Pensilvânia.

Redes como ABC, CBS e NBC tratavam normalmente, limitando-se em entradas ao vivo via telefone e imagens de diversos ângulos. Após o segundo avião, ficou claro que algo estava errado.

Vale lembrar que, entre uma colisão e outra, foram apenas 17 minutos de diferença - 8h46 / 9h03 -, e a média das emissoras ao vivo entre estes acontecimentos foi de 11 minutos.

Após ficar claro que se tratava de um atentado terrorista, a busca por informações era ainda mais intensa. Emissoras informavam que mais aeronaves tinham suspeita de terem sido sequestradas e que os prédios oficiais do governo estavam sendo evacuados, dentre eles a Casa Branca. Algumas informações não chegaram a se confirmar, como por exemplo a suspeita de carro-bomba na capital Washington, D.C.

Entrevista antes de morrer

Jim Gartenberg falou ao vivo por telefone com a WABC-TV (ABC7 NY) antes de morrer. Ele estava na torre norte, acima da zona de impacto do avião. Todos que estavam acima desta área, morreram, pois era impossível descer após os estragos da colisão.



Outras curiosidade sobre a cobertura das emissoras

Canais como ESPN, MTV, VH1, TBS, TNT, FX e Fox Sports deixaram totalmente suas programações de lado para retransmitirem a cobertura dos canais de notícias do mesmo grupo e até mesmo de alguns que não faziam parte dos mesmos. Fox News, ABC News, CBS News e os canais CNN foram os mais usados.

Nos Estados Unidos, apesar de serem concorrentes, a primeira missão dos canais foi informar seus telespectadores. Muitas vezes determinado canal não tinha tal imagem, então foi usado, até mesmo ao vivo, o sinal ou feed da emissora concorrente. Claro, o devido crédito foi dado, sempre há na tela um "Courtesy ABC", por exemplo. Coisas que nunca veremos no Brasil.

A Fox News preferiu, num primeiro momento, utilizar o feed da WABC-TV (ABC), ao invés do sinal da WNYW-TV (FOX).

A CNN retransmitiu o canal WNYW-TV por alguns momentos.

A WNYW-TV retransmitiu, por alguns minutos, a transmissão da Fox News.

Uma das emissoras que mais teve seu feed utilizado foi a WABC-TV/ABC, principalmente a imagem de seu helicóptero que capturou a colisão na segunda torre. Foi a imagem mais reprisada, até então, nos canais de fora dos EUA, inclusive na Globo.

A CNBC foi bastante elogiada pela cobertura do 11/9. A CNBC é um canal dedicado apenas aos negócios, ao Business, porém, seus apresentadores - que interromperam ao vivo um papo sobre finanças - acabaram mandando bem, naquilo que pode ser considerado um acontecimento 'fora da praia' do canal e de seus jornalistas.

O tradicionalíssimo The Today Show, da NBC, estava no ar durante os ataques, quando às 8h51 informa que haviam notícias sobre algo no World Trade Center. Mas o apresentador avisa que vão para um intervalo. Provavelmente ainda estavam sem imagens e iam se preparar. Às 8h53, o canal volta já com imagens próprias e ao vivo da torre em chamas.

Quem assistia ao canal WB 11 (hoje The CW) via satélite, teve o sinal perdido pois o mesmo ficou fora do ar com o impacto na torre norte. Em Nova York seguiu normalmente.

A AP (Associated Press) era responsável por muitos dos sinais ao vivo que chegavam aos canais de fora dos Estados Unidos.

O colapso das torres

Às 9h59, o início do momento mais tenso dos atentados. As Torres Gêmeas deixavam de existir. A primeira que entrou em colapso foi a segunda torre atingida, a do sul. Algumas redes mostraram ao vivo, seja por tela inteira ou dividida com imagens da fumaça no Pentágono. Já outras acabaram perdendo o momento ao vivo, pois estavam com as imagens focadas em Washington, D.C, tendo então que ser exibido em replay. Um resumo disso tudo e o segundo colapso podem ser vistos aqui:



Provavelmente a imagem mais inacreditável feita por uma equipe de reportagem de tão perto das torres no momento do colapso. N. J. Burkett da WABC-TV (ABC7 NYC) não entraria ao vivo, mas estava ali para uma reportagem longa com relatos dos sobreviventes. Enquanto se prepara e finalmente consegue... Assista:



Ele e seu cinegrafista sobreviveram. Inclusive, continuaram fazendo seus trabalhos mesmo depois do enorme susto e quase terem perdido a vida. Muitos dos bombeiros vistos atrás de Burkett acabaram falecendo.

