Programas quiz TV entram na mira do Ministério Público e podem ser proibidos de irem ao ar



Bonitos, jovens, e cheios de dinheiro para dar. Se você costuma ligar a TV durante a tarde ou a madrugada, já deve ter dado de cara com um desses programas de quiz TV.



O formato da atração é sempre o mesmo: eles querem que você descubra uma palavra, e ligue para eles para informar qual é a certa e então você leva uma alta bolada para casa. Hoje, estes programas são fonte de renda para as menores emissoras.

Atualmente, os programas quiz TV só perde em tempo de exposição terceirizado para a Igreja Universal do Reino de Deus, a maior em compra de faixas na TV. Estima-se que os quiz TV paguem, por mês, cerca de 7 milhões de reais em compras de horários em várias emissoras, como Band, RedeTV!, Gazeta, NGT e Rede Brasil.

A segunda maior locatária de horários na televisão brasileira, no entanto, podem estar com os dias contados. O Ministério Público de São Paulo está investigando se as empresas que produzem esta atração usam de má-fé do consumidor para faturar altas cifras.

A investigação se baseia em mais de 200 denúncias feitas diretamente por pessoas que se dizem lesadas, além de mais de 40 reclamações no Reclame Aqui, site especializado em receber queixas de consumidor.

O Ministério Público investiga se os programas enganam os telespectadores por conta do alto valor de conta de telefone, que algumas vezes chega a superar o que é entregue, fazendo uma espécie de "golpe".

A intenção do Ministério é proibir estes programas de irem ao ar, baseando-se no que tirou os clássicos 0900 da televisão. No fim dos anos 90, o serviço foi abolido devido a inúmeras reclamações de consumidores que se sentiam lesados por iniciativas como telessexo e leitura de horóscopo.

Para o Ministério Público, o caso é o mesmo. A investigação, no entanto, é difícil. Em 2009, uma matéria publicada pelo jornalista Luan Borges, na revista Manchete Online, mostrou os bastidores das empresas que controlam os quiz TV.

Na época, a matéria investigou qual empresa era responsável pelas produções - no caso, WorldStar do Brasil Comunicação Ltda. - usa uma empresa fantasma para, a Vipmax do Brasil Comunicação Ltda. para assinar os formulários de regulamentação, que é o registro oficial de funcionamento destes programas.

Normalmente, os quiz TVs se utilizam da operadora 091, chamada de iPCorp. Ela cobra R$ 5,99 por minuto de qualquer ligação, preço muito acima do praticado pelo mercado. A mais popular em telefonia fica do Brasil, a Oi, por exemplo, cobra R$ 1,10 - ou seja, preço 444% acima, um absurdo.

O Ministério Público investiga se existe algum esquema para lesar espectadores, já que a ICorp só tem seu código divulgado em programas deste tipo. O processo segue em segredo de Justiça e não tem previsão de término.

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