Encerrada há 7 anos, Uma Rosa Com Amor é novela ideal para combalida faixa de reprises do SBT



Íris Abravanel já era o nome forte da teledramaturgia do SBT quando a emissora contratou Tiago Santiago, novelista de êxito na Record, responsável pela saga dos Mutantes - num pacote que incluiu também Eliana, Richard Rasmussen, Roberto Cabrini e Roberto Justus. Tiago estreou no canal em 2010, à frente de Uma Rosa Com Amor, remake da trama que Vicente Sesso escreveu para a Globo em 1972, então estrelada por Marília Pêra e Paulo Goulart.



Não foi propriamente um sucesso. Com Carla Marins e Cláudio Lins nos papeis centrais, a nova versão de 'Uma Rosa' tardou a emplacar, o que levou Tiago a "turbinar" o roteiro com cenas de ação e fantasminhas camaradas - receita que costumava aplicar nas produções, então sob sua supervisão, que desandavam na Record. O folhetim reagiu em suas últimas semanas, quando Silvio Santos já havia determinado o término, alegando que a novela acabaria prejudicada pelo horário eleitoral.

Mas, apesar dos pesares, Uma Rosa Com Amor teve muitos méritos. E, olhando para o escasso catálogo do SBT, parece a trama ideal para a faixa Novelas da Tarde, onde hoje exibem, sem sucesso, a insossa No Limite da Paixão - trama mexicana com todos os clichês do gênero, desgastada pela ação do tempo, e longe de repetir os bons números de folhetins inéditos ou mesmos tramas brasileiras reprisadas neste horário. Convenhamos: melhor apostar numa novela produzida aqui do que na milésima reprise de A Usurpadora ou Rubi (como fizeram, também sem êxito, anteriormente).

As maiores qualidades de 'Uma Rosa' encontram-se no elenco e no que restou de "mais próximo" à obra de Sesso. Com química já testada em História de Amor (1995), Carla Marins e Cláudio Lins não precisaram de muito esforço para emplacar o casal Serafina e Claude; ela, secretária que já passou da "idade de casar", e ele, empresário francês que precisa de um matrimônio para manter a saúde financeira de seus negócios. Os dois apostam numa união de mentirinha que para a família dela precisa soar muito verdadeira.



E é daí que surgem os melhores conflitos da novela. Como toda donzela tem um pai que é uma fera, Claude padece para agradar o sogrão Giovanni Petrone (Edney Giovenazzi) e a sogra que ansiava pelo casório da filha, Amália (Betty Faria, muito bem, num papel atípico antes oferecido a Lucélia Santos e Sônia Braga). No cortiço em que moravam, dividiam tudo o que acontecia em casa com os vizinhos: a futriqueira Pepa (Jussara Freire), o atrapalhado Afrânio (Nilton Bicudo) e a ressentida Joana (Lúcia Alves).

Também foi uma experiência vitoriosa para Sabrina Petraglia (Terezinha, irmã de Serafina), hoje brilhando na Globo, então formando par romântico com outro jovem promissor, Felipe Lima (Milton) - infelizmente, sumido desde Sangue Bom (2013). Outra "desaparecida", Joana Limaverde, fez da periférica Janete, uma das maiores atrações da novela.

É de se lamentar que o SBT não invista mais em novelas adultas e leves como Uma Rosa Com Amor. Se ao menos nos presenteasse com reprises de suas produções mais recentes do gênero já estaria de bom tamanho. Fica a expectativa por um retorno como este e o desejo de que, em breve, Silvio Santos libere a faixa hoje destinada às reexibições de tramas infantis que acabaram ontem para investimentos num segundo horário.

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