Os momentos depois

Após as quedas das torres, o avião no pentágono e o avião caído na Pensilvânia, que também tiveram ampla cobertura, as emissoras se concentravam em mostrar o que havia sobrado do WTC. Imagens em solo feitas pelos seus profissionais e imagens amadoras iam chegando ao longo das horas e entrevistas com especialistas tentando explicar como o país de maior segurança do mundo teve suas barreiras vencidas. Pela noite, o país parou para o discurso oficial do até então presidente George W. Bush.

A cobertura de 11/9 se estendeu de forma ininterrupta por várias semanas nos principais canais, como CNN, Fox News, ABC, CBS e NBC. A todo momento chegavam novos dados, como o número de vítimas sendo atualizado (havia uma expectativa de mais de cinco mil mortos), detalhes dos sequestros das aeronaves, nomes e fotos dos terroristas responsáveis, as consequências do atentado, entrevistas com sobreviventes e as ações do governo.


O primeiro canal brasileiro que entrou ao vivo (com imagens da CNN) foi a Globo News, por volta de 9h50/9h51, horário de Brasília. O início do plantão apresentado por Leila Sterenberg e Luís Ernesto Lacombe pode ser visto neste link do Memória Globo.

A Globo interrompeu a sua programação pela primeira vez às 9h52, ficando apenas quatro minutos no ar. Porém, retornou imediatamente às 9h57, ficando longas horas no ar, suspendendo os jornais locais e o Globo Esporte, até que começou uma edição especial do Jornal Hoje. O plantão que não interrompeu Dragon Ball (essa história perde força a cada ano), foi apresentado por Carlos Nascimento e, posteriormente, Ana Paula Padrão se juntando à cobertura. Ao longo do dia foram feitos vários plantões em todos os intervalos pelo horário da tarde da emissora.

Infelizmente, não existem registros do início do plantão Globo disponível na internet. Há quem diga que quando essa gravação aparecer, a internet irá quebrar (perdão, não resisti ao meme).

Porém, existe um longo vídeo que mostra toda a cobertura do plantão daquela manhã, perdendo apenas o início e suas interrupções.



Na RecordTV com o Datena (Boris Casoy também participou), o plantão teve início pela manhã. Não se sabe ao certo que horas começou, mas a grade também foi cancelada e o plantão seguiu até 17h20, quando uma edição especial do Cidade Alerta começou, com o próprio Datena.

A Band também dedicou algumas horas para o ocorrido. Também não há informações dos horários, mas existem alguns trechos disponíveis na internet.

Se não tem RedeTV, nada tem sentido. Ricardo Feltrin ao UOL, em 2016, relatou o seguinte:

"No dia 12 de setembro, à tarde, em A Casa é Sua, na RedeTV!, Sonia Abrão fez seu programa baseado num erro.
Ela (e sua produção) acreditou piamente que uma fotomontagem era verdadeira: a foto do famoso "turista do 11 de setembro".
Para quem não lembra, a foto mostrava um turista no alto de uma das torres do WTC e um imenso avião vindo em sua direção, uma boa, porém óbvia montagem.

"A gente pode estar olhando ao último momento desse rapaz, essa foto pode ser a última feita da torre do WTC, por que não?", sensacionalizou, como sempre, a apresentadora, que rapidamente virou alvo de piadas e brincadeiras em fóruns de discussão (não existia rede social naquele tempo).

Nos dias seguintes, a mesma foto do "turista do 11 de Setembro" continuaria ganhando novas versões, mas a imagem do avião era trocada ora por uma orca, ora pelo Bozo, ora por um submarino, ora por um fantasma. Esse foi um dos primeiros "memes" da internet a explodir na TV. E tudo graças a uma apresentadora desavisada."


A imagem em questão é essa:



Se algum dia este vídeo aparecer, não há internet que suporte os memes. A RedeTV! jamais decepciona.

Notou algum erro? Quer dar alguma sugestão? brenno@tvhistoria.com.br
Por motivos pessoais, a minha coluna sobre esportes na TV está pausada, mas sim, ela volta em breve! Então até lá e obrigado!

Leia também: Lembre como foram as coberturas das emissoras nos atentados de 11 de setembro

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