Votação de processo de Michel Temer remete a impeachment de Collor e Dilma; relembre



Já é história! Nesta quarta-feira (2), a votação do arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva, na Câmara dos Deputados, derrubou a grade da Globo, que interrompeu a exibição da novela Novo Mundo tão logo teve início a votação nominal, por volta das 18h20.



Record e Band abriram plantões especiais, com correspondentes na Câmara e apresentação, respectivamente, de Adriana Araújo e José Luiz Datena, no estúdio. Contudo, logo retomaram a programação normal - a primeira com a reprise de Os Dez Mandamentos; a segunda com as notícias policiais do Brasil Urgente. Já o SBT aguardou o intervalo da mexicana O Que a Vida me Roubou para exibir um boletim do SBT Brasil, também com link direto de Brasília. Por fim, a RedeTV! prosseguiu com um game-show terceirizado.

Tal episódio remete a 29 de setembro de 1992, quando mais de 120 milhões de brasileiros assistiram ao vivo pela televisão a votação do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Globo, SBT, Manchete, Record, Band, Cultura e Gazeta exibiram toda a votação, ocorrida das 17h20 às 18h45. Também ao domingo, 17 de abril de 2016, quando a Câmara dos Deputados decidiu a favor do encaminhamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff ao Senado.

Tanto no primeiro, quanto no segundo caso, a Globo abdicou de suas principais atrações para dar vez à notícia. Em 1992, a novela das 18h, Despedida de Solteiro, também saiu prejudicada. Na ocasião, Alexandre Garcia foi destacado por Luís Antônio Giron, repórter de cultura da Folha de São Paulo, de 4 de outubro: "atuou feito um deputado ausente que resolveu assumir o impeachment no último instante. Exibiu incrível talento para explicar os trâmites do processo e os passos da política. Só um problema o afetou. Ele tem um impulso animal pelo ufanismo. Soltou foguetes pela queda do homem que defendeu durante dois anos", concluiu.

Com a cobertura, a emissora registrou 44 pontos, segundo dados do Ibope aferidos na Grande São Paulo. Em 2016, quando deu folga ao Domingão do Faustão, a Globo chegou a alcançar 37 pontos. Mobilizou seu principal âncora, William Bonner, com flashes ao vivo ao longo de toda a programação, desde o início da manhã até a proximidade da segunda-feira. E chegou a ficar mais de oito horas sem abrir intervalos comerciais, voltada apenas para a votação que acabou tirando Dilma Rousseff do cargo máximo da República.

O SBT praticamente ignorou a cobertura em 2016 - abrindo espaço para um boletim curto durante o Programa Silvio Santos e colocando um Conexão Repórter especial no ar praticamente uma hora depois do resultado da votação.



Em 1992, Boris Casoy permaneceu onze horas no ar, com plantões durante toda a programação. À frente do TJ Brasil, Casoy foi eleito o grande nome da cobertura, por Nelson de Sá, também na Folha de São Paulo, de 1º de outubro: "A opinião de Casoy, por três meses, foi referencial. Ele criou um bordão, que batia diariamente até o limite da paciência geral: É preciso passar o Brasil a limpo". Um deputado chegou a votar "sim" citando a frase. Ontem [30 de setembro de 1992], para descanso dos ouvidos, o âncora desistiu _talvez temporariamente_ de insistir no bordão".

Curiosamente, o bordão "o Brasil precisa ser passado a limpo" foi citado na votação de hoje, pelo deputado José Airton Cirilo, do PT do Ceará - que votou "não", contra o arquivamento do processo de investigação a respeito de Michel Temer.

Sem grandes destaques 25 anos atrás, a Record mobilizou Reinado Gottino, do Balanço Geral, e Adriana Araújo para um plantão especial em 2016, com a presença de Christina Lemos e Eduardo Ribeiro, direto de Brasília. A Band optou pela análise dos fatos no caso Dilma e pelo "petismo" no caso Collor: "Chico Pinheiro e Marília Gabriela fizeram da Bandeirantes a tribuna do PT. Todos choraram, se emocionaram, Lula deu tapinha nas costas de um Pinheiro lacrimejante depois da votação. A rede não logrou distanciamento jornalístico", sentenciou Giron, na Folha de São Paulo de 4 de outubro de 1992.

A RedeTV! também exibiu a votação do impeachment de Dilma Rousseff de ponta a ponta, tal qual sua antecessora, a Manchete, ao vivo no Congresso, com Leila Cordeiro, desde o início da tarde até a conclusão da sessão que afastou Fernando Collor de Mello.

Em tempo: ao contrário de Dilma e Collor, Michel Temer saiu vitorioso da votação. A denúncia contra o presidente acabou arquivada.

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