Com ar de conto de fadas, Belaventura faz estreia eficiente



Em maio de 2016, a RecordTV reinaugurou o segundo horário de novelas às 19h30 com a exibição de Escrava Mãe, trama de Gustavo Reiz que estava inteiramente gravada e cuja história tinha a função de anteceder o enredo de A Escrava Isaura (2004-05), reprisada posteriormente. Agora, o autor volta ao horário com uma nova trama de época: Belaventura, ambientada nos tempos medievais, que estreou nesta terça (25 de julho).



O enredo retrata a fictícia região de Belaventura, atingida pela constante guerra entre os chefes dos reinos do lugar: o generoso Otoniel, Duque de Redenção (Kadu Moliterno) e o ambicioso Severo, Duque de Valedo (Floriano Peixoto). Disputando constantemente o trono, os líderes aceitam firmar um tratado de paz, que pode não durar muito tempo.

Enrico (Bernardo Velasco), filho mais velho de Otoniel, é tido como seu sucessor natural, mas não tem interesse pela vida na corte, a ponto de rejeitar os casamentos que lhe são propostos em nome de uma mulher pela qual se apaixonou na infância - a linda e humilde Pietra (Rayanne Morais), que vive na vila plebeia que cerca o reino.

Criada sozinha pela mãe Lucy (Larissa Maciel), Pietra cresceu com a promessa de jamais se aproximar da nobreza, pois o marquês Cedric (Giuseppe Oristanio) perseguiu sua mãe, em uma ligação misteriosa jamais explicada. O encontro da mocinha com o jovem nobre causará uma forte reviravolta para as famílias de ambos.

O primeiro capítulo teve como foco principal a disputa entre Otoniel e Severo, através de um duelo de cavalaria, no qual o primeiro foi vencedor, porém, perdeu sua mulher. Apesar de um início um tanto frio, as sequências do confronto logo empolgaram e deram vida à estreia. O texto do autor Gustavo Reiz, mesmo em alguns momentos beirando ao jogral, não fez feio. A construção dos cenários e figurinos também foi um acerto, ainda que em alguns momentos lembrasse as histórias bíblicas apresentadas no horário principal.

Entre os maiores destaques do elenco, está Helena Fernandes, que interpreta a gananciosa e detestável Marion, duquesa de Valedo, que sonha em se tornar a rainha de Belaventura. A atriz deu o tom perfeito de sua personagem, semelhante às bruxas de contos de fadas. Larissa Maciel, por sua vez, emocionou com o sofrimento de Lucy, que teme que a filha se aproxime da nobreza.

Ainda merecem elogios nomes como Floriano Peixoto (Severo), Esther Góes (Leocádia, mãe do duque de Valedo), Juliana Knust (Vitoriana, rainha de Belaventura, que morre no primeiro capítulo) e Giuseppe Oristânio (Marquês Cedric). Em compensação, Kadu Moliterno (Otoniel) e Eri Johnson (Corinto, o bobo da Corte) mostraram atuações repetitivas, com trejeitos muito semelhantes a papeis que já fizeram anteriormente. Bernardo Velasco e Rayanne Morais, intérpretes do casal principal na fase definitiva, apareceram pouco, mas também não convenceram inicialmente. Ainda assim, espera-se que corrijam a impressão inicial.

O desenvolvimento do casal de mocinhos também merece elogios. O autor se preocupou em elaborar um bom contexto ao propiciar o primeiro encontro de ambos na arena onde os reis disputavam o trono. 15 anos depois, eles voltam a se cruzar após chorarem a morte (no caso do nobre) e o desaparecimento (a plebeia) de suas respectivas mães. O resultado ficou bonito de se ver, apesar das fracas interpretações.

No saldo geral, Belaventura fez uma estreia eficiente e correta. Apesar de uns poucos deslizes do texto e de algumas interpretações, seu saldo foi positivo e é um produto promissor. Fica a torcida para que os próximos capítulos confirmem a boa impressão, pois é um produto com potencial e uma boa alternativa à insossa novela das 19h global, Pega Pega.

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