Os bastidores de Presença de Anita, de Manoel Carlos; "primeira versão" da minissérie foi suspensa na década de 90



Um homem frustrado com a carreira, com o convívio familiar e com o casamento encontra numa ninfeta de apetite sexual voraz, e ideais que navegam entre a paixão e a morbidez, a sua válvula de escape. Este é o ponto de partida de Presença de Anita, minissérie de Manoel Carlos que chega hoje ao seu "16º aniversário". Sucesso do gênero - com médias acima dos 30 pontos - a produção reserva inúmeras curiosidades, garimpadas pelo TV História em jornais, livros e revistas. Confira!



A versão que não saiu do papel

Desde 1992, Manoel Carlos ensaiava levar o romance de Mário Donato para a televisão - chegou a se corresponder com este último, que acabou falecendo neste mesmo ano. Considerada imoral e subversiva, a obra chegou às mãos do autor quando ele tinha apenas 15 anos - para não ser descoberto pelos pais na hora da leitura, Maneco escondia o livro dentro de outra publicação.

A expectativa era de que esta "primeira versão" da minissérie, dirigida por Paulo Ubiratan, estreasse em junho de 1993. Para o elenco, Manoel Carlos cogitou Vivianne Pasmanter como Anita (Mel Lisboa), Cláudio Marzo como Nando (José Mayer), Natália do Vale como Lúcia (Helena Ranaldi) e Caio Junqueira como Zezinho (Leonardo Miggiorin). A produção, contudo, foi suspensa devido ao teor polêmico da trama.

Presença de Anita já havia rendido uma versão cinematográfica, em 1951, com Antoinette Morineau no papel-título. E também teria inspirado Ivani Ribeiro, na concepção de A Outra Face de Anita, novela exibida pela TV Excelsior, em 1964, protagonizada por Flora Geny.



A escolha de Anita

A busca pela protagonista mobilizou toda a equipe em testes feitos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Atrizes conhecidas participaram das avaliações: Fernanda Rodrigues, Gabriela Duarte, Júlia Feldens, Regiane Alves, Samara Felippo e Júlia Almeida, filha de Manoel Carlos. A escolhida, Mel Lisboa, de apenas 19 anos, havia feito um único teste para a TV até então: o que deu a Leandra Leal a ciganinha Yanca, de Explode Coração (1995).

Mel Lisboa tornou-se uma estrela! Anita fez tanto sucesso que o figurino da personagem, assinado por Helena Gastal, acabou ganhando as ruas de comércios populares, como o Saara, Rio de Janeiro. O 'kit Anita' inclua uma camisa (masculina, de seda), calcinha de algodão e uma gargantilha com pingente em forma de estrela.

Após a minissérie, Mel participou de Desejos de Mulher (2002), Como Uma Onda (2004) e produções da Record, como Sansão e Dalila (2011) e Os Dez Mandamentos (2015).



O livro de volta às prateleiras...

Editado pela última vez em 1989, pelo Círculo do Livro, Presença de Anita voltou às livrarias através da editora Objetiva - que também lançou o roteiro de Manoel Carlos, na íntegra, durante a última semana de exibição da minissérie. A adaptação para a TV, contudo, difere da obra original.

Publicado em 1948, o romance, como não poderia deixar, é ambientado no período pós-Segunda Guerra Mundial. Três anos depois da minissérie, Maneco ensaiou uma versão cinematográfica, com produção de Daniel Filho, resgatando este período - e tendo José Mayer, outra vez, como galã.

O novelista também optou por narrar os acontecimentos em ordem cronológica, deixando para os capítulos finais o mistério acerca do trágico destino de Nando, Anita e Zezinho. No livro, a história é contada em flashback, a partir da morte da protagonista.

Ainda, o perfil de Lúcia, substancialmente alterado: de esposa incapaz de amar, interessada apenas em manter o casamento de aparências, passou a mulher tímida e recatada (e, exatamente por isto, "reticente" ao atender aos ímpetos sexuais do marido à flor da pele).

Por fim, Manoel Carlos trocou o nome do protagonista, de Edu para Nando, por ter usado este primeiro em seu trabalho anterior, Laços de Família (no personagem de Reynaldo Gianecchini). As semelhanças com a novela, contudo, confundiram Ana Paula Padrão, então âncora do Jornal da Globo. Durante uma chamada no intervalo da minissérie, a jornalista chamou Nando de Pedro - tipo vivido por José Mayer em 'Laços', onde também se envolvia com Helena Ranaldi (Cíntia).



O "ineditismo" da reprise

Um ano após o término da apresentação original, Presença de Anita foi reprisada pela Globo - que costumava reexibir minisséries em época de horário eleitoral, evitando assim o "sacrifício" de sua segunda linha de shows. Por conta da faixa tardia, a emissora alocou na edição do capítulo 4 uma cena suprimida da primeira exibição: um ângulo diferente da nudez frontal de Mel Lisboa.

Nestes 16 anos, aliás, Presença de Anita também foi reapresentada no Multishow, às 16he 1h, em comemoração aos 40 anos da Globo (março de 2005); entre novembro e dezembro de 2012, no Viva; em formato de telefilme, no festival Luz, Câmera, 50 Anos, janeiro de 2015; e novamente no Viva, em setembro de 2015, antecedendo a novela Fera Ferida.

Leia também: Giro das emissoras: Xuxa se transforma em Marilyn Monroe no Dancing Brasil

Leia também: Primeiro programa de Eliana para o público adulto, Tudo é Possível estreava há 12 anos




commentDeixe sua opinião
menu