Há 47 anos, confusão em cima da hora mudou a história do Jornal Nacional





Pense no Jornal Nacional com outro tema de abertura. Difícil, não é? Pouca gente sabe, mas The Fuzz, música conhecida em todo o Brasil há exatamente 47 anos, se tornou o tema de abertura do noticiário global por mero acaso, poucas horas antes da estreia, em 1º de setembro de 1969. Isso porque a composição original que seria utilizada como trilha do telejornal, nunca divulgada, foi rejeitada pela cúpula da emissora.

Então diretor da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, confirmou o fato em 2012, em entrevista ao Mais Você, de Ana Maria Braga.

"A abertura do Jornal Nacional apareceu no dia, escrita por um dos maestros da casa. Eu não gostei e pedi ao Antônio Faia, que era o sonoplasta da empresa, que encontrasse uma abertura desesperadamente. Tinha um vídeo e tínhamos que sincronizar com uma música", contou Boni. "Tinha uma loja de discos em frente ao Jardim Botânico. Ele foi lá e trouxe um disco. Montamos em 30 segundos aquela abertura e ficou até hoje. Foi às pressas", completou.

O disco continha The Fuzz, peça que foi composta pelo norte-americano Frank De Vol para o filme The Happening (no Brasil nomeado como Acontece Cada Coisa), de 1967, estrelado por Anthony Quinn e Faye Dunaway. A comédia fez pouco sucesso, mas a trilha sonora obteve destaque - a música The Happening, interpretada por The Supremes, alcançou o primeiro lugar na época.


Cid Moreira e Hilton Gomes na estreia do Jornal Nacional em 1969

De Vol nasceu em 20 de setembro de 1911 e morreu em 27 de outubro de 1999. Em reportagem sobre sua morte, o The New York Times de 30 de outubro de 1999 destacou que ele foi o compositor de mais de 50 trilhas sonoras de filmes.

"De Vol foi um dos mais prodigiosos compositores, arranjadores e condutores de Hollywood, conquistando reconhecimento com nomeações para cinco Oscars e cinco Emmys, entre eles uma indicação para o Brady Bunch, tema escrito para esse seriado da década de 1970. Ocasionalmente, também aparecia na tela como ator", dizia a reportagem.

Tema foi utilizado em outros telejornais

Outra interessante curiosidade é que The Fuzz não foi utilizada apenas no noticiário brasileiro. Antes mesmo do Jornal Nacional, a KOOL-TV, de Phoenix, colocou o tema como abertura de seu telejornal, bem como a WKBW-TV, de Buffalo, e outras emissoras, inclusive do Canadá.

Ao contrário de outros telejornais que já tiveram seus temas alterados, como o Jornal da Globo e o Bom Dia Brasil, a Globo nunca trocou The Fuzz por outra composição para o Jornal Nacional, e nem poderia, dada a identificação do telejornal com sua trilha sonora.

Ao longo das décadas, a música já ganhou diversas versões, a última delas em 1989, feita pelo maestro Aloísio Didier e executada até os dias de hoje na escalada (quando os apresentadores leem as manchetes), abertura e encerramento. "Houve uma mudança na harmonização, no peso, no corpo, até na grandiosidade, transformando ela em algo mais adequado à importância do jornal", disse o maestro em entrevista ao próprio JN em 2011.


Cid Moreira e Sérgio Chapelin no cenário do Jornal Nacional em 1982

Quando o noticiário passou por uma profunda reformulação, em 2000, e passou a ser comandado diretamente da Redação da emissora, chegou a ser anunciado que o tema de abertura seria alterado para uma versão mais clássica, mas, na última hora, optou-se por manter o atual.

No entanto, em ocasiões especiais, como nas posses de Luís Inácio Lula da Silva (2003) e Dilma Rousseff (2011), morte do papa João Paulo 2º (2005), a eleição do papa Francisco (2013), entre outras, o Jornal Nacional é aberto com uma versão especial da trilha.




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