Passagem de tempo em A Força do Querer se mostrou desnecessária



A atual novela do horário nobre da Globo é um sucesso. A excelente audiência que a produção de Glória Perez, dirigida por Rogério Gomes, vem conseguindo é um merecido reconhecimento do público. A Força do Querer é construída com competência e repleta de bons personagens.



Na semana passada, entre terça (27) e quarta-feira (28), a história teve uma passagem de tempo de um ano. A forma como foi feita, por sinal, primou pelo bom gosto: através de fotos da família de Joyce (Maria Fernanda Cândido). Entretanto, nada mudou no enredo.

Todas as histórias continuaram como estavam. Silvana (Lília Cabral) seguiu jogando às escondidas e fazendo Eurico (Humberto Martins) de trouxa, com a ajuda da empregada Dita (Karla Karenina). Ivana (Carol Duarte) prosseguiu com sua frustração por ser quem é, rejeitando seu corpo e desabafando com a psicóloga. Bibi (Juliana Paes) permaneceu ao lado de Rubinho (Emílio Dantas), visitando o marido criminoso na cadeia, enquanto Eugênio (Dan Stulbach) continuou traindo Joyce com Irene (Débora Falabella). E Yuri (Drico Alves), depois de se livrar do desafio criminoso da Baleia Azul, manteve sua rotina de se vestir de Goku.

Ou seja, esse salto no tempo não contribuiu em nada para o roteiro. E, infelizmente, acabou deixando outros contextos pouco críveis. Um exemplo foi o famigerado ônibus de Zeca (Marco Pigossi). Ele demorou um ano para colocar o nome "Balada Jeiza" e mostrá-lo para a namorada. A reforma durou tanto assim? Para culminar, o processo de divórcio dele e Ritinha (Isis Valverde) demorou esse tempo todo para ser concluído? Aliás, não foi concluído.

E ninguém descobriu até hoje ou ao menos tocou no assunto? Jeiza (Paolla Oliveira), inclusive, ficou sem lutar MMA por um ano. E a conversa dela com o treinador, falando da última luta (que aconteceu semana retrasada, mas na história no ano passado), ficou pouco convincente.

Outra situação prejudicada pela passagem foi o sonho de Ritinha em trabalhar como sereia no AquaRio, imenso aquário recém-inaugurado no Rio de Janeiro. Ela estava determinada a voltar com o costume de se vestir com sua deslumbrante cauda, mas demorou um ano para conseguir o emprego. Uma menina que faz tudo o que quer jamais esperaria tanto.

A mágoa de Anita (Lua Blanco) também merece menção. A ex-melhor amiga de Cibele (Bruna Linzmeyer) conversou com Simone (Juliana Paiva) como se a briga dela com a filha de Dantas (Edson Celulari) tivesse ocorrido dias atrás. Mas foi há um ano. E, de acordo com o roteiro, durante esse tempo todo ela nunca mais se encontrou com Ruy (Fiuk) e Amaro (Pedro Nercessian)

Vale citar ainda o casamento de Caio (Rodrigo Lombardi) e Leila (Lucy Ramos), que demorou um ano para acontecer. A agora esposa do advogado precisou adiar o casório porque o pai estava doente e só realizou a cerimônia quando retornou, doze meses depois.

Já a traição de Eugênio não teve sua verossimilhança prejudicada com a passagem de tempo, afinal, há casos muito duradouros, como se sabe. A questão é o plano de Irene (Débora Falabella). A vilã demoraria tanto tempo assim para agir? A personagem chegou a explicar, enfatizando que sua intenção era mesmo prolongar seu relacionamento com o marido de Joyce, justamente para não proporcionar qualquer possibilidade de reconciliação. Ainda assim, é tempo demais para uma golpista profissional.

Outro caso que merece lembrança é a investigação da polícia sobre o responsável pelo incêndio no restaurante, destruindo provas contra Rubinho. Chegaram até a achar digitais no galão de gasolina, mas o assunto foi enterrado, salvando Bibi. Não se sabe o que aconteceu.

É importante deixar claro que A Força Do Querer continua maravilhosa. Glória está muito inspirada e a produção faz jus ao sucesso que tem feito. O problema desse salto no tempo foi a escolha de um ano. Uma passagem de dois ou três meses seria mais do que suficiente, evitando qualquer quebra na veracidade de vários contextos.

A única mudança na história acabou sendo o penteado de Caio e Ruy, além de só ter servido para justificar a viagem de Cibele e Cláudio (Gabriel Stauffer), que são perfis bem secundários. Muito pouco para um intervalo tão grande. O lado bom disso tudo é que daqui a alguns dias ninguém mais lembrará que um ano se passou. Aliás, quem não viu o capítulo nem deve saber que houve um salto de doze meses. Portanto, a história não foi afetada. Mas, foi algo bastante desnecessário. Não precisava.

SÉRGIO SANTOS é apaixonado por televisão e está sempre de olho nos detalhes, como pode ser visto em seu blog. Contatos podem ser feitos pelo Twitter ou pelo Facebook. Ocupa este espaço às terças e quintas







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