O domingo na televisão brasileira precisa ser apenas de choro?


No último domingo (27), fiz uma piada no Twitter. Disse que Geraldo Luís, Celso Portiolli, Eliana, Rodrigo Faro, Márcio Garcia e o Domingo Espetacular estariam apresentando atrações apelando para as emoções mais tristes do telespectador.

Falei em tom de ironia, de piada. Mas quando percebi, aquilo era a real. De fato, o domingo na televisão brasileira foi tomado por um fenômeno do choro. Em áureos tempos era tudo por um riso. Hoje, é tudo por uma lágrima.

Percebo o aumento deste fenômeno desde a estreia do Domingo Show, programa apresentado por Geraldo Luís. No ar desde 2014, a atração começou a incomodar a Globo - causou o cancelamento do Esquenta!, de Regina Casé, por exemplo.



Cada dia mais em primeiro lugar, o Domingo Show influenciou os concorrentes. Inegavelmente, o Domingo Legal decidiu seguir o tom. Produtores foram contratados do concorrente, inclusive, com salários maiores.

Rodrigo Faro, ainda achando o seu caminho nos domingos, foi para a emoção. Eliana, perdendo para o concorrente, também decidiu apelar mais para o sentimento.

Perdendo para Geraldo, a Globo colocou Márcio Garcia para fazer um programa misturando entretenimento, mas que também vai bastante para o choro - só que desta vez, com famosos.

Nos últimas semanas, até mesmo o Domingo Espetacular, uma revista eletrônica mais abrangente, teve pautas mais chorosas com celebridades, buscando aumentar os números.

Sou de uma época em que o slogan do SBT era Domingo É Todo Alegria. Hoje, curiosamente, o lado mais animado do domingo é o Ding Dong, de Faustão. A audiência é ótima e a repercussão é excelente nas redes sociais.



Creio que há uma decisão equivocada das direções de todos os programas. O domingo é dia, sim, de reunir toda à família em volta da TV. E, na teoria, seria bom que mais risos dessem Ibope.

Os recordes de Ibope de Rodrigo Faro nos domingos foram com versões especiais de Vai Dar Namoro, onde o riso rolou solto. Eliana bombou com casamento de Tiririca, que foi marcado mais pelos risos do que pelas lágrimas.

Parece que há um medo de ir para a diversão escapista, para o riso. Preferem ir pelo fácil, pelo choro, pela emoção rasteira em alguns casos. Parece que é obrigatório ter choro no domingo. Não, não é obrigatório. O riso precisa prevalecer. E pra ontem.


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