Um dia, a Fórmula 1 vai sair da Globo e ficar só na TV paga; ruim pelo contexto histórico, bom para o telespectador


De alguns anos pra cá, a Fórmula 1 vem despescando em audiência na TV aberta. Podemos imaginar vários motivos como, por exemplo, a falta de um brasileiro em uma boa escuderia lutando por poles, a ausência de emoção nas corridas ou, até mesmo, as mudanças no regulamento da competição.



Entretanto, o fã de automobilismo é bastante fiel. Quando acontece alguma prova da própria F1, Fórmula Indy, Nascar ou StockCar, por exemplo, o engajamento nas redes sociais é gigante. Mas isso não reflete o que acontece no Ibope.

A Globo, que aos sábados alterava a grade de programação para transmitir os treinos de classificação, agora exibe apenas os minutos finais, dando prioridade ao É de Casa - exceto quando o GP é no Brasil. É o SporTV, que pertence à Globosat, que agora leva nas costas o evento, transmitindo todo "circo da F1" de quinta a domingo.

Tenho a impressão que o automobilismo se tornou descartável na televisão aberta brasileira. Por mais que a cota para anunciar na transmissão seja altíssima, perdendo apenas para o futebol, em virtude da audiência qualificada, a Globo não sabe mais o que fazer para chamar o público - não podemos esquecer da StockCar, que também migrou para o SporTV.

Obviamente que a categoria é um produto diferenciado e talvez algumas TVs abertas lutassem para obter os direitos de transmissão, mas acredito que o "produto F1" tenha se tornando um evento mais para TV paga.

Enquanto na TV aberta existe uma grade de programação fixa, na TV paga ela é maleável, podendo acrescentar, além da corrida, outros tipos de ações que chamariam a atenção do público. Um exemplo concreto é a pré e a pós-corrida, que é recheada de informações para o fã do esporte.
Muitas vezes, o público que ama automobilismo não curte futebol e vice-versa, pois a categoria pertence a um nicho de telespectadores bem exclusivo e que liga a TV apenas para assistir aquilo.

Mesmo que seja triste ver a Fórmula 1 saindo da Globo, pelo contexto histórico, e migrando de vez para o SporTV, quem sairia ganhando é o telespectador e até mesmo o própria canal, que poderia se especializar mais no assunto e conquistar um novo público.

DOUGLAS SILVA é formado em jornalismo, trabalhou como produtor e social mídia em rádios e TVs de BH. Ama falar sobre televisão e tem paixão por fotografia e futebol americano. Contatos podem ser feitos pelo Twitter: @uaiteve. Ocupa este espaço às terças


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