Como executivos da Globo veem joint-venture entre Record, SBT e RedeTV!



Neste último fim de semana, não se falava em outra coisa no mundo da televisão: a retirada dos sinais digitais de Record, SBT e RedeTV! na TV por assinatura, a partir da próxima quarta-feira (29), no desligamento do sinal analógico na Grande São Paulo.

A retirada será gradativa, em regiões que já não estão com sinal digital, como Brasília (DF). Se um acordo não for fechado durante o ano, os sinais destas três emissoras abertas devem sair de cidades como Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA), onde o switch-off está programado para este ano.

O grande impasse nesta questão é: se a Globo recebe, qual o problema de outros canais receberem? Oficialmente, a platinada não se pronuncia sobre o assunto - o TV História até procurou a Central Globo de Comunicação.

No entanto, a reportagem ouviu dois executivos do alto escalão global - um da TV aberta e outro da Globosat, programadora de TV por assinatura da Globo, que deram sua opinião sobre o modelo de negociação.

O executivo de TV aberta, que faz parte da cúpula de jornalismo, achou corajosa a decisão das três de se unirem - e ainda mais corajoso o fato delas realmente fazerem valer um direito que está na Lei da TV paga, aprovada em 2012.

Para este mandatário, em quase 20 anos de carreira, ele nunca viu emissoras menores se unirem desta forma: "A repercussão aqui está impressionante. Jamais imaginávamos que concorrentes diretos, que já trocaram farpas, iriam fazer isso. É muito corajoso".

Já o executivo de TV por assinatura acha justa a cobrança, mas teme que a retirada das emissoras prejudique o negócio como um todo: "Acho pertinente e justa a cobrança, deveriam receber pelo sinal. Mas se o sinal sair de fato, não só eles, mas a TV por assinatura como um todo perde, porque ficará mais cara".

Quando questionado sobre a agressividade da Simba, nome da joint-venture criada pelas três emissoras, o executivo da Globosat foi taxativo: ou é assim ou o mercado não iria respeita-los.

"Por mais nome que eles tenham, sejam dos canais mais vistos da TV paga, se a agressividade não ocorresse, o respeito não chegaria. A Fox fez assim no mês passado, o Esporte Interativo também. As operadoras só respeitam a agressividade", afirmou ele.

Por fim, o mandatário de TV aberta diz que espera que a Simba consiga seus objetivos: "Pessoalmente, espero que eles consigam receber, mas que fique em um valor justo. É mais mercado de trabalho abrindo para jornalistas".

Entenda o caso

Na tarde da última sexta-feira (24), a Simba anunciou que RecordTV, SBT e RedeTV! deixarão de enviar o seu sinal digital para as operadoras Net, Claro, Vivo, Sky e Embratel, alegando "falta de diálogo para negociações".

A Simba existe desde 2015, mas apenas em maio do ano passado seu funcionamento foi aprovado pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O funcionamento pleno começou no início deste ano.

A união já rende frutos impressionantes. Em fevereiro, Ratinho, Rodrigo Faro e Luciana Gimenez, três das maiores estrelas das emissoras da joint-venture, se uniram para anunciar o fim da TV analógica em comerciais.



A Simba surgiu da necessidade dos canais de cobrarem pelo seu sinal na TV por assinatura. Segundo elas, a Globo recebe dinheiro pelo seu sinal e todas as outras não conseguem um centavo das maiores operadoras do Brasil.

A expectativa é que cerca de R$ 280 milhões, apenas com as assinaturas, cheguem aos cofres dos canais se todo o plano pretendido for seguido à risca.

Esse dinheiro deve ser aplicado na produção de conteúdo. Elo mais fraco da corda, a RedeTV! espera que essa joint-venture ajude o canal a diminuir os horários vendidos em sua grade - hoje em mais de 50% no total.







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