Senna, Brasileirão de 86 e Adolpho Bloch: as histórias de Marinho Quaranta, diretor do Fox Sports



Virar executivo de televisão e ter mais de 30 anos de carreira tem suas vantagens. Mario Quaranta Filho, diretor de produção dos canais Fox Sports, pode falar muito bem que esta máxima é absolutamente realista.

Marinho Quaranta, como é conhecido, tem passagens importantes por Manchete, Band/Traffic, Record e novamente pela Band, quando implantou o atual formato do Jogo Aberto, apresentado por Renata Fan.



"Me dou muito bem com a Renata até hoje. É minha amiga pessoal, uma pessoa fantástica. Ela tinha algum medo de como o programa iria funcionar quando eu saísse, mas tem gente competente lá até hoje e está funcionando bem. É um sucesso", diz ele.

Mas Marinho tem muitas histórias, de outros carnavais. Começou a carreira em 1983, na Manchete, logo em seu início no Rio de Janeiro. Ele conta uma passagem engraçada com Adolpho Bloch, dono da emissora.

"Quando chegava na redação, seu Adolpho via vários casacos pendurados nas cadeiras. Achava aquilo muito estranho, pegava todos os casacos e jogava pelo prédio da Rua do Russel, aquele clássico da Manchete. Os jornalistas chegavam na redação procurando e falavam que o seu Adolpho tinha jogado tudo pela janela, porque ele não gostava daquilo", diz Marinho, aos risos.



Foi na Manchete que ele ficou mais tempo em sua carreira, exatos 14 anos. Deste tempo, a história mais inacreditável é vinda de Ayrton Senna depois de vencer o seu primeiro título mundial de Fórmula 1, em 1989.

"Na época não tinha voo direto para o Brasil vindo do Japão, então o Senna ia para Buenos Aires e, de lá, viria para o Brasil. A Globo, na época, não fazia propaganda de marcas, e a Líder Táxi Aéreo, que era patrocinadora dele, queria aparecer. Eu cheguei pra Líder, falei, numa boa, que eles iriam aparecer, e fomos até a Argentina recepcionar o Senna. Fiquei de cinegrafista dentro do avião dele, pedi uma foto e um autógrafo. Tenho até hoje guardado", afirma.

Outra história envolvendo a Globo é a transmissão da final do Campeonato Brasileiro de 1986, entre São Paulo e Guarani, vencida pelo clube tricolor. Marinho conta que a Globo fez de tudo para impedir a transmissão da Manchete, que havia comprado os direitos do jogo - algo inédito na TV brasileira até então.

"Na época, não tinha esse negócio de pagar para transmitir. A Manchete foi a primeira e comprou os direitos de transmissão do jogo entre Guarani e São Paulo, lá em Campinas. Para fazer transmissão, você tinha que locar um horário em satélite da Embratel. Mas a Globo acabou locando todas as saídas de satélite de Campinas. Ficamos meio desesperados, mas, na última hora, fizemos uma parceria com a TV Cultura. O sinal foi de Campinas, passou por outras três ou quatro microondas, até chegar na Serra da Mantiqueira e de lá ir para a sede da Cultura em São Paulo. Foi uma loucura. Não sei como fizemos aquela transmissão", relembra.

Fox Sports

Desde 2014 no Fox Sports, Marinho é homem de confiança de Eduardo Zebini, com quem trabalhou em várias empresas. "Que bom que ele gosta de mim", brinca Marinho. Sobre o canal, ele confessa que gosta bastante do conteúdo que vê na televisão e diz que o estilo da emissora é algo que sempre acreditou em TV esportiva.

"Esporte é sim informação, dentre outras coisas. Mas as coisas que fiz, por exemplo, no Debate Bola, da Record, tinha muita informação, mas também bom humor. Acho que o caminho é justamente esse aqui, fazer uma TV aberta na TV fechada para alcançar mais pessoas e agradar todo o público", afirma.

Sobre o clima dentro da emissora, Marinho diz que é o melhor possível: "Nós somos os canais que temos um número enorme de direitos esportivos. Temos Libertadores, Sul-Americana, Recopa, Italiano, Copa do Brasil, Alemão... É muita transmissão. E o time é excelente e diversificado. O clima pra trabalhar é ótimo".

No mais, a reportagem teve que deixar a sala de Marinho, pois ele tinha afazeres importantes, como definir a equipe que iria cobrir in loco Real Madrid x Barcelona, transmissão exclusiva do Fox Sports. Com um aperto de mão e um sorriso, Marinho deseja boa sorte e diz que espera um grande ano para a emissora que trabalha.




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